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Quando o talento diminui, a execução vira obrigação

O empate entre Brasil e Marrocos no primeiro jogo da Copa do Mundo traz lições para o futebol e os negócios

Brasil x Marrocos no amistoso de 2023, quando os africanos venceram por 2 a 1. Os dois times se reencontram em 13 de junho no MetLife Stadium, pela Copa do Mundo 2026 (Rafael Ribeiro/CBF)

Brasil x Marrocos no amistoso de 2023, quando os africanos venceram por 2 a 1. Os dois times se reencontram em 13 de junho no MetLife Stadium, pela Copa do Mundo 2026 (Rafael Ribeiro/CBF)

Adriano Lima
Adriano Lima

Autor do livro "Você em Ação"

Publicado em 14 de junho de 2026 às 18h15.

O empate em 1 a 1 entre Brasil e Marrocos na estreia da Copa do Mundo trouxe uma reflexão interessante para quem gosta de futebol, mas também para quem lidera equipes e empresas.

Durante décadas, o Brasil se acostumou a disputar competições internacionais carregando uma vantagem competitiva difícil de ser encontrada em qualquer outro país: a capacidade de produzir talentos extraordinários em quantidade. Em diferentes momentos da nossa história, reunimos jogadores que estavam entre os melhores do mundo em suas posições e, não raramente, vimos partidas serem decididas por uma genialidade individual quando o jogo parecia complicado.

A seleção atual continua tendo bons jogadores e atletas capazes de decidir partidas. No entanto, talvez seja difícil compará-la às gerações mais brilhantes que construíram a história dos nossos cinco títulos mundiais. Não se trata de uma crítica, mas de um reconhecimento da realidade. O futebol mundial evoluiu, os adversários diminuíram a distância que existia para o Brasil e, hoje, a diferença técnica já não parece tão grande quanto foi em outros momentos.

É justamente por isso que o empate diante de Marrocos merece atenção.

Capacidade de executar se tornou decisiva

Antes da partida, a maioria das análises apontava o Brasil como favorito. Mas, ao longo dos noventa minutos, ficou evidente que a vantagem técnica que muitos imaginavam não seria suficiente para decidir o jogo. Marrocos apresentou algo que, tanto no esporte quanto nos negócios, costuma fazer enorme diferença: uma combinação de organização, disciplina e clareza na execução.

A equipe marroquina sabia exatamente como queria jogar. Os jogadores pareciam compreender seus papéis com precisão, mantiveram intensidade durante toda a partida e executaram sua estratégia com consistência. Talvez não possuíssem o mesmo repertório técnico individual da seleção brasileira, mas conseguiram compensar isso através de um desempenho coletivo extremamente competitivo.

Após a partida, conversei com Felipe Azevedo, CEO da LG Lugar de Gente, que acompanhou o jogo do estádio. Enquanto falávamos sobre o resultado, ele fez uma observação que imediatamente me transportou para o mundo corporativo.

"Quando a diferença de talento não é tão grande, a capacidade de executar se torna decisiva. Estratégia continua sendo importante. Talento continua sendo importante. Mas o que separa os melhores resultados é a capacidade de transformar planejamento em ação de forma consistente."

A reflexão vale para praticamente qualquer organização. Durante muito tempo, algumas empresas lideraram seus mercados porque possuíam vantagens difíceis de copiar. Tinham acesso privilegiado a capital, tecnologia, marcas mais fortes ou profissionais muito acima da média. Hoje, grande parte dessas vantagens se tornou menos exclusiva. A tecnologia está mais acessível, o conhecimento circula com velocidade impressionante e os concorrentes aprendem mais rápido do que nunca.

Nesse contexto, o diferencial passa a estar menos no potencial e mais na capacidade de transformar potencial em resultado.

Foi essa a principal lição que enxerguei no empate entre Brasil e Marrocos. Quando uma equipe não possui uma geração claramente superior aos seus adversários, ela precisa encontrar vantagem em outros lugares. Na estratégia. Na preparação. No preparo físico. Na disciplina tática. Na intensidade. Na capacidade de fazer cada jogador entregar o máximo possível dentro de um plano coletivo.

O Brasil continua tendo talento suficiente para sonhar com grandes resultados nesta Copa. Mas talvez esta geração nos lembre de uma verdade que vale para o futebol e para as empresas: quando a vantagem competitiva diminui, a execução deixa de ser um diferencial.

Ela passa a ser uma necessidade.