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Organização de saúde diz que cloroquina não deve ser usada contra Covid-19

Departamento de Doenças Transmissíveis da Organização Pan-Americana da Saúde reiterou que não há evidência para recomendar uso do medicamento

Pessoas de máscara em metrô: pandemia do novo coronavírus já atingiu mais de 4 milhões de pessoas (Rodrigo Paiva / Correspondente/Getty Images)

Pessoas de máscara em metrô: pandemia do novo coronavírus já atingiu mais de 4 milhões de pessoas (Rodrigo Paiva / Correspondente/Getty Images)

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Reuters

19 de maio de 2020, 15h46

O diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Marcos Espinal, reiterou nesta terça-feira que não há evidência científica até o momento para recomendar o uso da cloroquina contra a Covid-19 e disse que a recomendação da agência é que não se utilize o remédio para tratar a doença respiratória provocada pelo novo coronavírus.

"Não temos ainda resultados de testes clínicos que possam sugerir a eficácia", disse ele em videoconferência do braço regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para comentar a pandemia nas Américas.

Questionado sobre a intenção do governo brasileiro de recomendar o uso da cloroquina para tratar pacientes desde o início dos sintomas — ampliando o protocolo atual que recomenda a utilização apenas em pacientes graves-- o diretor da Opas respondeu que "o uso em cada país é decisão de cada país", mas ressaltou os efeitos colaterais, principalmente problemas cardíacos.

"Desde o início a Opas imediatamente produziu uma revisão bastante abrangente e sistemática das evidências e nós acabamos de atualizar o documento e ainda não há evidências para sugerir que essas duas drogas (cloroquina e hidroxicloroquina) são efetivas contra a Covid-19", afirmou Espinal.

"Nossa recomendação é clara de que elas não devem ser usadas ainda, e na verdade estudos estão sugerindo uma maior taxa de efeitos colaterais e problemas cardíacos em pessoas que utilizam", acrescentou.

Apesar da falta de comprovação, o presidente Jair Bolsonaro defende enfaticamente o uso da cloroquina. A mudança no protocolo de uso do remédio, para ser aplicado no início dos sintomas, foi a causa do pedido de demissão do ex-ministro da Saúde Nelson Teich, que se recusou a adotá-lo.

Sem o ministro no caminho, o seu interino no cargo, general Eduardo Pazuello, deve apresentar em breve a Bolsonaro o novo protocolo com o uso ampliado da cloroquina, associada a azitromicina. A intenção é já ter a autorização publicada quando o presidente apontar um novo ministro da Saúde.

Na segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos surpreendeu ao anunciar, de forma voluntária durante uma entrevista, que está tomando hidroxicloroquina como medida de prevenção contra o coronavírus