Lamborghini é montado em casa com os destroços de carros

Quando ficou sabendo que poderia comprar os supercarros recuperados por uma pequena fração do preço de mercado para usados, Steinbacher começou a comprar carros destruídos e consertá-los no quintal de casa

Sob o capô traseiro do Lamborghini Huracán de Chris Steinbacher está um motor Chevrolet. Claro, é um twin turbo e, sim, ele transmite uma potência ameaçadora de 900 cavalos para as rodas, mas o pedigree é de Detroit, e não da Itália. E o resto do carro foi basicamente montado em Portland, no Oregon.

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Os puristas do Lamborghini podem cobrir os olhos agora. O Lamborghini abandonado à própria sorte é um dos supercarros salvos por Steinbacher. Ele o comprou – ou melhor, o que restava dele, depois que um incêndio praticamente o queimou ao meio – por US$ 40 mil, e foi entregue em uma empilhadeira. (Um Huracán novo pode chegar a custar quase US$ 300 mil, e o modelo de Steinbacher de 2016 paira nessa mesma estratosfera.) As peças para essa ressurreição custaram cerca de US$ 50 mil, um total com desconto que ele conseguiu com a ajuda de patrocinadores em seu canal do YouTube, B Is for Build, que tem cerca de um milhão e meio de assinantes.

Ferraris inundados e McLarens mutilados podem ser facilmente encontrados em sites de leilão como Copart e Impact Auto Auctions. Segundo Steinbacher, a maioria das pessoas desse setor só trabalha com dinheiro vivo, embora às vezes seja possível conseguir um financiamento. O que acontece depois da entrega dos destroços é muito mais complicado, mas, com mais dinheiro e dedicação, um carro dos sonhos pode estar ao seu alcance.

Há alguns anos, Steinbacher era um engenheiro de software sênior com o desejo de construir carros esportivos exclusivos. "Comecei por volta do início de 2015 sem saber absolutamente nada sobre carros. Em janeiro de 2017, a empresa para a qual eu estava desenvolvendo os softwares fechou, e continuei produzindo meus vídeos para o YouTube em tempo integral", disse sobre seu canal, ressaltando que foi aprendendo com o tempo.

Quando ficou sabendo que poderia comprar os supercarros recuperados por uma pequena fração do preço de mercado para usados, Steinbacher afirmou que ficou "meio fisgado". Começou a comprar carros destruídos e consertá-los no quintal de casa. "Consertar carros quebrados não é fácil, a menos que você saiba como fazer apostas. A parte da caça não é difícil – qualquer um consegue pesquisar no Google por sites de leilão de carros recuperados e encontrar supercarros lá." Na maioria das vezes, porém, o carro precisará ser transportado, e talvez você não consiga vê-lo pessoalmente, muito menos testá-lo.

Chris Steinbacher, à esquerda, e Oscar Orozco trabalhando em seu último projeto de reconstrução de um Lamborghini Huracan.

Chris Steinbacher, à esquerda, e Oscar Orozco trabalhando em seu último projeto de reconstrução de um Lamborghini Huracan. (Will Matsuda/The New York Times)

"Você vê de seis a dez fotos para tentar avaliar a extensão do dano e quanto custará para consertá-lo. Essa é uma habilidade que pode levar anos e muitos erros para contornar. Por fim, liguei uma câmera para monitorar meu progresso e comecei a postar no YouTube", contou ele.

Para vários reformadores de renome, o YouTube é uma fonte essencial de conhecimento, e a receita dos anúncios certamente não prejudica. "Adoro trabalhar com as mãos. Já trabalhei com Tesla, Audi e agora estou com uma BMW i8", disse Rich Benoit, cientista da computação de Boston, que tem o canal Rich Rebuilds. E acrescentou: "Supercarro é uma palavra engraçada. Montei muitos carros de ponta, como Teslas e o Audi RS7s, mas o i8 é meu primeiro 'supercarro', por assim dizer." Todos foram montados na garagem da família. A reforma favorita? A troca de um motor V-8 por um Tesla.

No começo, quando decidiu trocar a mesa de trabalho por painéis, Steinbacher podia não sabia muito sobre carros, mas ele aprende rápido. Perdeu a conta dos veículos depois de mais de 50 reformas, tendo ficado com cerca de 25 deles.

Ele afirmou que seu canal no YouTube o ajudou a financiar seu "vício na reforma de carros", acrescentando que não se importa com mais um dia de trabalho, já que "trabalhar mais horas em um carro significa que ele vai ficar pronto mais depressa e, assim, vou poder partir para outro e fazer mais coisas malucas".

Consertar esses carros pode ser a realização de um sonho com desconto. Se você tiver a habilidade ou os contatos para fazê-lo, eles podem acabar custando muito menos do que seus equivalentes no showroom.

Em Clackamas, no Oregon, Tommy Saenz trabalhou em cerca de 200 supercarros durante seus quase 20 anos à frente da oficina Tommy's Window Tinting. Seus clientes lhe trouxeram alguns veículos Ferrari 488 Spider e Mercedes-Benz SLS AMG, e a joia da coroa, um Corvette 1958 de US$ 2,8 milhões que será lançado neste ano no Sema, o evento da Associação do Mercado de Equipamentos Especializados. "Você provavelmente acabaria comprando o carro dos seus sonhos pela metade do preço. Mas também chegaria à conclusão de que está pegando um carro que foi recuperado ou remontado", observou Saenz.

Para amadores como Benoit e Steinbacher, parte do fascínio é a emoção da caça. A mítica "descoberta do celeiro", isto é, encontrar um clássico empoeirado que só precisa de uma bela limpeza? Isso seria fácil demais.

Todo o esforço na garagem pode valer a pena. Três homens trabalharam no Huracán de Steinbacher durante cinco meses antes de revelar seu Burntacan. O gasto total? Menos de US$ 100 mil. "Foi uma forma criativa de dobrar os cavalos por muito menos da metade do custo de substituição do motor", explicou. O motor LS Chevy V-8, a troca de transmissão, o twin turbo e a carroceria de fibra de carbono customizada completaram seu Lamborghini único.

Até onde Steinbacher sabe, ninguém havia fabricado um Huracán com transmissão manual até então. Muito menos um que parecia ter caído de uma fogueira de camping como um marshmallow chamuscado.

Sua próxima missão será pegar o chassi de um Huracán doado em 2016 e transformá-lo em um veículo off-road para participar da corrida de resistência no deserto Mint 400, "dando a ele um propósito específico", completou Steinbacher.

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