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Quem é a arquiteta que participa pela 6ª vez da mostra CASACOR assinando galeria de arte

Juliana Cascaes traz para o ambiente suas memórias afetivas, enquanto aponta para o futuro usando materiais modernos e sustentáveis

A arquiteta Juliana Cascaes (mostra CASACOR/Divulgação)

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Publicado em 24 de maio de 2024 às 11h12.

Última atualização em 24 de maio de 2024 às 12h03.

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Com mais de 13 anos de experiência na arquitetura, Juliana Cascaes participou de seis edições da mostra CASACOR, maior mostra de arquitetura, design de interiores e paisagismo da América Latina.

A arquiteta marca presença na 37ª edição do evento, que acontece entre 21 de maio e 28 de julho no Conjunto Nacional, em São Paulo

No espaço criado por Juliana, a Galeria de Arte Martins&Montero, ela utilizou todos os 150m² para colocar à prova um conceito que é o atual foco de muitos arquitetos e designers de interiores: a sustentabilidade. 

“Minha maior projeção foi valorizar a arquitetura local do Conjunto Nacional, idealizado por David Libeskind em 1950 e tombado como patrimônio histórico desde 2005”, conta. O espaço tem a ideia de recriar um loft nova-iorquino.

Partindo dessa ideia, o loft foi concebido com o conceito de uma galeria de arte, imaginando que um colecionador de arte vivesse no espaço.

Sustentabilidade e preservação da história

No espaço, as paredes foram preservadas para contar a história completa do prédio. "Mantivemos os pilares, vigas e o forro originais, promovendo a sustentabilidade e honrando a memória do edifício", explica a arquiteta.  

Piso exclusivo e inteiramente reaproveitável

O piso de madeira de demolição foi desenvolvido pela Casa Volpe, exclusivamente para a Galeria de Arte, utilizando uma técnica japonesa chamada "Shou Sugi Ban", que consiste em queimar a madeira para torná-la mais resistente. 

“Utilizamos essa técnica em todo o piso e, o mais interessante é que podemos reaproveitá-lo completamente após a mostra”, conta Juliana.

Luz em todo o espaço

Para aproveitar a luz natural proveniente do ambiente ao lado, foram incorporados elementos como o brise Colona Etrusco Terracota, produzido 100% em concreto arquitetônico. Este produto, desenvolvido pela Castelatto para o espaço de Juliana, integrará o portfólio da marca. 

“Na iluminação, optamos também por utilizar as lâmpadas de IRC 98, o que realçou as cores das obras de arte e do piso. As luzes direcionáveis foram instaladas de maneira exposta, valorizando cada peça de arte e objeto de decoração”, Juliana conta.

Cimento sustentável e uma viagem a outras eras

As colunas de tijolo inglês da Palimanan, feitas de cimento sustentável e na cor terracota, remetem às antigas colunas gregas, reinterpretadas de forma contemporânea, trazendo um aconchego e harmonia na utilização de tijolinhos. Juliana trouxe essa tendência de tonalidade de suas inúmeras viagens para Milão.

“Também trouxe minha memória afetiva através do trabalho meu avô, Sylvio Sebastiani, que era jornalista político e muito influente na cidade onde morava. A escrivaninha que compõe o ambiente era onde ele escrevia seus artigos e também redigiu três livros”, conta Juliana.

Os móveis foram pensados para ser obras de arte no ambiente. Entre as peças, um sofá da década de 1980, uma mesa lateral com pés em PVC, ferro e tampo de mármore dão o tom lúdico ao lado do banco de Ipê roxo e das cadeiras de palhinha antigas. 

Obras de arte ancestrais

Para trazer ancestralidade ao espaço, Juliana trouxe uma obra de arte mestre Dicinho -  bastante conhecido por sua atuação no tropicalismo e que atualmente atua na pintura, na escultura, na cenografia, no figurino e na performance. 

Uma instalação temporária na cor azul de Lydia Okumura pintada em uma das paredes do espaço, oferece uma experiência visual única se observada de diferentes ângulos.

Uma artista completa

No espaço de Juliana, a mistura de estilos é evidente, combinando elementos industriais, clássicos e contemporâneos. A porta de latão amassado, da Latão e Arte, e as cadeiras clássicas de Maria Tereza Alves com estofado azul, contrastam com uma obra moderna de Lydia, criando uma harmonia eclética e sofisticada.

Todas as diversas obras que compõem o espaço na mostra foram cedidas pelas sócias Jaqueline Martins e Maria Montero, da Martins&Montero – uma galeria de arte contemporânea criada em 2024, a partir da fusão de duas galerias já consolidadas. 

Com sedes em Bruxelas e São Paulo, a galeria possui um portfólio de artistas nacionais e internacionais bastante complementares, cujos trabalhos com abordagens diversas dialogam de maneira profunda e surpreendente.

“Meu projeto busca honrar o passado enquanto aponta para o futuro. Através de uma releitura moderna de elementos tradicionais e sustentáveis, criamos um ambiente que celebra a ancestralidade e a história, deixando um legado para as próximas gerações”, finaliza Juliana.

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