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Depois do Ozempic para emagrecer, nova 'moda' perigosa é tomar antialérgico para aumentar glúteos

Comportamento despertou atenção de autoridades de saúde na Europa

Pílula abortiva foi alvo de batalha judicial intensa nos EUA (SB/Getty Images)

Pílula abortiva foi alvo de batalha judicial intensa nos EUA (SB/Getty Images)

AFP
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Agência de notícias

Publicado em 8 de abril de 2023 às 13h03.

Última atualização em 8 de abril de 2023 às 14h38.

Mulheres que se consideram "muito magras" se gabam nas redes sociais dos benefícios de um anti-histamínico, usado para ganhar peso e aumentar o tamanho dos glúteos, ignorando os riscos para a saúde de ingerir o medicamento. As autodenominadas "skinny" ("magrelas", em inglês) exibem sua descoberta no Instagram, TikTok e YouTube e asseguram que as permite conseguir as tão desejadas "formas", ou seja, glúteos e seios volumosos.

"Eu, que já não comia, agora tenho fome o tempo todo, inclusive como na cama", diz uma delas. "Funciona muito bem, engorda imediatamente", acrescenta.

As imagens feitas antes e depois da ingestão do fármaco, vendido livremente na Europa por menos de 10 euros a caixa, mostram um aumento de peso visível em poucas semanas. Porém, o medicamento tem como principio ativo a ciproeptadina, recomendado para pessoas alérgicas, e não funciona como um suplemento alimentar.

A Sociedade Francesa de Farmacologia e Terapêutica (SEPT) alertou, em um comunicado, no final de março sobre o fenômeno. "A relação 'custo-benefício' da ciproeptadina deveria ser reavaliada com o objetivo de retirar sua autorização de comercialização ou, ao menos, incluí-la em uma lista de prescrição obrigatória", afirmou.

O fármaco é um "medicamento muito antigo, comercializado na França desde os anos 1960", que pode ser substituído por medicamentos muito mais eficazes e que já não necessita de prescrição, explica à AFP o doutor Laurent Chouchana, diretor responsável pela farmacovigilância desse composto e membro da SFPT. Até 1994, o medicamento era usado "para estimular o apetite dos doentes" que perdiam peso. Porém, essa indicação foi retirada devido a um custo-benefício mal avaliado, explica o médico.

Os medicamentos que atuam sobre o peso são vigiados de perto pelo seu possível uso indevido, acrescenta Chouchana, como, por exemplo, o antidiabético Ozempic, que é utilizado para emagrecer.

Sem ir ao médico

Representantes de farmacêuticas contatados pela AFP asseguram que apenas vendem "esporadicamente". Porém, o medicamento está disponível na internet, onde frequentemente pode ser comprado com alimentos que ajudam a ganhar peso, como as sementes de feno grego, segundo os sites consultados pela AFP.

A Agência de Medicamento da França (ANSM) não consegue por enquanto medir "o aumento das vendas", mas analisa a situação, indicou à AFP.

Há um ano, a autoridade advertiu aos profissionais da saúde sobre "um uso inadequado e potencialmente perigoso da ciproeptadina como orexígeno (estimulador de apetite) para induzir o aumento de peso com fins estéticos".

Uma usuária do TikTok recorda que confiou diretamente em outras internautas. "Nem fui ver o meu médico, apenas tentei", conta.

Tomar ciproeptadina oferece riscos para a saúde. O anti-histamínico provoca "sonolência a maior parte do tempo", mas também convulsões, alucinações e "efeitos mais graves como problemas hepáticos, sanguíneos, cardíacos", sobretudo se houver sobredose, como acontece quando as pessoas seguem as quantidades sugeridas nos vídeos da internet, segundo Chouchana.

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