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Como a gestão de pessoas pode impedir o quiet quitting

Novo termo da cultura de trabalho fala sobre excesso de atividades e a importância de um ambiente de trabalho humanizado e equilibrado

Quiet quitting é o termo financeiro mais comentado no mercado de trabalho (foto/Thinkstock)

Quiet quitting é o termo financeiro mais comentado no mercado de trabalho (foto/Thinkstock)

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Publicado em 26 de novembro de 2022, 20h30.

Por Bússola

Atualmente, um dos assuntos mais falados no mundo do trabalho é a prática do quiet quitting ou, como traduzido para o português, desistência silenciosa. A expressão diz respeito ao comportamento de colaboradores que não fazem mais que suas obrigações combinadas contratualmente, criando limites próprios, fazendo de forma bem-feita suas tarefas, mas sem deixar que o trabalho tome uma proporção maior do que deveria.

Para Carine Roos, CEO e fundadora da Newa, empresa de consultoria em diversidade, inclusão e saúde emocional, há uma reflexão de priorização e de equilíbrio no quiet quitting, pois os colaboradores adeptos a esse movimento entendem que o trabalho é um meio para gerar felicidade, mas que não é o único. “Geralmente, as pessoas que aderem a esse movimento estão em busca de mais qualidade de vida, de um trabalho que tenha significado, impacto e propósito. É uma mudança que entendo até como comportamental, de uma nova geração que tem valores diferentes das outras”, diz a executiva.

Só no TikTok, rede social na qual o termo surgiu e ganhou popularidade, a hashtag #quietquitting já tem mais de 28 milhões de publicações, com os relatos de diversos colaboradores de empresas ao redor do mundo. A tendência gerou debates nas redes sobre a importância da imposição de limites entre a vida social e a profissional, e como algumas práticas, tidas como comuns, podem sobrecarregar colaboradores. A gestão de pessoas é fundamental para estabelecer limites e deixar o ambiente de trabalho como um lugar prazeroso e que auxilie no desenvolvimento do colaborador.

"É natural que se imponha limites na vida profissional, de modo que ela não interfira na vida pessoal, prezando por um equilíbrio importante. Mas é necessário que haja uma comunicação entre a liderança e os colaboradores para que o ambiente de trabalho seja um espaço aberto para ouvir as necessidades da equipe, pois o quiet quitting pode gerar um certo desconforto entre empregadores e funcionários”, explica Távira Magalhães, CHRO da Sólides, empresa de RH líder na gestão de pessoas em PMEs.

A gestão de pessoas de uma empresa têm um papel fundamental na hora de delimitar bem os horários dos colaboradores e o que é vida pessoal e profissional. Além disso, é preciso escutar aqueles que se sentem sobrecarregados e entender o que os leva a praticar o “quiet quitting”.

Para Mariana Achutti, CEO e fundadora da Sputnik, uma das maiores escolas corporativas do Brasil, com esses acordos bem estabelecidos, fica viável mensurar “se” e “como” as entregas de todos estão acontecendo. "É muito importante ter esse desenho assertivo da atuação de cada pessoa, é preciso ter uma clareza sobre até que ponto cada funcionário vai entregar. Está entregando menos do que o combinado? Um feedback assertivo resolve. Mas isso precisa partir de acordos estruturados, como um PDI (plano de desenvolvimento individual), para monitorar o desempenho de cada pessoa com precisão e tranquilidade. Um ambiente de trabalho inflexível não vai ter pessoas felizes e entregando o seu máximo", afirma.


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