Carreira

“Minha meta é conseguir jogar o Paralímpico e as Olimpíadas em 2024”, diz Bruninha Alexandre

Em entrevista à EXAME, a atleta paralímpica fala direto do Chile sobre os desafios e as expectativas com a carreira no tênis de mesa

Bruninha Alexandre: “Hoje eu consigo jogar de igual para igual” (Divulgação: Marcio Mercante/CBTM)

Bruninha Alexandre: “Hoje eu consigo jogar de igual para igual” (Divulgação: Marcio Mercante/CBTM)

Publicado em 3 de novembro de 2023 às 12h54.

Última atualização em 3 de novembro de 2023 às 15h59.

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“Nunca imaginei ser a primeira atleta paralímpica a disputar os jogos Pan-Americanos, isso é muito difícil. E vejo hoje que a mentalidade com que eu entrei no tênis de mesa fez toda a diferença para eu estar aqui,” diz Bruninha Alexandre, que está competindo neste ano aos Jogos Pan-Americanos no Chile como a primeira atleta paralímpica brasileira.

As dificuldades não assustaram a atleta que tem uma história marcada por desafios. Nascida em Criciúma, SC, Bruninha perdeu o braço direito com 3 meses de vida após uma má aplicação da vacina BCG. “O médico errou o nervo na hora de aplicar a vacina e deu trombose no braço. Tiveram que amputar meu braço direito na hora.”

Esse acidente, no entanto, não impediu Bruninha de fazer um esporte. Um dia, com apenas 7 anos de idade, ela decidiu visitar o irmão Bruno que treinava tênis de mesa, quando o técnico Alexandre Ghizi a chamou para bater uma bola. Foi neste acaso do destino que Bruninha se apaixonou pelo esporte que hoje a faz subir aos pódios em vários cantos do mundo.

Os maiores desafios

Entre muitos campeonatos e medalhas, o maior desafio para a atleta paralímpica chegou aos 16 anos. Ela teve uma grande proposta para sair de Criciúma para morar sozinha em São Paulo. Com a ajuda da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) ela conseguiu um lugar para morar e treinar na capital paulista.

“O presidente da CBTM, Alaor Azevedo, foi quem me ajudou com essa mudança. Ele chegou a ir até em casa falar com a minha família, me ajudou com o aluguel do apartamento e com a Silmara, que é pessoa que ficou comigo, porque eu era de menor. Fiquei muito feliz com a oportunidade, mas foi um grande desafio morar sozinha tão cedo,” diz a atleta.

Foi em São Paulo que Bruninha sentiu uma forte evolução como profissional, porque para ela, o segundo grande desafio foi treinar no Clube de São Caetano que tem muitos atletas experientes, como as irmãs Bruna e Giulia Takahashi, que inclusive conquistaram prata nas duplas do Pan deste ano no Chile.

“É um clube de alto rendimento nos jogos olímpicos, eu não tinha o mesmo nível quando cheguei com 16 anos, mas hoje eu consigo jogar de igual para igual,” afirma Bruninha.

A inspiração e a medalha mais marcante

Com esse treino profissional, Bruninha foi ganhando a confiança para jogar com atletas olímpicos e paralímpicos. “Nunca imaginei que eu pudesse chegar nos Jogos Pan-Americanos, mesmo jogando desde pequena e mesmo depois que eu conheci os Jogos Paralímpicos com 13 anos de idade. Só depois que eu ganhei o campeonato brasileiro em 2021 e 2022 que comecei a sonhar com os jogos Pan-Americanos e com as Olimpíadas.”

Bruninha é a primeira brasileira paralímpica a disputar os Jogos Pan-Americanos no Chile, mas antes de chegar neste campeonato, medalhas e pessoas marcaram sua carreira. Uma atleta, por exemplo, se tornou uma inspiração e agora é a sua adversária. O nome dela é Natalia Partyka, atleta polonesa paralímpica que também joga tênis de mesa.

“Eu sempre me inspirei na Natalia, ela é a primeira jogadora paralímpica e olímpica a disputar os jogos olímpicos e paralímpicos. Ela não tem a mão direita e tem feito história no tênis de mesa. Ela sempre foi minha inspiração e agora é a minha adversária no paralímpico e no olímpico,” diz Bruninha.

Entre as medalhas que mais marcaram sua vida de atleta, está a medalha dos Jogos Paralímpicos em Tóquio, no Japão, em 2020.

“Passei por um momento difícil na carreira. Antes dos jogos Paralímpicos de Tóquio, eu tinha perdido o mundial paralímpico nas quartas de finais em 2018 na Eslovênia, e depois passei por um processo de perda de peso na época da pandemia, em um ano perdi 25 quilos. Apesar desses desafios físicos e psicológicos, eu cheguei muito bem-preparada e sai muito feliz por conseguir um bom resultado na final com a prata.”

Várias metas e um legado

Quando acabar os jogos Panamericano no Chile, Bruninha irá direto para a França jogar um Campeonato Paralímpico Internacional, que será realizado em Paris. Depois irá retornar para o Brasil onde irá disputar o Campeonato Brasileiro Olímpico e Paralímpico em São Paulo.

“O meu sonho é tentar conseguir a vaga para os Jogos Olímpicos, porque para o Paralímpico já estou classificada e será em Paris, ou seja, gostaria muito de jogar os dois jogos em 2024, e é claro, tentar o ouro Paralímpico no próximo ano.”

Os sonhos de Bruninha seguem grandes assim como o legado que ela deixa para todas as pessoas que possuem alguma deficiência.

“Os jogos Pan-Americano significam para mim um grande sonho realizado. Acredito que é um marco não só para a minha carreira, mas acho que fica um legado para todos que são deficientes no Brasil e no mundo, de que todas as pessoas com deficiência conseguem fazer tudo, que somos todos iguais.”

Veja alguma das medalhas conquistadas pela Bruninha:

  • Campeã mundial por equipes em 2017
  • Campeã mundial de duplas em 2022
  • Medalha de bronze individual na Paralimpíada Rio 2016
  • Medalha de bronze por equipes na Paralimpíada Rio 2016
  • Medalha de prata individual na Paralimpíada Tóquio 2020
  • Medalha de bronze por equipes na Paralimpíada Tóquio 2020

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Como e por que empresas precisam apoiar o esporte paralímpico no país?

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