Acompanhe:

Votação do PSOL contra governo no arcabouço fiscal coloca em xeque apoio do PT a Boulos em 2024

A federação PSOL e Rede fechou questão contra a proposta do governo. A postura irritou petistas que já questionam aliança para disputa à prefeitura de São Paulo

Modo escuro

Continua após a publicidade
O presidente estadual do PT em São Paulo, Kiko Celeguim, lembrou que Boulos vinha se apresentando com um político conciliador e que poderia atrair votos de centro (Pablo Valadares/Câmara dos Deputados/Agência Câmara)

O presidente estadual do PT em São Paulo, Kiko Celeguim, lembrou que Boulos vinha se apresentando com um político conciliador e que poderia atrair votos de centro (Pablo Valadares/Câmara dos Deputados/Agência Câmara)

A decisão do PSOL de fechar voto contrário a urgência do arcabouço fiscal na Câmara dos Deputados, na última quarta-feira, azedou a relação entre o partido e o PT e pode colocar em risco os planos de uma parceria com Guilherme Boulos (PSOL-SP) para as eleições de 2024.

A federação que une PSOL e Rede apresentou 12 votos contrários e nenhum favorável à tramitação acelerada do novo regime fiscal, proposta legislativa mais importante do governo Lula até aqui. Lideranças do PT afirmam que o impacto sobre o acordo para apoiarem Boulos à prefeitura de São Paulo pode ser definitivo se a legenda insistir no voto contra o arcabouço fiscal também no mérito.

O presidente estadual do PT em São Paulo, Kiko Celeguim, lembrou que Boulos vinha se apresentando com um político conciliador e que poderia atrair votos de centro.

— A atuação no Congresso não está diretamente atrelada a acordos eleitorais, mas acho que, se o Boulos votar contra a proposta do regime fiscal sustentável, ele perde uma oportunidade de se apresentar como uma liderança que dialoga ao centro. Quem participa do governo tem todo direito de discordar e discutir as matérias enviadas, mas na hora do voto acho desnecessário fechar questão. Podiam pelo menos liberar os deputados para votar como acham melhor — disse Kiko.

Guilherme Boulos vem crescendo entre o eleitorado paulistano e se apresenta hoje como nome mais popular da esquerda para a disputa municipal.

Nas últimas duas corridas eleitorais para o comando da capital paulista, o PT se enfraqueceu. Em 2016, o hoje ministro da Fazenda, Fernando Haddad, terminou a disputa com 16% dos votos e perdeu no primeiro turno para o ex-tucano João Doria.

Já em 2020, o candidato do PT era Jilmar Tatto, que acabou em sexto lugar, com 8,65% dos votos. Boulos foi ao segundo turno com o então prefeito Bruno Covas.

Gestos nacionais

Caso Boulos se concretize como candidato à prefeitura de São Paulo em 2024, deve disputar o posto com o atual prefeito, Ricardo Nunes (MDB-SP).

Diante do mal-estar em Brasília, um petista ainda lembrou que na mesma semana em que o atual prefeito da capital paulista fez um gesto de apoio à reforma tributária, Boulos votou contra a urgência do principal projeto do governo até agora.

O presidente do PSOL, Juliano Medeiros, minimizou os impactos políticos da votação na Câmara dos Deputados para o cenário paulistano.

— Não acredito que uma votação seja suficiente para comprometer eventuais alianças em 2024. Ninguém vai votar sempre junto, isso faz parte da dinâmica do Parlamento. A bancada do PSOL gostaria de ter mais tempo para discutir propostas ao texto. As mudanças feitas pelo relator pioraram a proposta do governo, por isso votamos contra a urgência, porque queríamos ter a oportunidade de apontar aquilo que nos parecia problemático — afirmou.

Respingos no governo

Apesar de ter irritado petistas, o posicionamento do PSOL não surpreendeu integrantes da equipe econômica que, sob reserva, afirmam que a legenda “não tem vocação para governar nem conciliar”.

O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) pontua que se manifestar contra a urgência não muda o alinhamento do partido ao presidente Lula:

— Nunca estabelecemos essa relação de subordinação acrítica. Nem vinculamos nossos mandatos de legisladores a cargos ou liberação de emendas. O governo levou 3 meses e meio para elaborar o "arcabouço", porque a Câmara tem que decidir com essa urgência um projeto que o relator deu a conhecer há dois dias? Apresentamos emendas que estão rigorosamente afinadas com o programa de Lula. Ao apoiá-lo em maio de 2022, apresentamos um programa de 12 pontos que inspiram essas emendas e nos fazem questionar esse "ajuste", esse novo teto de gastos

Créditos

Últimas Notícias

Ver mais
TSE multa Haddad por impulsionar busca usando nome de adversário na campanha de 2022
Brasil

TSE multa Haddad por impulsionar busca usando nome de adversário na campanha de 2022

Há 2 dias

Pacheco se opõe a Lira e diz ser contra PEC que proíbe operações no Congresso
Brasil

Pacheco se opõe a Lira e diz ser contra PEC que proíbe operações no Congresso

Há 3 dias

Governo deve editar nova MP da reoneração e só depois fará projeto de lei
Economia

Governo deve editar nova MP da reoneração e só depois fará projeto de lei

Há uma semana

Sob pressão do Congresso, governo recua e decide cumprir calendário de emendas vetado por Lula
Brasil

Sob pressão do Congresso, governo recua e decide cumprir calendário de emendas vetado por Lula

Há uma semana

Continua após a publicidade
icon

Branded contents

Ver mais

Conteúdos de marca produzidos pelo time de EXAME Solutions

Exame.com

Acompanhe as últimas notícias e atualizações, aqui na Exame.

Leia mais