Congresso Nacional, em Brasília (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 14 de outubro de 2026 às 21h50.
O Senado aprovou nesta quarta-feira, 14, em primeiro turno e por 75 votos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1 e reduz a jornada máxima de trabalho no país das atuais 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário.
A proposta ainda precisa ser aprovada em segundo turno pelo Senado, que será realizada ainda nesta quarta-feira porque o governo Lula conseguiu reunir apoio para aprovar um calendário especial de tramitação, que dispensou o intervalo regimental obrigatório entre as duas votações.
O quórum da sessão foi de 78 senadores. Por se tratar de uma mudança na Constituição, eram necessários ao menos 49 votos favoráveis, equivalentes a três quintos dos 81 senadores. Faltaram à sessão os senadores Rogério Marinho (PL-RN), Márcio Bittar (PL-AC) e Ciro Nogueira (PP-PI).
"À primeira vista, pode parecer uma mudança sutil. Mas, para quem acorda cedo, pega ônibus lotado, cumpre sua jornada e volta para casa no fim do dia, essa mudança é gigante. Um dia a mais de descanso é mais tempo para a família, para acompanhar a vida dos filhos, para visitar os pais, para estar presente", disse o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) ao abrir a discussão da sessão que votaria o tema nesta quarta-feira.
A PEC 221/2019 foi apresentada originalmente pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). Na Câmara, teve como relator o deputado Leo Prates (Republicanos-BA) e, no Senado, Omar Aziz (PSD-AM).
Como foi aprovada sem mudanças em relação à versão da PEC aprovada pela Câmara dos Deputados, a emenda à Constituição poderá ser promulgada pelo Congresso, sem necessidade de sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A PEC estabelece uma transição em duas etapas. Dois meses após a publicação da emenda, a jornada máxima cairá de 44 para 42 horas semanais, e os trabalhadores passarão a ter direito a dois dias de repouso remunerado por semana.
Doze meses depois, a jornada máxima será novamente reduzida, desta vez para 40 horas semanais. O texto determina que as mudanças sejam feitas sem redução dos salários e prevê que um dos dias de descanso seja, preferencialmente, aos domingos.
Aprovada pela Câmara em maio, a PEC ficou com sua tramitação no Senado parada por meses, até que, em um acordo com o governo, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) enviou a matéria para a Comissão de Constituição e Justiça, no mês passado. A CCJ aprovou, de forma simbólica, o parecer do senador Omar Aziz (PSD-AM) à proposta em setembro. O relator manteve o texto aprovado pelos deputados e rejeitou as emendas apresentadas durante a tramitação.
Em seu discurso nesta quarta-feira, Aziz afirmou que o Congresso precisará discutir a regulamentação da redução de jornada para categorias profissionais que têm escalas diferentes da 6x1, como pilotos de aviação, trabalhadores que atuam em plataformas em alto mar, entre outros.
A aprovação ocorre a 11 dias do segundo turno da eleição presidencial, disputado por Lula e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O governo encampou a pauta como um dos temas da reta final da campanha.
Flávio Bolsonaro, que anteriormente defendia uma PEC alternativa, proposta por Rogério Marinho (PL-RN) que permite o aumento da jornada de trabalho e o pagamento por hora trabalhada, também votou favoravelmente ao texto do governo. Marinho não registrou presença na sessõ desta quarta-feira.
Flávio havia anunciado na véspera que votaria a favor da PEC, embora já tenha sinalizado que, se eleito, deve trabalhar pela aprovação do texto alternativo no Congresso ainda em 2027.
O líder do governo Lula no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP) criticou a proposta de Rogério Marinho. "A PEC 12, na prática, derroga a PEC do fim da escala 6x1. É uma estratégia covarde", afirmou em discurso durante a discussão da matéria. Rodrigues desafiou