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Danilo Maeda: Riscos e impactos sociais em foco

O principal destaque da última reunião de Davos foi a emergência de riscos complexos, urgentes e interconectados

Erosão da coesão social e da polarização é o risco que cresce rapidamente (Phil Ashley/Thinkstock)

Erosão da coesão social e da polarização é o risco que cresce rapidamente (Phil Ashley/Thinkstock)

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Danilo Maeda*

24 de janeiro de 2023, 19h53

Semana passada, trouxe alguns destaques da 18ª Pesquisa Global de Percepção de Riscos, do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês). Nesta edição, o levantamento produzido anualmente ouviu mais de 1,2 mil especialistas e líderes globais sobre suas percepções em relação aos principais riscos para sociedades, governos e empresas e teve como principal destaque a emergência de riscos mais complexos, urgentes e interconectados.

Contudo, o documento é muito rico e merece mais alguns comentários. Nos últimos anos, temos visto uma predominância de temas socioambientais nas listas de principais riscos mapeados pela pesquisa. Contudo, especialmente no curto prazo, aspectos econômicos e sociais — que afetam diretamente a vida material das pessoas — também se mostraram relevantes.

“As consequências econômicas da covid-19 e da guerra na Ucrânia provocaram uma inflação vertiginosa, uma rápida normalização das políticas monetárias e iniciaram uma era de baixo crescimento e baixo investimento”. Com esta análise, o WEF sintetizou as percepções que trouxeram o tema “custo de vida” para o primeiro lugar na lista de riscos mapeados para o curto prazo (dois anos).

Em um ambiente com quebra de confiança entre grandes potências, aspectos econômicos passam a fazer parte do jogo político internacional. As chamadas guerras econômicas deverão ser mais comuns nos próximos anos, com políticas econômicas sendo usadas defensivamente, para buscar autossuficiência, e ofensivamente para restringir a ascensão de rivais. Segundo o WEF, essa tendência “destacará as vulnerabilidades de segurança impostas pela interdependência comercial, financeira e tecnológica entre economias globalmente integradas, gerando risco de um ciclo crescente de desconfiança e dissociação [isolamento econômico]”.

Além disso, nos últimos anos, um dos riscos que tâm crescido mais rapidamente em relevância é denominado “Erosão da coesão social e polarização”. Essa potencial crise tem relação com perda de capital social e rompimento de comunidades, que levam ao declínio da estabilidade social, bem-estar individual e coletivo e da produtividade econômica. Ela é uma das mais conectadas com outros temas, como crises de dívida e instabilidade do estado, crises de custo de vida e inflação, desaceleração econômica prolongada e migração climática.

Como visto também no ano passado, o componente social tem trazido preocupações com o crescimento das desigualdades e com a questão da justiça climática. Desta vez, tais vieses foram complementados com avaliações sobre o potencial da tecnologia agravar tal cenário. “A pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias emergentes continuarão em ritmo acelerado na próxima década, gerando avanços em IA, computação quântica e biotecnologia, entre outras tecnologias. Para os países que podem pagar, essas tecnologias fornecerão soluções parciais para uma série de crises emergentes, desde o enfrentamento de novas ameaças à saúde e uma crise na capacidade de assistência médica até o aumento da segurança alimentar e a mitigação do clima. Para aqueles que não podem, a desigualdade e a divergência crescerão”, diz o WEF.

Sobre crises humanitárias

Como já tratamos neste espaço e é válido lembrar, em sociedades que convivem com o flagelo da fome, não é possível existir desenvolvimento — tampouco sustentabilidade.

*Danilo Maeda é head da Beon, consultoria de ESG do Grupo FSB

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