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Pandemia, musicoterapia e tecnologia impulsionam mercado de instrumentos

Estudo mostra que cresceu o tempo que os brasileiros dedicam a atividades musicais e mercado de instrumentos tem boom de pedidos

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Com a pandemia, a interação digital com instrumentos musicais nunca foi tão forte (Getty Images/Getty Images)

Com a pandemia, a interação digital com instrumentos musicais nunca foi tão forte (Getty Images/Getty Images)

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Daniel Neves*

Publicado em 2 de maio de 2021 às, 10h00.

A pandemia impactou o setor de música e cultura de diferentes formas. Por um lado, muitos artistas perderam renda com o cancelamento de eventos presenciais, mas, de outro, há novas tendências em ascensão. De acordo com a Associação Nacional da Indústria da Música (Anafima), o mercado de instrumentos musicais teve um boom de pedidos em carteira em 2020, impulsionado pela pandemia. Pela apuração da entidade, a ocupação do tempo dos brasileiros dedicando-se a alguma atividade musical subiu 15% no período. Já na análise dos números de importação e fabricação, o setor apresentou queda, na comparação de 2019 com 2020, de 27% na importação de produtos. Especialistas do setor acreditam que a diminuição das vendas se deu, principalmente, pela falta de estoque dos importadores e por problemas de abastecimento de matéria-prima, tanto na Ásia (China) quanto no Brasil. 

O Brasil, aliás, vem passando por uma transformação industrial, com novas fábricas e marcas surgindo. Aquele país da década de 80 se transformou e, hoje, o produto brasileiro passou a ter aceitação global, não mais baseado no preço mas pela qualidade. Ainda é pouco explorado, fato, e principalmente compreendido pelo governo como setor que precisa ser observado e apoiado como tantos outros. Isso se refere principalmente em temas como impostos e auxílio da Apex Brasil, e outros órgãos de fomento para promover a exportação de produtos e serviços do Brasil, contribuindo para a internacionalização das nossas empresas e para atrair investimentos estrangeiros para o país.

Mas o que mais tem chamado a atenção em todo o período de pandemia são quatro fatores: o número de pessoas que começaram a tocar recreacionalmente; a atividade musical como musicoterapia, por exemplo, o uso da flauta doce como forma de terapia respiratória e entretenimento para ex-pacientes de Covid-19; o desenvolvimento de fábricas brasileiras, lançando produtos inovadores e com alto potencial para exportação; e o uso da tecnologia para o ensino de música online.

Com a pandemia, como não poderia deixar de ser, a interação digital com instrumentos musicais nunca foi tão forte. Não falo aqui somente das lives musicais. Apenas como um exemplo, o evento anual global Make Music Day, realizado em mais de 120 países, que tem como objetivo mostrar a importância do ato de tocar música, teve no Brasil o maior impacto dentre as nações participantes. Foram realizados 1.623 eventos de música online no dia 21 de junho de 2020, data oficial da celebração anual. Para 2021, os organizadores preveem mais de 2 mil eventos de música online no Make Music Day Brasil, que contará com palco virtual no Brasil e no globo.

Nesta segunda fase do covid-19 no Brasil, 2021 chega com a esperança de que a vacinação permita, no segundo semestre, o início da ressocialização presencial, especialmente com a volta da música nos bares, restaurantes e em pequenos eventos. A esperança para milhares de profissionais da área da cultura está aí. Com isso, os trabalhadores das fábricas de instrumentos musicais e equipamentos de áudio no Brasil, os importadores das marcas internacionais, as escolas de música... Com a volta das atividades sociais e presenciais, todo o sistema volta a circular e a girar um setor tão importante para a economia nacional. É, de fato, a nossa esperança.

*Daniel Neves, presidente da Associação Nacional da Indústria da Música

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