Breaking na Olimpíada: conheça a dança que será a nova modalidade nos Jogos de Paris

No Brasil, a dança ganhou adeptos na década de 1980. Presente em diversas culturas, cada localidade passou a integrar passos de dança regionais no breaking
A B-Girl Itsa durante a competição no Red Bull BC One Last Chance Cypher no teatro Shakespeare em Gdansk, Polônia (Little Shao/Red Bull Content Pool/Divulgação)
A B-Girl Itsa durante a competição no Red Bull BC One Last Chance Cypher no teatro Shakespeare em Gdansk, Polônia (Little Shao/Red Bull Content Pool/Divulgação)
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Julia Storch

Publicado em 29/07/2022 às 13:22.

Última atualização em 29/07/2022 às 13:33.

Ao som de um DJ, dois atletas entram na pista para duelar com seus passos de dança. Este é o Breaking, uma dança criada nos Estados Unidos, que fará sua estreia como esporte olímpico em 2024, nos Jogos de Paris. Originalidade, estilo e movimentos são alguns dos fatores que os jurados levam em consideração para definir o vencedor.

Na década de 1970, o breakdance foi um meio de apaziguar as disputas territoriais de comunidades latina e negra no bairro do Bronx, em Nova York. Através da música, as crews (grupos) passaram a desenvolver passos de dança como um meio de apresentar suas habilidades e disputar com movimentos acrobáticos. As dançarinas mulheres são chamadas de b-girl e os homens, de b-boys.

Dos Estados Unidos, o breaking conquistou o mundo. No Brasil, a dança ganhou adeptos na década de 1980. Presente em diversas culturas, cada localidade passou a integrar passos de dança regionais no breaking. “Quando conheci o grupo Afrobreak, entendi que cabiam todas essas movimentações, como passos de capoeira, caboclinho e samba. Então, eu fui entendendo quanto a gente podia misturar outras referências, mas sem perder a essência”, é o que conta Aline Constantino, b-girl e produtora.

O mesmo acontece com o dançarino Itsa. Em viagens pelo país e pelo mundo com a companhia Cirque du Soleil, ao conversar e ensaiar com pessoas de outras localidades, acaba entendendo mais sobre seus passos e incorporando novas atitudes em sua dança.

“Eu tenho as minhas raízes e minhas histórias. Isso ninguém tira de mim. Mas, as viagens vão me inspirando. Eu fui para o Recife recentemente, e nada mais louco do que você chegar em uma cidade que tem aquela coisa meio arcaica, com um modo de conversar diferente do seu. Eu viajava muito nisso, porque como os recifenses são mais agitados no modo de falar, o corpo deles também é mais arretado. Então isso traz para mim uma corporeidade e uma inspiração diferente”, diz o dançarino mineiro de Belo Horizonte.

Aos 11 anos, Itsa passou a dançar por incentivo do primo, que era seu vizinho. “Tinha um muro que dividia a nossa casa. E aí eu subia na laje e pulava para brincar com ele. Então comecei a dançar com ele e fiquei atormentando para me levar nos treinos. Havia um programa chamado Escola Aberta, que aos finais de semana as escolas públicas abriam para oferecer atividades culturais. Foi assim que eu comecei minha jornada no break batalhando, entrei para uma crew e fui aprimorando o meu break”, comenta.

A dança foi um meio para o jovem de 23 anos entender mais sobre si, e ter a liberdade para ser quem é. Através da comunidade do break, Itsa percebeu que poderia se expressar como se sentia e se assumiu não binário, utilizando o pronome masculino.

O mesmo aconteceu com Constantino, através da dança, passou a entender seu papel no mundo como mulher preta.

“Eu sabia que era uma mulher preta, mas não sabia o impacto que isso gerava na sociedade. Eu sabia que a minha presença não era igual a presença de uma mulher branca. Quando conheci o Afro Break, passei a entender o quanto a nossa cultura é rica”, comenta.

Ainda assim, ela comenta que havia rivalidade entre as mulheres, incitada por homens dançarinos. “Quando comecei em 2006, e isso se prolongou durante o bom tempo, existia uma rivalidade criada pelos b-boys”, diz. A partir disso, diversas b-girls começaram a se movimentar para reverter tais conflitos.

“A ideia era ter uma representante em cada cidade, em cada estado, porque a gente aqui em São Paulo sabia que a gente não conseguiria apoiar uma b-girl de Macapá, por exemplo. Mas, com alguém mais próximo, é possível dar todo suporte. Assim surgiu o B-girls Articulando”, comenta Constantino sobre a rede e grupo de dança.

Aline Constantino na competição Red Bull BC One 2021 Cypher (Tauana Sofia/Red Bull Content Pool/Divulgação)

Atualmente, ambos participam do Red Bull BC One, campeonato de Breaking criado em 2004. Itsa foi campeão nacional do Red Bull BC One 2019 e 2021 na categoria de b-girl e, neste ano, é um dos nomes convidados a competir direto na Final Nacional, sem a necessidade de passar por seletivas regionais.

Além disso, em 2017, Itsa foi convidado para ser parceiro local do Cirque du Soleil, e partiu para a turnê mundial Bazzar para incluir seus passos de dança. A partir de setembro, ele volta para a turnê pós-pandêmica.

Já Constantino foi apresentadora da etapa brasileira da principal competição no ano passado, e ocupa o cargo também na edição deste ano. Ela foi a primeira mulher a apresentar as seletivas do evento em todo o mundo.

De cada seletiva, as chamadas Cyphers, sairão quatro vencedores, dois de cada categoria (feminina e masculina), que passarão à próxima fase: a Final Nacional, que acontece entre hoje (29) e domingo (31), reunirá 16 B-Boys e 16 B-Girls, em São Paulo, e que consagrará um B-Boy e uma B-Girl para representarem o Brasil em Nova York.

Por lá, os finalistas disputarão a Last Chance Cypher, evento do qual participam todos os vencedores das Cyphers regionais do mundo, antes de se classificarem para a grande Final Mundial, dia 12 de novembro.

O Breaking nas Olimpíadas de Paris 2024

Nos Jogos de Paris 2024, a competição de Breaking será dividida entre as categorias feminina e masculina, com 16 B-Girls e 16 B-Boys se enfrentando em batalhas.

Os atletas usarão uma combinação de movimentos de força, enquanto se adaptam e improvisam ao ritmo das músicas.

Os eventos de Breaking acontecerão nos dias 9 e 10 de agosto de 2024.

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