Bullying: mudanças de comportamento, isolamento e queda no rendimento escolar podem estar entre os sinais de alerta em crianças e adolescentes (TatyanaGl/Thinkstock/Thinkstock)
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Publicado em 20 de outubro de 2026 às 11h51.
O Dia Mundial de Combate ao Bullying, celebrado nesta terça-feira, 20, chama a atenção para uma forma de violência que pode afetar a saúde mental e a rotina de crianças e adolescentes. Mudanças de comportamento, isolamento e resistência para ir à escola estão entre os sinais que podem indicar que um estudante está sofrendo bullying.
No Brasil, 27,2% dos estudantes de 13 a 17 anos relataram ter sofrido humilhações ou provocações de colegas duas ou mais vezes, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em março deste ano. Em 2019, o percentual era de 23%.
Segundo o Ministério da Saúde, a exposição à violência pode comprometer o desenvolvimento físico, emocional e mental de crianças e adolescentes. Por isso, mudanças persistentes na rotina e no comportamento merecem atenção dos responsáveis.
Nem sempre crianças e adolescentes conseguem relatar situações de violência. Por isso, pais e responsáveis devem observar mudanças comportamentais, emocionais e escolares.
O Ministério da Saúde e o UNICEF apresentam indicadores que podem ajudar a reconhecer situações de violência e sofrimento emocional. Entre os sinais que merecem atenção estão:
Resistência para ir à escola: faltas frequentes, medo de frequentar as aulas ou afastamento das atividades escolares.
O UNICEF também aponta que vítimas de cyberbullying podem apresentar dores de cabeça, desconfortos gastrointestinais e perda de interesse por atividades de que gostavam.
Esses sinais não confirmam, isoladamente, a ocorrência de bullying. Eles podem estar relacionados a outras situações de sofrimento e precisam ser avaliados conforme o contexto.
O bullying é caracterizado por agressões intencionais e repetitivas, praticadas por uma pessoa ou grupo contra outra, em uma relação de desequilíbrio de poder. A definição está prevista na Lei 13.185/2015, que instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática no Brasil.
A legislação classifica o bullying em diferentes modalidades, incluindo agressões verbais, físicas, psicológicas, morais, sociais, materiais e virtuais. Entre as práticas estão insultos, apelidos ofensivos, ameaças, disseminação de boatos, exclusão deliberada e destruição de pertences.Quando as agressões ocorrem por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens e outras tecnologias digitais, são chamadas de cyberbullying. Segundo o UNICEF, a violência digital pode provocar ansiedade, vergonha, isolamento e dificuldades para frequentar a escola.
Os dados da PeNSE 2024 também mostram que a aparência física está entre os principais motivos relatados pelos estudantes que sofreram provocações. Entre eles, 30,2% mencionaram o rosto ou o cabelo, enquanto 24,7% apontaram o corpo.
Ao identificar sinais de bullying ou receber um relato de agressão, a primeira medida é ouvir a criança ou adolescente e levar suas preocupações a sério. O UNICEF orienta os responsáveis a observar o comportamento dos filhos, acolher suas necessidades emocionais e evitar atitudes que desconsiderem seus sentimentos.
Quando as agressões ocorrem na escola, os responsáveis devem comunicar a situação à instituição e buscar medidas de proteção. Também é importante registrar os episódios e preservar possíveis evidências, como mensagens, imagens ou outros documentos.
Nos casos de cyberbullying, o UNICEF destaca que os registros digitais podem ajudar a documentar as agressões e apoiar a denúncia. Quando o estudante apresenta sofrimento emocional persistente ou dificuldades para manter sua rotina, a busca por atendimento profissional pode ajudar a identificar suas necessidades de cuidado.
As instituições de ensino têm responsabilidade na prevenção e no enfrentamento do bullying. A legislação estabelece que os estabelecimentos de ensino devem assegurar medidas de conscientização, prevenção, identificação e combate à intimidação sistemática.
Entre os objetivos previstos estão a capacitação de professores e equipes pedagógicas, a orientação de pais e responsáveis e a assistência às vítimas e aos agressores.
Além disso, a Lei nº 14.811/2024 também estabeleceu medidas de proteção contra a violência em estabelecimentos educacionais e incluiu o bullying e o cyberbullying no Código Penal.
O UNICEF disponibiliza materiais para orientar profissionais da educação na identificação de sinais de violência e sofrimento emocional, além do acolhimento de crianças e adolescentes. Quando houver suspeita de violação de direitos, os responsáveis podem procurar o Conselho Tutelar ou registrar denúncia pelo Disque 100, conforme orientações do UNICEF Brasil.
A prevenção exige ações contínuas de conscientização, acolhimento e acompanhamento das ocorrências para proteger os estudantes e interromper as agressões.