Universo paralelo? O que está por trás da descoberta sobre neutrinos

Pesquisadores descobriram uma anomalia em neutrinos na Antártica --- mas tudo pode ser sobre gelo, no fim das contas, e não sobre universos paralelos

Na tarde de quarta-feira, 20, uma notícia sobre um possível universo paralelo ganhou espaço em jornais e nas redes sociais ao redor do mundo. Um grupo de cientistas, financiado pela Nasa, mas sem relação direta com a agência americana, encontrou uma anomalia em neutrinos tau, partículas de alta energia, mais pesadas, saindo da Terra.

Uma das hipóteses levantadas pelos cientistas é que as partículas estavam se comportando como se estivessem em uma linha do tempo inversa. Para Peter Gorham, físico experimental de partículas da Universidade do Havaí, que participou da pesquisa, isso poderia ser um indício de um universo paralelo que funciona num tempo contrário do nosso. Depois da publicação, não demorou para que outros cientistas rebatessem a teoria.

O suposto “universo paralelo” está localizado na Antártica e foi encontrado com ajuda da Antena Impulsiva Transiente da Antártica (Anita). A teoria é apenas uma das várias que os pesquisadores estão estudando para entender melhor o fenômeno — e uma das últimas a ser considerada, mas a ideia ganhou força nas redes sociais. Contudo, os cientistas ainda não sabem exatamente com o que estão lidando. No release sobre o estudo, eles afirmam que “outras explicações para sinais anômalos — possivelmente envolvendo físicas exóticas — precisam ser considerados”.

Ibraham Safa, um dos cientistas que participou da pesquisa, postou em seu perfil no Twitter que “os neutrinos foram provavelmente um resultado dos nossos entendimentos imperfeitos do gelo da Antártica, mas há uma chance de que um novo fenômeno da física é o responsável”, mas que, não necessariamente, se trata de um novo universo. “Os eventos da Anita são interessantes, mas estamos longe de garantir que há uma nova física, quem dirá um universo inteiro”, tuitou ele.

Thiago Gonçalves, coordenador da comissão de imprensa da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) e professor de astrofísica na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a chance de esse universo existir é muito pequena, se é que realmente existe. “Essa história de universo paralelo é uma explicação bastante exótica e foge do que seria esperado. De todas as teorias para explicar o resultado, essa é a menos provável de todas”, afirmou ele em entrevista à EXAME por telefone.

Uma das hipótes é que, no momento da explosão do Big Bang, dois universos foram criados. O primeiro é o que conhecemos, e o segundo, sob a perspectiva do tempo na Terra, está indo ao contrário. Se esse universo realmente existir e for habitado, nosso planeta estará contrário a ele.

Em entrevista à revista científica New Scientist em abril, Gorham afirmou que “nem todo mundo está confortável com essa hipótese” e até mesmo cientistas do grupo dele não confiam 100% na teoria.

Sobre a publicação do estudo, Gorham disse à New Scientist que se sente “relutante” por não ter nenhuma confirmação ainda sobre a existência do segundo universo. “Não sabemos como representar isso ainda, mas temos algo”, disse ele.

Gonçalves e outros profissionais da área usaram a seguinte frase do cientista americano Carl Sagan para explicar o assunto: “Afirmações extraordinárias requerem evidências extraordinárias” — e não foi esse o caso. “Existem muitas outras explicações mais prováveis antes dessa [do universo paralelo]. Ainda não temos todas as evidências extraordinárias para essa comprovação”, garantiu.

No fim das contas, pode ser tudo sobre gelo — e não sobre demogorgons em Stranger Things.

Confira os três estudos que foram usados para chegar nesta teoria:

Estudo sobre neutrinos | Descobertas da Anita | Características dos eventos encontrados pela Anita 

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