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Um novo laboratório, aberto em Natal nesta terça, 5, quer acelerar a criação do novo combustível para aviões no Brasil. O SAF (combustível sustentável de aviação, na sigla em inglês), é muito procurado pelas empresas aéreas, mas sua produção ainda é  incipiente. 

Chamado H2CA (Laboratório de Hidrogênio e Combustíveis Avançados), o espaço terá uma unidade de produção de SAF.  “É uma planta piloto com maturidade industrial, que possibilita passarmos da escala de produção experimental que tínhamos até então para uma escala maior, piloto, permitindo o desenvolvimento de testes e de novos produtos em condições reais de operação industrial”, diz Fabiola Correia, coordenadora do projeto. 

A expectativa é que, até outubro ou novembro, o laboratório produza uma amostra de SAF que será enviada para certificação na Agência Nacional do Petróleo (ANP). Após essa certificação, o produto poderá ser comercializado para as empresas.

A perspectiva inicial do laboratório é aumentar a produção atual de 200 ml de SAF para até 5 litros do dia. O local preparará um petróleo sintético chamado Syncrude, que pode dar origem ao SAF, mas também a outros combustíveis. O material será gerado a partir da glicerina, um resíduo da produção de biodiesel hoje vendida a baixo custo. Esse processo também dá origem ao hidrogênio, outro combustível muito estudado como opção para ser usado nos transportes.

O laboratório foi criado por meio de uma parceria que envolve Senai-RN, Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), Ministério de Minas e Energia e a Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável, que investiu 1,4 milhão de euros no projeto.

SAF tem enorme demanda e pouca produção

As companhias aéreas têm grande interesse em comprar SAF, mas a oferta do produto no mercado ainda é muito baixa: em 2022, representou só 0,1% do total usado pela aviação comercial. A expectativa é que o novo combustível chegue a 2% do mercado até 2025, o que demandaria 8 bilhões de litros por ano.

Diversas empresas colocaram metas para aumentar o uso de SAF ainda nesta década, mas dependem do avanço da oferta. Como ele ainda é escasso, pode custar até cinco vezes mais do que o querosene, opção dominante na aviação civil, mas que gera grande quantidade de poluentes.  

O setor aéreo adotou metas de descarbonização até 2050, e precisará reduzir em muito o uso de querosene para cumpri-las. Estimativas da Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata) apontam que seria preciso um fornecimento de mais de 400 bilhões de litros anuais até a metade do século. 

Com o produto em falta, algumas empresas fazem testes com uso parcial de SAF, misturado ao querosene. O novo produto está sendo produzido para ser usado pelos motores de aviões atuais, sem a necessidade de adaptações. 

Segundo a Iata, há em torno de cem projetos de fabricação do SAF em 30 países, mas a maioria  nos EUA e na Europa. O Brasil e a América Latina podem se beneficiar desta nova onda por terem grande disponibilidade de biomassa, usada para gerar SAF. 

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