Ciência
Acompanhe:

Rússia enviará nave à ISS em fevereiro para trazer tripulação à Terra

A cápsula Soyuz MS-22, atualmente acoplada à ISS, registrou um espetacular vazamento de líquido de refrigeração em meados de dezembro. As imagens mostraram um jato de partículas saindo da parte traseira do veículo

 (AFP/AFP Photo)

(AFP/AFP Photo)

A
AFP

11 de janeiro de 2023, 13h41

A Rússia enviará uma nave Soyuz para a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), em 20 de fevereiro, para trazer três astronautas à Terra — dois russos e um americano —, depois que a cápsula que deveria transportá-los sofreu danos.

A cápsula Soyuz MS-22, atualmente acoplada à ISS, registrou um espetacular vazamento de líquido de refrigeração em meados de dezembro. As imagens mostraram  um jato de partículas saindo da parte traseira do veículo.

A agência espacial russa (Roscosmos) considerou que o estado do equipamento era muito duvidoso para trazer de volta os astronautas russos Serguei Prokopiev e Dmitri Petelin e o americano Frank Rubio. Por isso, decidiu enviar outra espaçonave, a Soyuz MS-23.

A cápsula "será lançada em 20 de fevereiro de 2023 sem passageiros", mas com material, informou a Roscosmos em um comunicado.

Inicialmente, a decolagem desta nave estava prevista para acontecer em 16 de março para levar outros três passageiros para a ISS.

A data de retorno dos dois tripulantes russos e do americano, originalmente marcada para 28 de março, não foi anunciada, mas sua missão foi "prolongada", disse a Roscosmos.

A cápsula danificada voltará para a Terra sem passageiros, segundo a mesma fonte.

A agência russa não descarta a possibilidade de usar a nave para transportar tripulantes no caso de “uma situação particularmente crítica” a bordo da ISS. Hoje, há sete pessoas na ISS.

Sem contar com o MS-22 danificado, resta apenas um veículo de resgate, com capacidade para transportar quatro pessoas, se for necessário fazer uma retirada do grupo.

Possível microimpacto

A ISS é um dos poucos setores em que Rússia e Estados Unidos ainda cooperam, após o início da ofensiva russa na Ucrânia em 24 de fevereiro do ano passado e as sanções ocidentais que se seguiram ao conflito.

No mês passado, o diretor da Roscosmos, Yuri Borisov, agradeceu aos americanos pela solidariedade a bordo da ISS, que “nos estenderam a mão para ajudar”, no momento em que as relações bilaterais estão em seu pior nível.

A ISS foi lançada em 1998, durante um período de colaboração entre Moscou e Washington, após a corrida espacial entre os dois países durante a guerra fria.

Para Vitali Egorov, especialista russo em questões espaciais, as decisões anunciadas hoje pela Roscosmos são "ótimas para garantir a segurança [da tripulação] e minimizar, no programa espacial, os danos infligidos".

Uma avaliação inicial das causas do vazamento do líquido de refrigeração em meados de dezembro mencionou possíveis rupturas causadas por pequenos meteoritos de origem natural, detritos artificiais em órbita ou uma avaria material.

A Roscosmos descartou, nesta quarta-feira, qualquer problema mecânico e confirmou que o vazamento foi causado pelo impacto de um micrometeorito. Segundo a agência russa, este golpe provocou uma perfuração de "menos de 1 milímetro de diâmetro" em um tubo de refrigeração.

Este incidente voltou a pôr em xeque a qualidade dos sistemas russos, considerados confiáveis, mas cada vez mais obsoletos. Vários problemas técnicos, assim como escândalos de corrupção, mancharam a reputação do setor espacial de Moscou nos últimos anos, que rivaliza com os avanços de Washington.

LEIA TAMBÉM: