Meta de inflação: devagar com o andor

O inesperado sucesso na convergência do IPCA para a centro da meta de inflação do BC levou muitos analistas a propor uma redução imediata para este número magico. Seria, segundo eles, uma forma clara de mostrar o compromisso do Banco Central com a estabilidade de preços no futuro, consolidando de forma perene as expectativas dos […]
 (Andressa Anholete/Getty Images)
(Andressa Anholete/Getty Images)
Por Luiz Carlos Mendonça de BarrosPublicado em 06/03/2017 12:55 | Última atualização em 22/06/2017 18:28Tempo de Leitura: 3 min de leitura

O inesperado sucesso na convergência do IPCA para a centro da meta de inflação do BC levou muitos analistas a propor uma redução imediata para este número magico. Seria, segundo eles, uma forma clara de mostrar o compromisso do Banco Central com a estabilidade de preços no futuro, consolidando de forma perene as expectativas dos agentes econômicos em relação à política econômica do governo Temer.

Não concordo com este movimento neste momento. O mandato do Banco Central para 2017, como foi afirmado várias vezes pelo seu presidente Ilan, é duplo. Em primeiro lugar, ancorar a inflação no centro da meta para os próximos anos. Em segundo, uma vez atingido este primeiro e sagrado objetivo, ajudar via a política monetária a saímos da terrível recessão que nos jogou o governo anterior.

Portanto, atingido o objetivo da convergência de preços neste e no próximo ano, o BC precisa agora de liberdade para trazer o juro real para níveis compatíveis com a recuperação cíclica que já está ocorrendo. Introduzir agora o ruído de uma meta de inflação mais ambiciosa seria um erro sério. Principalmente porque ninguém questiona mais o compromisso do BC com o sistema de metas de inflação em vigor no Brasil do presidente Temer.

Além disto, os fatores externos que por tantos é citado como um risco para a inflação está hoje balanceado. Os efeitos de um aumento mais agressivos de juros pelo FED estão precificados tanto no mercado de juros como o de taxas de câmbio e o crescimento sincronizado da Europa e da China garantem – como já está ocorrendo – um aumento cíclico nos termos de troca de economias como a brasileira. Sabemos pelo passado que este movimento é que garante a estabilidade do real nos mercados de câmbio. Por outro lado, as condições da safra agrícola no Brasil é um seguro importante para que o Banco Central adote nos próximos meses uma política agressiva de redução dos juros nominal e real.

Abre-se, portanto, uma janela efetiva para que a economia volte a crescer, aproveitando-se do enorme hiato do produto existente hoje na economia. Com a volta do crescimento teremos uma recuperação natural das receitas fiscais do Tesouro – tanto ao nível federal como nos estados- recolocando a trajetória das contas públicas mais próxima da prevista pela chamada PEC do teto do gasto. Last but not the least, com juros mais baixos e uma recuperação no resultado primário, a trajetória da dívida pública se afastaria da curva da morte prevista pelos mais pessimistas.

Não tenho dúvidas de que os ganhos nas expectativas futuras trazidas por este ciclo virtuoso na economia serão muito mais importantes do que uma simples e tempestiva redução na meta de inflação agora.

Mendonça de barros