República do Bom Senso do Brasil

É oficial. O novo sistema político em exercício no país não é mais o presidencialismo. E quem o substituiu não foi o parlamentarismo e muito menos a monarquia. Estreamos no Brasil um novo modelo de governo, inédito no mundo, baseado única e exclusivamente no bom senso. É o bom-sensismo! É genial! Fico aqui imaginando como […]
 (Agência Brasil/Tomaz Silva)
(Agência Brasil/Tomaz Silva)
Por Eduardo MoreiraPublicado em 20/12/2016 11:31 | Última atualização em 22/06/2017 18:48Tempo de Leitura: 3 min de leitura

É oficial. O novo sistema político em exercício no país não é mais o presidencialismo. E quem o substituiu não foi o parlamentarismo e muito menos a monarquia. Estreamos no Brasil um novo modelo de governo, inédito no mundo, baseado única e exclusivamente no bom senso. É o bom-sensismo!

É genial! Fico aqui imaginando como é que ninguém havia pensado nisso antes. Afinal, para que regras ou leis se o bom senso é capaz de ir muito além? É capaz de se adaptar a toda situação e de ter a agilidade e assertividade que normalmente faltam a lei! O bom-sensismo é revolucionário, e veio para ficar!

Inauguramos o bom-sensismo na ocasião do impeachment da presidente Dilma. A lei, por si só, não permitiria que seu impedimento acontecesse naquele momento ainda incipiente do julgamento dos crimes a ela atribuídos – a maioria dos advogados concorda. Mas para que a lei quando as opiniões do Facebook já eram todas as mesmas? O estado falimentar da economia podia ser facilmente corrigido se deputados e senadores seguissem o bom-senso e a tirassem do cargo. E assim o fizeram! Chamaram a decisão de política. Bobagem! Era já o bom-sensismo em exercício!

Assumiu então o novo governo e o bom-sensismo ganhou força. Ministros, parlamentares e até mesmo o novo presidente cometeram erros ainda mais graves dos que haviam recentemente tirado seus antecessores do cargo (e levado alguns a prisão), mas o governo tinha acabado de mudar e puni-los poderia jogar fora a chance do país finalmente retomar o rumo do crescimento. É uma questão de… bom senso! Resolvemos seguir então com eles. Vejam como o bom senso é prático.

Até no judiciário a moda pegou. Vendo-se em uma situação onde a aplicação da lei poderia afastar o presidente do senado e causar um caos político em Brasília, a corte não pestanejou! Apelou para o bom senso e rapidamente inventou uma solução fantástica para o problema! Transformou Renan num senador meia boca, reeditando a politica “café-com-leite” no Brasil, desta vez, porém, com outra conotação para a expressão. A lei? Quem precisa dela quando se tem ele!

Fontes afirmam que esta em análise agora a expansão do bom sensismo para toda a sociedade, com a extinção definitiva das leis. Será uma maravilha. Alguém te assaltou? Se você acha que o ladrão é incorrigível pode matar você mesmo! Só por favor use o bom-senso antes de fazê-lo. As mídias sociais condenaram alguém. Vamos prendê-lo, afinal o senso comum é a expressão máxima do bom-senso! A informação desta ou daquela revista vão contra o que você acredita? Queime-a, impeça-a de circular, seu bom-senso estará fazendo um bem aos outros. É uma questão de poucos meses até vivermos em uma sociedade perfeita!

Só existe um único problema. Todos poderão mandar igualmente. E as consequências das decisões serão irreversíveis. Infelizmente não existe uma hierarquia no bom-senso. Foi um grande filósofo medieval quem afirmou pela primeira vez que o bom senso foi a coisa mais bem distribuída por Deus aos homens. A prova disso é que não há sobre a terra quem ache que não tem dele o suficiente… Então, torça para que este mesmo Deus ilumine o bom-sensista que for agir quando o alvo for… você!

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