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Unicórnios verdes: Impacto real na vida do planeta

O futuro precisa focar em tecnologias limpas, geração de energia baseada em recursos naturais e medicamentos para proteção da humanidade
 (Luis Alvarez/Getty Images)
(Luis Alvarez/Getty Images)
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BússolaPublicado em 20/06/2022 às 10:41.

Por Hugo Tadeu

Não é de hoje que os investimentos em inovação causam análises controversas. Se por um lado, as empresas de tecnologia crescem, geram lucros recordes e uma base de usuários gigantesca, por outro lado, tem-se um questionamento sobre o real impacto dessas empresas na economia do dia a dia. Basta relembrar o início dos anos 2000, em que a valorização expressiva da bolsa eletrônica de valores Nasdaq gerou uma quebradeira em série das primeiras empresas “ponto.com”, além de uma crise econômica sistêmica.

O ambiente atual não é muito diferente do período da euforia de vinte anos atrás. Hoje, tem-se uma série de fundos de investimentos que aplicam recursos em boas ideias tecnológicas, antes mesmo dessas empresas tornarem-se empreendimentos sólidos, com boa governança e geração de caixa suficiente para a manutenção das suas atividades. Bastou uma mudança na política monetária e o aumento das taxas de juros no mundo, para várias empresas de tecnologia ligarem o seu sinal de alerta e planejarem cortes em seu quadro de pessoal, por exemplo.

Inúmeros dados de fontes confiáveis são evidentes. Tem-se uma concentração dos investimentos em todo mundo nas empresas de tecnologia, em especial, nos Estados Unidos, em que universidades de ponta, empreendedores com fome em fazer algo diferente, fundos de investimentos e empresas de grande porte tem o ambiente favorável para atuarem juntos. Todavia, qual o real impacto destes negócios na economia, ainda mais, em tempos ESG?

Alguns anos atrás, diversas pesquisas foram conduzidas nos Estados Unidos sobre o crescimento da produtividade, destacando as publicações do professor Robert Gordon. O grande questionamento estava em analisar o expressivo investimento em inovação e na qualificação de trabalhadores e não identificar o crescimento da economia. Uma série de análises sugeria que o problema estaria na qualidade dos investimentos em inovação. Se no passado, o foco da inovação estava na geração de soluções para a humanidade através de novos meios de transportes, geração de energia e saúde, atualmente o objetivo está em maximizar o resultado em ativos digitais.

Durante muito tempo, as próprias métricas de avaliação do desempenho econômico foram questionadas. Talvez, seja o momento de questionar a qualidade dos recursos destinados para empresas de tecnologia, em que os principais beneficiados são os seus acionistas, com dúvidas até mesmo sobre o uso dos dados para geração de mais riqueza.

Talvez, seja o tempo em voltar a focar os investimentos naquilo que realmente importa: pensar em um futuro com novas soluções de transportes adotando tecnologias limpas, geração de energia baseada em recursos advindos da própria natureza e novos medicamentos para proteção da humanidade em tempos de tantos riscos à saúde. Dessa forma, o foco poderia ser em unicórnios de tecnologia com real impacto na economia, trazendo mais benefícios para a sociedade e menos para poucos fundos de risco.

*Hugo Tadeu é diretor do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da FDC e senior advisor da Deloitte

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