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Resoluções de ano novo: o segredo de nunca parar

No longo prazo, a qualidade da nossa vida depende sempre da qualidade e da consistência dos nossos hábitos

 (Divulgação)

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Publicado em 31 de dezembro de 2025 às 10h44.

Na minha opinião, o dia 31 de dezembro é um dia igual a qualquer outro. Poderia ser 10 de março, 8 de junho ou 23 de outubro — tanto faz.

O sol nasce, os passarinhos cantam, as nuvens passam, o sol se põe. Nada — absolutamente nada — acontece de diferente na natureza. Do ponto de vista da ordem natural das coisas, o dia 1º de janeiro é igual ao dia 31 de dezembro, não é mesmo?

Ocorre que, há cerca de cinco mil anos, astrônomos egípcios perceberam que o ciclo das cheias do rio Nilo — vital para definir as estações de plantio e de colheita — coincidia com o reaparecimento da estrela Sírius.

Perceberam também que esses dois fenômenos ocorriam a cada 365 dias. Criava-se ali o calendário solar, posteriormente ajustado pelos romanos, em 45 a.C., e finalmente refinado pelo papa Gregório XIII, em 1582, com a inclusão dos anos bissextos. Surgia, assim, o calendário gregoriano que usamos até hoje.

Quero deixar claro que não tenho nada contra a noite de Ano-Novo, nem contra o ritual de passagem — vestir branco, pular as sete ondinhas, comer lentilha e tudo mais. Acho ótimo reunir a família e os amigos, confraternizar e deliciar-me com os comes e bebes do Réveillon.

O que me incomoda mesmo são as famosas resoluções de Ano-Novo. Fazer exercícios, emagrecer, beber menos, rever alguns velhos amigos, fazer aquele curso de inglês… a lista é longa. A intenção é sempre boa, mas normalmente carece de efetividade. Quantas vezes você já repetiu a mesma resolução — ano após ano?

O que realmente precisamos é incorporar hábitos à nossa vida. E essa decisão independe do entusiasmo da noite da virada. Como muito bem define o autor James Clear, em sua obra Hábitos Atômicos, um “hábito” é uma rotina realizada regularmente e, em muitos casos, de forma automática.

Já “atômico” refere-se ao átomo, a menor partícula de matéria — e, ao mesmo tempo, fonte de imensa energia e poder (vide a bomba atômica). Segundo Clear, mudanças que podem parecer pequenas e sem importância, num primeiro momento, vão se acumulando e se transformam em resultados extraordinários.

O segredo está na persistência. No longo prazo, a qualidade da nossa vida depende sempre da qualidade e da consistência dos nossos hábitos.

O segredo, conclui Clear, é nunca parar. Você terá um preparo físico extraordinário se não parar de treinar. Adquirirá uma cultura extraordinária se não parar de aprender. Construirá amizades extraordinárias se não parar de cultivá-las. Devagar e sempre: esse é o poder dos hábitos atômicos.

Portanto, é por essas e por outras que não levo muito a sério as resoluções de Réveillon. Como relatei no início deste texto, pouco importa o dia ou a época do ano. Não é uma data “mágica” que vai nos fazer mudar. O que realmente importa é a consciência, a força de vontade e, acima de tudo, a resiliência. Só assim poderemos, de fato, nos tornar pessoas melhores, mais felizes e mais saudáveis.

Feliz Ano-Novo!