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O Pequeno Brasil

Um país continental aprisionado por muros invisíveis de violência, privilégios e burocracia

 (Fabio Vieira/FotoRua/NurPhoto/Getty Images)

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Instituto Millenium
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Instituto Millenium

Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 20h27.

Por Sergio Lewin, advogado e cofundador da Lexum

 

O Brasil é um país continental, com uma beleza natural e riquezas únicas. Mas o Brasil está encurtado. Encurtado por tantos espaços, reais e simbólicos, que não podem ser livremente frequentados. Ruas e praças interditadas, proibidas pela violência física e institucional; territórios inteiros comandados por milícias, como se fossem outro país. Palavras que não podem ser ditas e, no limite, nem pensamentos pensados. Espaços invisíveis interditados pela burocracia, pela seletividade e por um Estado que pesa mais sobre uns do que sobre outros.

Há territórios onde a lei simplesmente não chega, e outros onde chega com força desmedida, dependendo de se tratar de amigo ou inimigo, próximo ou distante dos centros do poder.

Esses espaços, quando nos são negados, nos tornam sub-brasileiros. Somos cidadãos pela metade quando alguns trabalham pela sobrevivência e outros criam seus supersalários, sem dar satisfação a ninguém. Quando o governo abocanha a riqueza e não devolve serviço algum. Quando recebemos uma educação pública insuficiente, que limita o futuro, antes mesmo que ele comece. O Brasil não é dos brasileiros quando o mandato se transforma em carta branca, sem compromisso algum com quem o concedeu.

Somos sub-brasileiros quando precisamos pedir licença para exercer direitos que já são nossos. Quando a máquina pública se fecha em si mesma e trata o cidadão como vassalo, tratando como insolência qualquer questionamento.

Um país só pertence ao seu povo quando as ideias podem circular sem medo e dizer o que se pensa não é taxado como deslealdade ou crime moral.

O Brasil se torna feio, limitado e medíocre quando toda a sua riqueza e diversidade se perdem pela visão burocrática e autoritária dos que querem comandá-lo a partir da pequenez de seus gabinetes. Senhores, o Brasil é bem maior que seus gabinetes!

O grande risco é que este Brasil apequenado encubra o grande e majestoso Brasil. E que as tentativas de frear essa marcha obscura sejam cada vez mais difíceis. Que esse Brasil que não é nosso vença. Que ele fique para os donos do Brasil, que não somos nós.