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O que é a síndrome do pânico, doença que Gisele Bündchen enfrenta

O problema atinge 2% da população brasileira e é caracterizado por crises de taquicardia, suores, tremores, falta de ar, dor no peito e medo de morrer

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Gisele: a modelo detalha em sua biografia que sofreu com problemas de saúde mental (Dimitrios Kambouris/Getty Images)

Gisele: a modelo detalha em sua biografia que sofreu com problemas de saúde mental (Dimitrios Kambouris/Getty Images)

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Letícia Naísa

Publicado em 28 de setembro de 2018 às, 20h03.

Última atualização em 28 de setembro de 2018 às, 21h48.

São Paulo — Prestes a lançar uma autobiografia, a modelo Gisele Bündchen conta em seu livro que já teve pensamentos suicidas e sofreu com síndrome do pânico.

O transtorno, que atinge cerca de 2% da população brasileira, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é caracterizado por crises recorrentes de pânico. Os sintomas incluem taquicardia, suores, tremores, falta de ar, dor no peito, náusea, medo de morrer ou de perder o controle, e pode ser confundido com problemas cardíacos ou Acidente Vascular Cerebral (AVC).

A crise dura poucos minutos, segundo especialistas. O problema maior do transtorno é viver com o medo. A diferença entre uma crise isolada e o transtorno é a frequência dos sintomas e o quanto eles afetam a vida do paciente.

"Uma das características da doença é o medo persistente de um novo ataque", afirma Ana Paula Carvalho, psiquiatra do Hospital da Clínicas da Universidade de São Paulo (USP). "Chamamos isso de medo do medo."

As causas da síndrome do pânico ainda são um mistério para a medicina. Segundo Ana Paula, elas podem ser multifatoriais: estresse, fatores ambientais e hábitos de vida não saudáveis, como fumar e ingerir bebidas alcoólicas.

"Mais de 50% das pessoas que têm síndrome do pânico também têm outro tipo de transtorno psiquiátrico, como ansiedade ou depressão", afirma Ana Paula. De acordo com a OMS, 9,3% dos brasileiros têm transtorno de ansiedade. A depressão atinge 5,8% da população.

Ao todo, transtornos de ansiedade e depressão atingem 332 milhões de pessoas no mundo. Para a OMS, o investimento em tratamento é essencial. Segundo estudo da entidade, de 2016, cada dólar investido em tratamento poderia dar retorno de 4 dólares em termos de melhora de saúde e habilidade de trabalho.

No Brasil, o investimento público em saúde mental previsto para 2018 é de 1,3 bilhão de reais, segundo o Ministério da Saúde. O atendimento é feito por meio da RAPS (Rede de Atenção Psicossocial). Os principais atendimentos em saúde mental são realizados nos 2.550 Centros de Atenção Psicossocial (Caps) que existem no país.

Tratamento

Gisele desenvolveu o problema em 2003, após passar por uma turbulência em um avião pequeno. A partir de então, a modelo passou a temer túneis, elevadores e qualquer tipo de lugar fechado.

Segundo Yuri Busin, psicólogo e diretor do Centro de Atenção à Saúde Mental – Equilíbrio (Casme), esse tipo de temor é comum em quem tem o transtorno. Tanto uma experiência traumática quanto outros problemas de saúde mental podem desencadear a síndrome do pânico.

O tratamento inclui a psicoterapia e o uso de remédios prescritos. "O medicamento faz a pessoa se sentir bem e a psicoterapia faz ela entender o problema e modificar a forma como ela age", afirma Busin.

Durante uma crise, o psicólogo aconselha que a pessoa tente se acalmar. "O melhor é se recolher. Apesar de a sensação ser uma das piores possíveis, ela passa depois de um tempo", diz Busin.

A psiquiatra Ana Paula aconselha quem tiver suspeita de síndrome do pânico deve procurar uma avaliação de um especialista o mais rapidamente possível. "O tratamento é longo. Quanto mais cedo a pessoa buscar ajuda, melhor."

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