ESG sobre trilhos

Para presidente da Rumo, previsão do Brasil de dobrar participação do modal ferroviário na matriz de transporte abre caminho para agenda mais sustentável

O título deste artigo pode soar clichê, mas é justificável diante do que acontece agora com a atuação da sociedade em relação à agenda socioambiental, impondo mudanças estruturais para melhor.

Nesse contexto, a relação do modal ferroviário com os preceitos ESG (ambiental, social e de governança, na sigla em inglês) salta aos olhos, ainda mais se levarmos em conta a disposição expressa pelo Ministério da Infraestrutura em seu Plano Nacional de Logística (PNL) de dobrar a participação das ferrovias na matriz de transporte brasileira dos atuais 15% para 30%, nos próximos 10 anos.

Da “porteira para dentro”, nosso país segue sendo imbatível: não existe fazenda no mundo que supere a eficiência e a produtividade de uma propriedade rural de ponta brasileira. Para o transporte dessa produção, porém, ficamos atrás de outras nações com portes territoriais semelhantes.

Os exemplos mais emblemáticos são a Rússia, com o share das ferrovias na matriz de transporte de 81%, e os Estados Unidos, onde os trens respondem por 43% das cargas movimentadas. Hoje, 65% da movimentação de cargas no Brasil é feita em rodovias.

Para expressar o quão vantajoso será o avanço previsto no PNL do ponto de vista ambiental, basta lembrar que um trem emite 15 gramas de gás carbônico por tonelada útil transportada (gCO2eq./TKU), enquanto um  caminhão emite 100 gCO2eq./TKU.

Um trem com 100 vagões é capaz de substituir até 357 caminhões. Basta fazer as contas para entender o que o reequilíbrio pretendido na matriz de transporte representa em termos de redução nas emissões de gases de efeito estufa na atmosfera.

O ESG roda bem sobre trilhos. A Rumo possui diferentes compromissos com esta agenda, tais como segurança, diversidade, redução de emissões, responsabilidade social, gestão da cadeia de fornecedores, fomento ao desenvolvimento do país e parcerias com clientes em prol do plantio sustentável.

Não se trata apenas de obter determinados índices para agradar ao mercado, mas da convicção de que esta é a forma correta de gerenciar um negócio e a única maneira de preservá-lo no longo prazo. Questões socioambientais e de governança precisam estar inseridas no processo decisório da empresa.

Com a assinatura do contrato de renovação antecipada da Malha Paulista, em maio deste ano, a Rumo assumiu o compromisso de investir R$ 6  bilhões nesta concessão. Os investimentos em obras, trilhos, vagões e locomotivas injetarão recursos privados na ampliação da capacidade de transporte, atenderão 72 municípios e deverão gerar mais de 130 mil empregos diretos e indiretos.

Assim, a concessão vai aumentar a capacidade de transporte e minimizar conflitos entre ferrovia e zonas urbanas. Ao todo, cerca de 5 milhões de pessoas serão beneficiadas com mais segurança viária.

Acreditamos fortemente que a ferrovia possui um papel de indutor de crescimento e qualificação das economias por onde passa, e teremos um bom exemplo disso no primeiro semestre de 2021. É quando começaremos a operar a Malha Central (tramos central e sul da Ferrovia Norte-Sul), que atravessa Tocantins e Goiás até se unir à Malha Paulista, que a conecta ao Porto de Santos (SP).

No E de environment, assumimos no início deste ano o compromisso de reduzir em 15% as emissões específicas de gases de efeito estufa por nossas locomotivas até 2025. Desde 2015, a Rumo já reduziu em 26% o número de emissões específicas (equivalente a 750 mil toneladas de CO2).

Além disso, em 8 de julho, tornou-se a primeira ferrovia de cargas na América Latina a emitir um green bond. Trata-se de uma emissão no valor de US$ 500 milhões, com vencimento em 2028, que serão destinados a "green projects" elegíveis para tornar o modal ferroviário mais limpo e eficiente.

Essa operação foi certificada pela Climate Bonds Initiative (CBI), organização internacional que trabalha na mobilização do mercado de títulos para soluções de mudanças climáticas. O principal requisito da CBI é a emissão de menos de 21 gramas de CO2 por tonelada e quilômetro transportado. Atualmente, as operações da Rumo apresentam valores médios de 15,8 gramas de CO2 por tonelada e quilômetro transportado.

Ainda há muitos avanços a serem conquistados, mas tenho a convicção de que todo o setor ferroviário brasileiro está consciente de seu papel para o desenvolvimento da nossa infraesturura para aumentar a competitividade do país com uma logística cada vez mais sustentável.  Sobre trilhos e sem clichês.

* João Alberto Abreu é presidente da Rumo Logística

 

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