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Rio de Janeiro: 35 ônibus queimados e um alvo de tiros impactam transporte na região

Episódios foram consequência da morte do miliciano Faustão, sucessor de Zinho, no início da semana

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Rio de Janeiro (RJ), 24/10/2023 – Carcaça de ônibus incendiado na Avenida Brasil, em Santa Cruz, zona oeste da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Rio de Janeiro (RJ), 24/10/2023 – Carcaça de ônibus incendiado na Avenida Brasil, em Santa Cruz, zona oeste da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Além dos 35 ônibus que viraram cinzas com os ataques da última segunda-feira, após a morte do miliciano Faustão, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, um coletivo da linha 804 (Campo Grande—Largo do Aarão), que está fora dessa conta, também não escapou da violência: ele foi alvejado com tiros e o veículo também precisou sair de operação.

Em uma região da cidade que já convive com precarização do transporte, que inclui a competição com as vans e uma sequência de empresas que fecharam as portas nos últimos anos, a baixa repentina na frota deve seguir impactando as pessoas por ao menos seis meses, já que é esse o prazo mínimo calculado pelo RioÔnibus para reposição da frota.

Segundo a entidade, algumas linhas ainda não estão entrando em comunidades, fazendo seus pontos finais excepcionalmente no centro dos bairros ou próximo a cabines da Polícia Militar, risco de novos ataques.

A previsão é de normalização dessa situação nos próximos dias. Com 21 ônibus carbonizados da frota municipal, o cálculo do RioÔnibus é de um prejuízo na casa dos R$ 30 milhões, contanto não apenas o preço de cada veículo, mas também os sistemas de bilhetagem, GPS e a diminuição da demanda momentânea.

Os incêndios, que se concentraram em ruas de sete bairros — Paciência, Cosmos, Santa Cruz, Inhoaíba, Campo Grande, Guaratiba e Recreio dos Bandeirantes — afetou principalmente os passageiros do Consórcio Santa Cruz, que perdeu 19 ônibus de sua frota. As linhas atingidas foram:

897 (Paciência—Pingo D’Água), que teve cinco ônibus incendiados;

756 (Santa Cruz—Coelho Neto) e 868 (Campo Grande—Urucânia), que perderam dois de seus veículos, cada;

397 (Campo Grande—Candelária);

759 (Cesarão—Coelho Neto);

804 (Campo Grande—Largo do Aarão);

848 (Campo Grande—Monte Santo);

852 (Campo Grande—Pedra de Guaratiba);

867 (Campo Grande—Barra de Guaratiba);

871 (Cesarão—Pingo D'Água);

884 (Campo Grande—Sepetiba);

SP854 (Campo Grande—Mato Alto);

2309 (Urucânia—Carioca);

2802 (São Fernando—Jardim Oceânico).

No Consórcio Transcarioca, que atende o entorno da Barra e Recreio, além de Jacarepaguá, foram perdidos dois ônibus. Um fazia a linha 553/Integrada 8 (Recreio—Rio Sul) e outro a 954 (Recreio—Taquara).

Para Paulo Valente, porta-voz do RioÔnibus, esses episódios de destruição são uma “coisa totalmente absurda” e atrapalham o processo de renovação da frota, que vinha em andamento, segundo ele, após a assinatura do acordo judicial com a prefeitura em 2022, que estabeleceu o pagamento de subsídios ao setor.

— Não paralisa a renovação, mas andamos dez passos para trás. É um investimento totalmente perdido. Até que as empresas consigam crédito, vai demorar ao menos seis meses para repor (a frota) — observa Valente, que pontua que não há seguro que cubra esses veículos. — Ninguém faz o seguro para ônibus numa cidade em que volta e meia estão queimando um.

Dados da RioÔnibus são de 3600 ônibus em operação na cidade, com 1080 coletivos novos ou seminovos, em uma renovação de 2022 para cá. Alguns dos veículos perdidos tinham “um mês de uso”, segundo o porta-voz da entidade.

Histórico de crise

Desde a divisão da cidade em quatro consórcios, em 2010, foi o Santa Cruz — que atua no bairro homônimo, mas ainda nas regiões de Bangu, Campo Grande e Realengo — o mais afetado com empresas fechadas, percentualmente: da sua formação original, com oito viações, apenas quatro ainda estão em atividade (perda de 50%), sendo três delas em recuperação judicial: Pégaso, Campo Grande e Palmares.

— O Consórcio Santa Cruz é o mais afetado pela concorrência do transporte clandestino, que fez com que várias empresas encerrassem suas atividades ao longo dos últimos anos — pontua Paulo Valente.

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Atualmente, com o acréscimo duas consorciadas, o Consórcio Santa Cruz é composto por seis empresas, todas com ônibus queimados na segunda-feira: Auto Viação Jabour (9), Transportes Campo Grande (3), Auto Viação Palmares (2), Expresso Recreio (2), Transportes Barra (2) e Expresso Pégaso (1). No Transcarioca, das 11 integrantes, apenas a Transportes Futuro e a Viação Redentor tiveram baixas, uma em cada.

O pedido do empresariado agora é por uma readequação da quantidade de viagens determinada pro dia em cada linha, avaliando o remanejamento de veículos pela frota. De acordo com a Secretaria municipal de Transportes, é semanalmente feita uma reunião com os representantes dos consórcios e o próximo encontro tratará justamente do “consequente impacto na frota” causado pelos ataques desta semana.

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Quem depende do BRT também foi impactado. Além da paralisação do corredor Transoeste na segunda-feira, o dia seguinte teve intervalos irregulares no início da manhã. Já nas estações, os impactos se estenderão pelos próximos dias: a Santa Veridiana, que recebe 400 passageiros, em média, diariamente, permanecerá fechada até o fim da próxima semana, depois de ter sido incendiada. Vendas de Varanda, Cesarão III e 31 de Outubro, que somam 1.200 passageiros por dia, por sua vez, não foram queimadas, mas sofreram tentativas.

Relembre o caso

O miliciano Matheus da Silva Rezende, conhecido como Faustão ou Teteus, foi morto na última segunda-feira em confronto com agentes da Polícia Civil, em operação que contou com a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), Polinter e unidades especializadas. Moradores relatam que, durante a incursão, na região de Três Pontes, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, teve intenso tiroteio.

Além dos ônibus queimados, quatro caminhões e alguns automóveis também foram atacados. As aulas nas escolas municipais chegaram a ser suspensas e universidades suspenderam as atividades presenciais.

Naquela ocasião, o Rio chegou a entrar em estágio de atenção, terceiro em uma escala de cinco, que significa que uma ou mais ocorrências já impactam o município, afetando a rotina de parte da população. Crianças que foram a um passeio de escola só voltaram para casa depois de receberem escolta da polícia, por exemplo

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