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Seu intestino pode estar causando depressão — e poluente doméstico está no meio disso

Estudo de Harvard mostra como a bactéria pode acionar inflamação associada ao transtorno depressivo maior

Depressão: doença pode ter começo no intestino, segundo Harvard (Malombra76/Getty Images)

Depressão: doença pode ter começo no intestino, segundo Harvard (Malombra76/Getty Images)

Publicado em 28 de abril de 2026 às 10h27.

O intestino pode ter um papel mais direto na depressão do que se imaginava. Pesquisadores da escola de medicina de Harvard identificaram um mecanismo biológico que ajuda a explicar como uma bactéria intestinal pode influenciar a saúde mental.

O estudo, publicado no Journal of the American Chemical Society, investigou a Morganella morganii, espécie de bactéria já associada ao transtorno depressivo maior em pesquisas anteriores.

Até agora, não estava claro se a bactéria contribuía para a doença, se a depressão alterava o microbioma ou se outro fator explicava a relação.

A nova pesquisa aponta um caminho bioquímico. Segundo os cientistas, quando a Morganella morganii entra em contato com dietanolamina, ou DEA, ela incorpora esse contaminante ambiental a uma molécula que produz no intestino.

O DEA é usado em produtos industriais, agrícolas e de consumo. Segundo a Harvard Medical School, o composto pode aparecer em itens como solventes industriais, produtos agrícolas, xampus e cosméticos.

A molécula alterada passa a ativar uma resposta do sistema imunológico que a versão normal da molécula não ativava. O processo estimula a liberação de proteínas inflamatórias chamadas citocinas, especialmente a interleucina-6, ou IL-6.

A IL-6 já foi associada ao transtorno depressivo maior em estudos anteriores. Para os autores, a descoberta fortalece a hipótese de que a inflamação crônica pode participar do desenvolvimento de alguns casos da doença.

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Depressão pode envolver uma cascata imune

O achado amplia a visão tradicional sobre a depressão. Em vez de tratar o transtorno apenas como uma alteração na química cerebral, como serotonina e dopamina, o estudo sugere que parte dos casos pode envolver uma cascata imunológica iniciada no intestino.

Segundo Jon Clardy, professor de química biológica e farmacologia molecular da Harvard Medical School e autor sênior do estudo, a pesquisa avança na compreensão dos mecanismos moleculares que ligam microbioma intestinal e depressão.

Os pesquisadores afirmam que ainda serão necessários novos estudos para confirmar se o produto alterado da Morganella morganii é uma causa definitiva do transtorno depressivo maior.

Também falta determinar qual porcentagem dos casos poderia estar ligada a esse mecanismo.

O estudo sugere que o DEA pode ser investigado como um possível biomarcador para detectar alguns casos de depressão.

A descoberta também reforça a hipótese de que o transtorno depressivo maior, ou um subconjunto da doença, possa ser compreendido como uma condição autoinflamatória ou autoimune.

Nesse cenário, medicamentos moduladores do sistema imunológico poderiam ser estudados como alternativa terapêutica para determinados pacientes.

A depressão afeta cerca de 280 milhões de pessoas no mundo e é a principal causa de incapacidade global, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os pesquisadores destacam que a descoberta abre caminho para investigar como outras bactérias intestinais podem alterar funções do sistema imunológico e influenciar a saúde humana.

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