A força das favelas brasileiras

Atualmente, o Brasil com mais de 13 mil favelas espalhadas por 743 cidades
Parque Real, no bairro do Morumbi, zona sul de São Paulo. (Danny Lehman/Getty Images)
Parque Real, no bairro do Morumbi, zona sul de São Paulo. (Danny Lehman/Getty Images)
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Bora Varejo

5 de julho de 2022, 16h39

Por Alfredo Soares

O Brasil conta atualmente com mais de 13 mil favelas espalhadas por 743 cidades. São 17,1 milhões de pessoas que lutam diariamente com as dificuldades de se viver em um ambiente complexo e visto por muitos com preconceito. Representativamente, se considerarmos como um estado brasileiro, esse número colocaria as favelas na quarta posição, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, ou seja, seria correspondente a 8% da população brasileira. Apesar dos desafios, as comunidades do país são fábricas de grandes negócios e talentos, movimentando anualmente R$ 124,1 bilhões. O valor é maior do que a renda de 20 das 27 unidades da federação, superando ainda o consumo de países como Bolívia, Uruguai e Paraguai.

Segundo um estudo recente do Data Favela, metade dos moradores se considera empreendedor e 76% do total tiveram, têm ou sonham abrir um negócio próprio. A pesquisa mostrou, ainda, que 41% deles já têm seu próprio empreendimento, porém, apenas 37% desse total têm CNPJ. Para Renato Meirelles, fundador do Data Favela, nunca foi tão importante desenvolver os MEIs para facilitar a abertura de novos negócios nas comunidades: "O empreendedorismo significa liberdade, é um dos maiores motores de potência das favelas”, contou em entrevista.

O estudo também identificou as principais dificuldades para quem quer começar a empreender dentro das favelas brasileiras:

  • Conseguir capital para investir;
  • Falta de equipamentos adequados ou suficientes;
  • Fazer a gestão financeira do negócio;
  • Colocar preços nos produtos ou serviços;
  • Usar a internet e redes sociais para divulgar produtos ou serviços;
  • A burocracia para gerir um negócio.

Mesmo em um cenário tão desafiador, empresas se movimentam para investir massivamente nos negócios com potencial de crescimento dentro das comunidades. A Favela Holding, grupo formado por 23 empresas voltadas a projetos sociais, lançou em fevereiro deste ano um aporte de R$ 50 milhões para startups de favelas em áreas como logística, gastronomia, saúde, marketing e tecnologia. Esse tipo de apoio garantiu que negócios como o Comunidade Door, que fatura R$ 26 milhões por ano, e a Alô Social, operadora de planos de celular com 2 milhões de clientes, pudessem sair do papel para contribuir com a geração de empregos dentro das favelas onde atuam.

Outra grande iniciativa foi a Bolsa de Valores das Favelas que  nasceu no final de 2021 pelas mãos do G10, grupo liderado pelas comunidades com maior potencial econômico do país. A Bolsa, que já conta com 18 empreendimentos, foi aprovada pela Comissão de Valores Mobiliários e já teve suas primeiras ofertas públicas de ações. E os investimentos não param por aí, a própria Favela Holding já é responsável por movimentar anualmente R$ 178 milhões com previsão de alcançar R$ 1 bilhão em negócios nos próximos três anos.

Com resultados crescendo de forma exponencial, é impossível não admitir que a favela não só venceu como segue vencendo diariamente.