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Bússola Vozes: a importância do voto jovem para uma jovem democracia 

Para a vice-presidente da ONG Elas No Poder, o Brasil testemunha uma crescente conscientização entre os jovens sobre o poder transformador do voto

Confira o artigo de Juliana Barros, vice-presidente da ONG Elas no Poder (RafaPress/Getty Images)

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Publicado em 29 de abril de 2024 às 15h00.

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Juliana Barros*

Em um país onde a democracia ainda é uma jovem de 39 anos, cada voto e participação política consciente importam. A Constituição de 1988, marco da redemocratização do Brasil, instituiu o voto como um direito universal e fundamental. Mas para que essa garantia seja efetiva, é necessário que exista um papel individual no processo democrático

Ao tratarmos sobre essa individualidade, é importante, também, que se olhe para os indivíduos que não tem como obrigação o dever do voto. Dentre esse grupo, estão os jovens de 16 e 17 anos que, ao demonstrarem seu engajamento nestas eleições (2024), nos mostram que estamos caminhando em direção a um futuro mais participativo, inclusivo e de fortalecimento democrático. 

O último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022, indicou que, dentre os 5,7 milhões de jovens brasileiros que estão nessa faixa etária, 1,3 milhão estão aptos a votar

Entre janeiro e março de 2024, foram mais de 480 mil jovens que solicitaram o título de eleitor, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O aumento é significativo comparado às eleições municipais de 2020, onde no mesmo período somava em torno de 46 mil solicitações. 

E o que isso nos mostra?

Primeiramente, parte dos jovens estão expressando o desejo de participar ativamente do processo democrático, reconhecendo o poder do voto como uma ferramenta para moldar o curso dos acontecimentos. 

E, segundo, que a democracia se faz com participação da sociedade civil e, em muitos países, os jovens têm desempenhado um papel fundamental nas eleições, na construção e garantia de direitos sociais. 

Mas, nem tudo são flores, apesar desse progresso, ainda enfrentamos obstáculos significativos. Uma enquete do UNICEF e da organização da sociedade civil Viração Educomunicação revela que uma parcela substancial de jovens permanece à margem do processo eleitoral, motivada por uma variedade de razões, desde desinteresse até a falta de representatividade por parte dos candidatos. 

Para exemplificar, em média 25% dos adolescentes que participaram da consulta mencionada, o desinteresse pela política institucional é o principal motivo pelo qual tantos jovens ainda não tiraram o título de eleitor. Por isso é tão essencial campanhas de conscientização e investimento em educação, para que seja possível a compreensão da força e importância de exercer a cidadania, não somente pensando em benefícios individuais, mas coletivos. E essa temática deve ser aprofundada em outro momento. 

O voto jovem e o fortalecimento democrático pela participação política de meninas e mulheres 

Mais de um quarto dos legisladores em todo o mundo são mulheres, segundo a União Interparlamentar, UIP. É preocupante notar que 75% dos assentos nos parlamentos continuam sendo ocupados por homens. O progresso nesse sentido é tão lento que, mesmo com um aumento de 0,6% no número de legisladoras em 2020, estima-se que levará meio século para alcançarmos a paridade de gênero nesses espaços. 

E não temos como falar sobre o fortalecimento da democracia sem falar sobre a importância de ter mais mulheres, principalmente de grupos minorizados, nestes espaços de poder e de decisão. 

Um estudo de 2022 da Organização Não Governamental (ONG) Girl Up Brasil revelou um dado significativo: a maioria esmagadora dos adolescentes aptos a votar é do gênero feminino. Essa tendência reflete não apenas a participação ativa das jovens na vida política, mas também destaca o potencial impacto que elas podem ter nas eleições municipais de 2024. 

E o envolvimento dessas jovens na política não apenas fortalece a democracia, mas também pode contribuir para que mais mulheres sejam eleitas. Ao apoiar candidaturas femininas que garantam os direitos das mulheres, existe a possibilidade de promover uma maior representatividade de gênero e raça na política. As jovens têm um papel vital na construção de uma sociedade mais igualitária, diversa e inclusiva. 

 

E para que possamos refletir: o voto jovem não é apenas um direito, mas também um caminho de transformação. Ao participar ativamente do processo eleitoral, os jovens estão moldando o presente e o futuro do Brasil, garantindo que as vozes, que muitas vezes são abafadas, sejam ecoadas e representadas. Neste ano de 2024, mais do que nunca, é fundamental que os jovens exerçam seu poder nas urnas e se tornem agentes de mudança em nossa democracia ainda em construção. 

*Juliana Barros é comunicadora e vice-presidente da ONG Elas no Poder.

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