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Semana passada, iniciamos aqui uma série de artigos sobre o Guia de Estratégia Adaptativa da Fundação Ellen MacArthur. O material  explica como o uso do design de forma estratégica permite que organizações cumpram metas de economia circular. Hoje, trataremos com mais detalhes dos três primeiros capítulos do Guia: 1. Observar e interpretar o sistema; 2. Imaginar futuros circulares; 3. Criar as condições para a colaboração.

Em nosso trabalho de consultoria em estratégias de sustentabilidade temos uma premissa fundamental, que chamamos de “pensamento sistêmico”. Trata-se da inclusão, nas estratégias organizacionais, do entendimento de que todas atividades humanas geram externalidades  econômicas, ambientais e sociais com potencial de afetar o futuro da organização, bem como do meio ambiente e sociedades em que estão inseridas.

Esse alinhamento entre estratégia de negócios e contexto organizacional, social e ambiental é também o primeiro passo para estratégias circulares, segundo a Fundação: “quando as organizações entendem os sistemas dos quais fazem parte – tanto as próprias dinâmicas internas quanto as de sua indústria ou região –, tornam-se mais aptas a agir de forma sistêmica e estratégica”. E isso inclui abraçar a complexidade. “Ao observar sistemas relacionados à economia circular, elementos comuns incluem atores, atividades, eventos, recursos, informações, políticas, incentivos e os fluxos e relações entre eles – todos os quais precisam ser analisados dentro do contexto geral”, recomenda.

A interpretação do sistema também deve considerar o mapeamento do fluxo de materiais em uma cidade, cadeia de valor ou indústria, que pode indicar onde os recursos são perdidos ou destinados incorretamente. Isso permite uma atuação mais direcionada junto a atores-chave para planos de melhoria. O processo para esse mapeamento é uma pergunta feita a partir de determinado material, produto ou serviço: o que acontece a seguir e por quê? A partir desse processo, será possível delimitar as fronteiras do sistema e mapear os seus fluxos internos considerando diferentes perspectivas.

Saber de onde partimos é apenas o primeiro passo. Para avançar de forma estruturada, é preciso propor uma visão de futuro circular e regenerativo desde o design. Nesta etapa, a proposta é convidar as pessoas a imaginar como determinado aspecto da economia circular pode se desenvolver. “O processo imaginativo acelera a descoberta de oportunidades que um futuro circular apresenta, e ajuda as pessoas a pensar de forma criativa sobre o papel que podem desempenhar no caminho para chegar lá”, recomenda o guia.

Há um provérbio africano que diz “se você quer ir rápido, vá sozinho. Se quer ir longe, vá em grupo”. Na terceira etapa deste processo, o objetivo é estabelecer conexões e parcerias para implementar soluções circulares. A Fundação explica que “o motivo para a colaboração ser extremamente necessária é que as pessoas ou organizações que promovem inovações de economia circular de forma isolada podem acabar presas nos estágios finais da cadeia de valor, lidando com sintomas da economia linear que parecem inevitáveis”.

Quanto mais para o início da cadeia de valor o trabalho caminhar, maior a necessidade de colaboração para desenvolvimento de novas soluções. “Trabalhar no cenário pré-competitivo e junto a outras organizações pode ajudar a superar barreiras sistêmicas, remover aprisionamentos e aumentar a ambição de forma geral”, preconiza o Guia, também em linha com nossa metodologia para estratégias de sustentabilidade, que na etapa de desenvolvimento setorial trata da construção de alianças para endereçar desafios estruturais.

No próximo artigo da série, falaremos das demais etapas para desenvolvimento de soluções circulares: 4. Desenvolver habilidades em design circular, 5. Reformular as normas e 6. Desenvolver ferramentas para projetar e avaliar.

*Danilo Maeda é head da Beon, consultoria de ESG do Grupo FSB

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