Economia Brasileira; PIB do Brasil; Moeda (Getty Images/Getty Images)
Instituto Millenium
Publicado em 2 de março de 2026 às 20h54.
Por *Maxim Medvedovsky, Engenheiro formado pela PUC-RJ e C-Level de diversas empresas listadas
A economia, assim como a Lei do Movimento na Física, funciona através de uma equação simples: Força Motriz - Forças de Atrito = Movimento (Crescimento do PIB)
Um veículo motorizado com o tanque cheio será capaz de atravessar uma longa distância numa estrada bem asfaltada, bem sinalizada, com poucas subidas, poucos radares de velocidade adequados ao seu trajeto e condições climáticas favoráveis. Seu rendimento será ótimo e o consumo de combustível bem eficiente! Se por outro lado a estrada estiver esburacada e mal conservada, cheia de curvas e aclives, radares aleatórios com velocidades máximas oscilantes, pedestres atravessando a qualquer tempo, carros parados na pista, blitzes para verificação de documentos e, ainda por cima, vendaval com chuva, é pouco provável que este veículo consiga chegar ao seu destino de forma satisfatória.
É exatamente assim que funciona na economia de um país, na sua geração de riqueza e no aumento do PIB/capita. É interessante observar que os países que conseguiram obter o maior crescimento de suas economias e consequentemente maior prosperidade para os seus povos, são aqueles que concentraram os seus esforços em 2 variáveis principais que otimizam o resultado da equação:
1. Maximizar a potência/rendimento dos seus motores; e
2. Minimizar as forças de atrito que retardam
A força motriz que faz a economia girar precisa de um ambiente estável, confiável e previsível. Também precisa de regras claras, valorização da educação, inovação e do empreendedorismo, fomento do capital humano e boa alocação de recursos, com austeridade fiscal. As forças de atrito sempre vão existir e elas atrapalham o movimento, porém precisam ser reduzidas. Caso contrário, muitos dos esforços feitos do lado da força motriz não gerarão resultado e, pior, perde-se o incentivo em aprimorá-la. Nesta situação é gerado mais calor do que valor!
O excesso de burocracia, o Estado grande e intervencionista, impostos elevados e complexos, funcionalismo público exacerbado, uma miríade de leis e regras mutantes e conflitantes, judiciário gigante e moroso, fiscais e auditores sem fim, complexidade fiscal e trabalhista, onde até o passado é incerto, procedimentos e controles inúteis, sindicatos jogando contra, ONGs com viés político e políticas públicas irresponsáveis do ponto de vista fiscal, sem visão de longo prazo. Todos somados compõem a classe de países que concentram a maior parte do seu foco nas forças de atrito!
O resultado é bastante previsível: Estes países ficam imobilizados e asfixiados, não conseguem crescer com tantas forças de atrito contra a força motriz que gera movimento e riqueza. A geração de valor real é dissipada em meio a tantos obstáculos e são criados estímulos perversos para "bypasses", seja para quem os busca, seja para quem os concede.
Um entendimento básico do Liberalismo clássico é que o Mercado deve funcionar livre, com poucas amarras, para poder produzir, prosperar, aumentar a riqueza, os empregos e a renda de todos. Este é o ciclo virtuoso dos países vencedores! Mais força motriz, mais produção, mais empregos, mais renda, mais mercado consumidor, mais inovação, mais austeridade fiscal, mais PIB. Menos impostos, menos Estado, menos burocracia, menos volatilidade no câmbio e juros.
Não é possível aumentar a riqueza de um país através de políticas que aumentam os impostos, que taxam mais quem produz e redistribuem de forma disfuncional para quem não produz. O motivo é muito simples: o bolo não cresce, e pior, ele tende a reduzir, pois tanto o capital financeiro, quanto o capital humano deixam de ter incentivos e migram para outros países com o modelo mental correto.
Observemos o peso do Brasil no reconhecido Índice de Mercados Emergentes do Morgan Stanley. Há 15 anos atrás o Brasil tinha peso de 15%, hoje este peso está em apenas 4%. Infelizmente o Brasil se tornou irrelevante na alocação de capital global. Este modelo atrasado, que privilegia as forças de atrito, está instalado no Brasil há décadas, e em particular neste século XXI.
O foco nas forças de atrito pode não demonstrar mudanças significativas ao longo de alguns poucos anos, mas quando observamos por um período mais longo de décadas, o resultado acumulado é muito impactado. Similar à taxa de juros composta, pequenas diferenças anuais se compõem numa enorme diferença ao longo do tempo. A defasagem de crescimento (e de renda per capita) é muito significativa em relação a países que adotaram a estratégia oposta. O PIB/Capita do Brasil em 1990 era de $3100, hoje é de $9500. O nosso vizinho Uruguai cresceu de $3000 para $19000, a Polônia de $1600 para $18000, e até o Cazaquistão, do famigerado Borat, cresceu de $1600 para $12000. Isto sem falar da China, campeã de crescimento, de parcos $320 para $13000.
A Europa padece de um mal semelhante, porém com um ponto de partida muito mais alto do que o Brasil. Nas últimas décadas se tornou burocrática, taxadora, afugentou investimentos, diminuiu produtividade e se enfraqueceu muito na sua capacidade de inovação. Nos anos 2000, seu PIB era similar ao PIB americano e hoje representa apenas 67%. O seu PIB/capita era 76% do americano em 2008 e hoje é apenas 50% (vide gráfico abaixo). Outro gráfico impressionante é o da quantidade de empresas com menos de 50 anos com valor de mercado acima de $10bi nos EUA versus Europa. A diferença é chocante!
Enquanto tivermos as forças de atrito em abundância, bem remuneradas e com risco baixo, não iremos crescer. Além disto, o efeito colateral óbvio nos países onde o foco está nas forças de atrito é a corrupção! Necessária para distensioná-las e para alimentar a sua máquina! Um ciclo vicioso sem fim.
Há décadas acreditamos que o Brasil será o país do futuro... Porém este futuro promissor ainda não chegou para nós, ou melhor, chegou, mas muito aquém do que poderia ter sido. Contudo chegou para outros países com o modelo mental certo e em muitos casos com ponto de partida muito inferior ao nosso! Somos o 5º país do mundo em extensão territorial, com 8,5M km², somos a 2ª maior democracia das Américas com 210 milhões de habitantes, temos abundância de recursos naturais e energéticos, clima tranquilo, povo pacífico, sem guerras e sem conflitos religiosos. Isto é uma benção! Temos que saber aproveitar o potencial que a natureza nos ofereceu com uma guinada de modelo mental que privilegie a Força Motriz deste país e do nosso povo, ao invés das forças de atrito nocivas!