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Nunca se falou tanto sobre pautas sociais como o combate ao racismo, ao machismo e à LGBTfobia. A reação de setores que veem exagero em tais pautas é um sintoma com diferentes interpretações. Por um lado, evidencia o gigante desafio de conscientização, educação e desconstrução de preconceitos que ainda temos a enfrentar. Por outro, de alguma forma sinaliza que o propósito tem sido alcançado, a ponto de o debate sobre as exclusões que estão profundamente conectadas à estrutura social incomodar quem se beneficia de tal sistema.

E o fato é que precisamos continuar falando dessas agendas. Apesar de um aparente arrefecimento do tema no mercado corporativo, a população negra ainda é vítima preferencial da violência, mulheres ainda recebem menos que homens em mesmas funções, pessoas com deficiência são estigmatizadas, identidades de gênero e orientações sexuais são desrespeitadas e violentadas.

Nesta semana, o mundo do esporte assistiu uma das principais estrelas do futebol chorar em uma coletiva enquanto explicava para uma sala repleta de jornalistas brancos como é conviver com ofensas racistas enquanto faz seu trabalho e convive com autoridades omissas. Numa triste coincidência, há quase um ano escrevia nesta coluna que a sociedade é racista e sou parte do problema”, motivado pelas mesmas ofensas racistas proferidas contra Vinicius Jr – um exemplo de como essa estrutura esmaga suas vítimas de forma contínua, colocando-as numa situação de luta contínua e sem fim.

Por isso, uso novamente o espaço para repetir: vivemos em uma sociedade global racista. Mais que isso, fazemos parte de uma sociedade racista. Somos estruturalmente racistas. Somos individualmente racistas, sempre que não agimos consciente e ativamente para combater tais estruturas. A esse ponto, já deveria estar evidente: nós brancos somos parte do problema. De forma ativa, como os covardes agressores que entoam cantos racistas; por conivência, como quem relativiza crimes em nome da liberdade de expressão; ou por omissão, quando nos calamos diante das injustiças ou nos beneficiamos de estruturas que segregam e oferecem oportunidades distribuídas de forma desigual.

No tema do empoderamento feminino, o cenário é semelhante. Continua necessário tratar do tema. Há avanços, mas lentos e insuficientes. Por isso, quero repetir que levei algum tempo até perceber que ao ser educado em uma sociedade machista seria preciso intenção, educação e esforço para me livrar de tais estruturas. Estava naquele grupo que aponta a sociedade como predominantemente preconceituosa, mas não se vê como parte do problema. Graças à repercussão da luta feminista e de outros grupos minorizados, tive contato com conceitos e conteúdos que abriram o entendimento para perceber que estruturas de poder se espalham por vários aspectos da vida e impactam a todos. Ninguém passa imune por uma sociedade doente.

Convivemos com estruturas excludentes em sua própria formatação e temos a responsabilidade de reconhecer esse fato e agir contínua e incansavelmente para transformá-lo.

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