Um alinhamento dos astros em 2017?

Um dos jornalistas econômicos mais importantes da mídia escrita brasileira perguntou em sua coluna na última semana se o pessimismo que dominou o mercado financeiro em dezembro não foi exagerado demais. Os números de alguns ativos brasileiros mais correlacionados com otimismo ou pessimismo tiveram nas últimas semanas um comportamento que não deixa dúvidas sobre este […]
Por Luiz Carlos Mendonça de BarrosPublicado em 30/01/2017 11:10 | Última atualização em 22/06/2017 18:09Tempo de Leitura: 4 min de leitura

Um dos jornalistas econômicos mais importantes da mídia escrita brasileira perguntou em sua coluna na última semana se o pessimismo que dominou o mercado financeiro em dezembro não foi exagerado demais. Os números de alguns ativos brasileiros mais correlacionados com otimismo ou pessimismo tiveram nas últimas semanas um comportamento que não deixa dúvidas sobre este erro de avaliação.

O índice BOVESPA, entre o último dia útil de dezembro e seu fechamento na última sexta feira, subiu 14,8% e 27,2 % quando medido em dólares. O real valorizou-se 10,8% entre o dia 2 de dezembro e o dia 26 de janeiro. O mesmo aconteceu com os juros negociados nos mercados futuros e o CDS brasileiro.

Cabe aqui a pergunta sobre o que provocou este comportamento tão equivocado dos mercados. É sobre isto que pretendo refletir neste nosso encontro semanal.

A primeira e mais forte razão para tal erro de avaliação vem da mistura de informações sobre a economia real no Brasil e as especulações sobre o possível governo Trump nos Estados Unidos. Como escrevi recentemente ao leitor de EXAME hoje, este erro de misturar eventos com graus diferentes de previsibilidade é muito comum nos mercados financeiros nos tempos recentes. Foi o que aconteceu nas semanas que antecederam a posse de Donald Trump na Casa Branca e as consequências que seu governo teria sobre os juros americanos e, por consequência, sobre o valor do dólar em relação a outras moedas. O Brasil faria parte de um conjunto de economias que sofreriam o diabo com este novo cenário monetário. E os mercados operaram seguindo este call.

Com o passar dos dias em janeiro, quando a mídia passou a publicar uma serie de matérias trazendo um pouco mais de luzes sobre Trump os mercados foram entendendo que não existem ainda provas factuais sólidas da ação futura do novo presidente. Neste sentido seria melhor abaixar o fogo das certezas não certas e olhar mais para os fenômenos econômicos que estão ocorrendo. Com isto voltou a prevalecer no Brasil a racionalidade econômica e o entendimento de que as coisas estão caminhando bem neste início de ano. Tanto na política como na economia.

A quase certa eleição de Rodrigo Maia como novo presidente da Câmera de Deputados, criará as condições para que a pauta de reformas do presidente Temer caminhe neste ano, o que será uma peça chave para que o otimismo continue a prevalecer. Por outro lado processo, de desinflação ganha força com os números de janeiro já conhecidos e com a quase certeza de que a safra agrícola manteará inflação de alimentos bem-comportada em 2017.

Com este cenário o Banco Central poderá manter uma política mais agressiva de redução de juros e chegar ao fim do ano com uma taxa SELIC de apenas um dígito. Isso certamente trará um alento forte para a retomada da atividade econômica. Por outro lado, temos inúmeros analistas apontando para um possível novo ciclo de aumento dos preços das commodities, o que também ajudaria muito a economia brasileira em seu processo de recuperação ao longo do ano.

Os possíveis efeitos de um governo caótico e protecionista do novo ocupante da Casa Branca sobre a economia do mundo – e por consequência sobre o Brasil – devem ser monitorados com cuidado, mas sem a afobação que prevaleceu em dezembro. As primeiras medidas tomadas por Trump apontam para a direção de um governo estabanado e que toma decisões importantes sem que tenham sido avaliados em profundidade seus possíveis efeitos mais à frente.

Vejam o que está ocorrendo com suas decisões sobre a entrada de mulçumanos nos Estados Unidos. Os otimistas em relação a seu governo ainda acreditam que os erros que serão cometidos nos próximos meses podem levar à criação de um movimento forte de oposição e, mais à frente, um governo mais sensato e menos agressivo à ordem mundial de hoje.

A conferir, mas mantendo a calma e o bom senso.

Mendonça de barros