A saída de profissionais pode representar a perda de conhecimentos acumulados durante anos, tornando a aprendizagem contínua estratégica para as empresas (Demissões e cultura/Shutterstock)
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Publicado em 21 de outubro de 2026 às 15h00.
A saída de profissionais pode levar embora conhecimento institucional acumulado durante anos, além de gerar custos de substituição, afirma Vinicius Arakaki, cofundador e diretor da Edusense, plataforma de aprendizagem focada em gestão de carreira. Segundo pesquisa do LinkedIn, 49% dos profissionais consideram o aprendizado contínuo essencial para lidar com mudanças no trabalho.
Por Vinicius Arakaki, cofundador e diretor da Edusense*
Quando uma pessoa deixa uma empresa, normalmente a primeira preocupação está relacionada ao impacto mais visível, como a posição que ficará aberta, o tempo necessário para encontrar um substituto e os custos envolvidos em uma nova contratação.
Mas existe uma perda menos perceptível e, muitas vezes, muito mais valiosa, que é o conhecimento que vai embora junto com aquele profissional.
Toda pessoa que passa anos dentro de uma organização acumula um patrimônio invisível.
São processos que aprendeu a executar, decisões que sabe tomar, atalhos construídos pela experiência, relacionamentos desenvolvidos e uma compreensão profunda de como as coisas realmente funcionam no dia a dia.
Esse conhecimento raramente está escrito em manuais, ele vive apenas nas pessoas. Quando um profissional deixa a empresa, saem também histórias, aprendizados e contextos que levaram anos para ser construídos.
O problema é que muitas organizações ainda enxergam desenvolvimento de pessoas como um benefício ou uma iniciativa de engajamento, quando na prática, ele precisa ser tratado como uma estratégia de preservação de patrimônio.
Um estudo recente da Gartner, empresa global de pesquisa e consultoria, revela que a perda de conhecimento institucional está entre os principais riscos associados à saída de profissionais experientes, especialmente em um cenário de alta rotatividade e transformação acelerada dos negócios.
A dificuldade não é apenas substituir o colaborador, mas recuperar todo o conhecimento acumulado por ele.
Esse desafio ganha ainda mais relevância em um mercado em que as mudanças acontecem em uma velocidade cada vez maior, com tecnologias surgindo, modelos de negócio sendo transformados e novas competências passando a ser exigidas rapidamente.
Nesse cenário, empresas que não conseguem aprender continuamente acabam dependendo sempre de novas contratações para evoluir.
Mas contratar novos talentos não resolve tudo, uma organização pode trazer excelentes profissionais, mas eles também precisarão reconstruir conhecimentos que já existiam internamente.
Por isso, o futuro das empresas estará cada vez mais ligado à capacidade de transformar conhecimento individual em inteligência coletiva.
Isso significa criar ambientes em que as pessoas tenham espaço para compartilhar experiências, registrar aprendizados, ensinar colegas e construir uma cultura de aprendizagem contínua.
A pesquisa “Workplace Learning Report 2025”, realizada pelo LinkedIn, mostrou que 49% dos profissionais afirmam que o aprendizado contínuo é essencial para lidar com mudanças no trabalho, enquanto empresas continuam buscando formas de desenvolver competências internas diante da escassez de talentos.
Isso revela uma mudança importante, em que aprender deixou de ser uma etapa da carreira e passou a ser parte da própria estratégia de sobrevivência das organizações.
Investir no desenvolvimento dos colaboradores também é uma forma de reduzir um dos maiores custos invisíveis das empresas, que é o esquecimento.
Cada profissional treinado, cada experiência compartilhada e cada conhecimento documentado aumenta a capacidade da organização de evoluir independentemente de quem esteja ocupando determinada função.
A mobilidade profissional faz parte de qualquer mercado saudável, o ponto é garantir que quando alguém seguir um novo caminho, a organização não perca tudo aquilo que foi construído durante sua jornada.
As empresas costumam medir seus ativos em equipamentos, tecnologia, marcas e dados, mas a capacidade de aprender é um ativo fundamental que nem sempre aparece nos balanços.
No futuro, as organizações mais competitivas serão aquelas capazes de transformar conhecimento em um patrimônio coletivo, porque pessoas podem sair, mas o aprendizado que elas deixam precisa permanecer.
*Vinicius Arakaki é cofundador e diretor da Edusense, mestre em Tecnologias da Inteligência e Design Digital pela PUC-SP e empreendedor no setor de EdTech desde 2007, início de sua trajetória ao fundar sua primeira empresa focada em e-learning. Além disso, fundou a Edusense em 2018.
Além dos custos de substituição, a empresa pode perder conhecimento acumulado sobre processos, decisões, relacionamentos e funcionamento do negócio. Segundo Vinicius Arakaki, cofundador e diretor da Edusense, esse patrimônio invisível pode levar anos para ser reconstruído.
Porque grande parte do conhecimento institucional não está registrada em manuais e depende da experiência acumulada pelos profissionais. Segundo Vinicius Arakaki, contratar novos talentos não garante a recuperação dos conhecimentos que já existiam dentro da empresa.
As empresas podem estimular o compartilhamento de experiências, o registro de aprendizados e a troca de conhecimentos entre colegas. Para Vinicius Arakaki, criar uma cultura de aprendizagem contínua permite transformar conhecimento individual em inteligência coletiva.
Segundo estudo da Gartner, empresa global de pesquisa e consultoria, a perda de conhecimento institucional está entre os principais riscos associados à saída de profissionais experientes, especialmente em cenários de alta rotatividade e transformação acelerada dos negócios.
Segundo a pesquisa Workplace Learning Report 2025, realizada pelo LinkedIn e citada no artigo, 49% dos profissionais afirmam que o aprendizado contínuo é essencial para lidar com mudanças no trabalho. O levantamento aparece no contexto da busca das empresas por desenvolvimento de competências internas diante da escassez de talentos.
Segundo Vinicius Arakaki, o desenvolvimento de pessoas ajuda a preservar conhecimentos, reduzir o esquecimento organizacional e fortalecer a capacidade de adaptação das empresas. Experiências compartilhadas e conhecimentos documentados permitem que o aprendizado permaneça mesmo após a saída de funcionários.