Acompanhe:

Instituto pagará R$ 52 mil a quem topar ficar deitado por 60 dias

Parece uma boa oferta. E é – sobretudo para a ciência

Modo escuro

Continua após a publicidade
Experiência: o experimento Cocktail, conduzido pelo Instituto de Medicina Espacial e Fisiologia da França, é uma tentativa de recriar as condições de vida dos tripulantes de missões espaciais (Wi2_Photography/Photopin/Divulgação)

Experiência: o experimento Cocktail, conduzido pelo Instituto de Medicina Espacial e Fisiologia da França, é uma tentativa de recriar as condições de vida dos tripulantes de missões espaciais (Wi2_Photography/Photopin/Divulgação)

G
Guilherme Eler, da Superinteressante

Publicado em 6 de abril de 2017 às, 16h14.

Última atualização em 6 de abril de 2017 às, 17h49.

Você que é homem, não fuma, tem boa forma física e idade entre 20 e 45 anos, está apto a pleitear uma vaga no trabalho mais tranquilo do mundo.

Para ganhar o montante de 16 mil euros (uma quantia próxima a R$ 52 mil), tudo o que você precisa fazer é permanecer deitado em uma cama pelos próximos dois meses.

Nada mal, não? Mas, calma.

A proposta tem intuitos bem mais nobres do que regulamentar a carreira de preguiçoso profissional.

E ela parece menos tranquila se encarada como uma contribuição ao programa espacial francês – e à ciência, por que não?

O experimento Cocktail, conduzido pelo Instituto de Medicina Espacial e Fisiologia da França, é uma tentativa de recriar as condições de vida dos tripulantes de missões espaciais.

Na impossibilidade de deletar do mundo a força que nos impede de flutuar por aí, a solução mais próxima foi encontrar voluntários para ficar imóveis, presos a uma maca ligeiramente inclinada a – 6º por 60 dias.

Permanecer nessa posição por longos períodos equivale a passar uns bons dias no espaço: os impactos provocados pela dieta restrita e pela vida na horizontal são interpretados da mesma forma por nosso corpo, pelo menos.

Abandonar a órbita da Terra implica deixar para trás também a mecânica com a qual nossos corpos estão acostumados.

Ficar meses ou mesmo semanas enclausurados em uma estação espacial pode nos render mais que uma bela vista. Sintomas como perda de massa muscular, diminuição da densidade óssea e menor resposta imune também vêm no pacote – e precisam ter seus efeitos minimizados se quisermos nos aventurar por longos períodos no espaço.

O nome escolhido para batizar o experimento, Cocktail, se refere exatamente a essa tentativa: para reverter os efeitos da vida no espaço, os pesquisadores experimentam a aplicação de um coquetel de antioxidantes e anti-inflamatórios, reunidos em uma cápsula que integra as refeições dos voluntários.

Para que esses efeitos sejam recriados com sucesso, no entanto, é preciso seguir as recomendações à risca.

Desde refeições até necessidades fisiológicas, tudo deve ser feito sob a mesma posição, sem se levantar para nada.

Ok, não é para tanto.

É só não se esquecer do experimento e sair levantando da cama ao acordar, ou rotacionar o corpo por completo enquanto deitado.

“A regra do jogo é manter pelo menos um dos ombros em contato com a cama ou maca”, explicou um dos coordenadores do estudo, Arnaud Beck, ao jornal francês 20 minutes.

Os primeiros testes já foram realizados, com dez voluntários que completaram os dois longos meses na posição horizontal com sucesso.

Após duas semanas de reabilitação, eles devem voltar à equipe para realizar acompanhamento médico.

Mas a pergunta que não quer calar é: e você, se interessou?

Este conteúdo foi publicado originalmente no site da Superinteressante.

Últimas Notícias

Ver mais
O que seu cérebro faz quando você está olhando para o 'nada'?
Ciência

O que seu cérebro faz quando você está olhando para o 'nada'?

Há 7 horas

O futuro exponencial começa com elas: por que as mulheres devem liderar
Um conteúdo Esfera

O futuro exponencial começa com elas: por que as mulheres devem liderar

Há uma semana

Presidente do BoE vê mercado de trabalho britânico apertado, mas destaca resiliência do emprego
Economia

Presidente do BoE vê mercado de trabalho britânico apertado, mas destaca resiliência do emprego

Há uma semana

Primeiro ser humano com implante da Neuralink consegue mover mouse com a força do pensamento
Tecnologia

Primeiro ser humano com implante da Neuralink consegue mover mouse com a força do pensamento

Há uma semana

Continua após a publicidade
icon

Branded contents

Ver mais

Conteúdos de marca produzidos pelo time de EXAME Solutions

Exame.com

Acompanhe as últimas notícias e atualizações, aqui na Exame.

Leia mais