O que está acontecendo no Acre? Enchentes fazem nível da água subir em mais de 17 metros

O estado do Acre declarou emergência de saúde pública na última sexta-feira, 1º. Com excesso de chuvas, o Rio Acre tem causado enchentes, deixando ruas e casas submersas

Está longe de ser a primeira vez, entretanto, que o Acre sofre em enchentes (STRINGER/AFP Photo)
Está longe de ser a primeira vez, entretanto, que o Acre sofre em enchentes (STRINGER/AFP Photo)
Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 3 de março de 2024 às 15h55.

Desde 21 de fevereiro, o estado do Acre vive uma situação de caos. Com excesso de chuvas, o rio que circunda o estado tem causado enchentes nos municípios do estado, deixando ruas e casas submersas. Na última sexta-feira, 1º, o governo do Acre declarou emergência em saúde pública. Ao menos 11 mil pessoas estão desabrigadas.

Está longe de ser a primeira vez, entretanto, que o Acre sofre em enchentes — comuns nas épocas de chuvas, nas cheias dos rios. Neste ano, entretanto, elas estão causando maiores estragos, com máximas históricas que vem engolindo casas e lojas aos poucos. Na capital Rio Branco, o nível do Rio Acre chegou a atingir 17,52 metros neste sábado, 2, e entrou para história como a quinta maior marca. O recorde foi registrado no ano de 2015, quando chegou a 18,35 metros.

Na tarde do último sábado, 2, o Rio Acre começou a apresentar oscilações, baixando, aos poucos, o nível da água. "“Nós não temos estabilidade, nem temos retração. Nós temos oscilação. Então, assim, percebemos que até 9 horas ficou na mesma marca, depois aumentou, depois retraiu um pouquinho. Então, é apenas retração," avaliou o coronel Cláudio Falcão, coordenador da Defesa Civil Municipal de Rio Branco.

Fora da capital, outros municípios estão mergulhados. O trecho do Rio Acre que passa em Brasiléia, cidade acreana na fronteira com a Bolívia, chegou a um nível recorde e inundou 80% do município. O bairro está localizado na periferia da cidade e tem cerca de 1,1 mil moradores, segundo a Assistência Social do município. Um comunicado da prefeitura diz que o "transbordamento do rio atingiu níveis críticos, alcançando mais de 15 metros e impossibilitando o acesso terrestre à cidade através da ponte metálica José Augusto, única via de ligação com outras regiões do Brasil". 

O governador Gladson Cameli, anunciou neste sábado, 2, que os ministros da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, devem visitar as áreas atingidas na próxima segunda-feira, 4.

Municípios afetados

Além da capital, Rio Branco, as cheias atingem outros 19 municípios do Acre, com maiores níveis da água em e Assis Brasil, Brasiléia, Epitaciolândia e Xapuri. O 19º Boletim do Sistema de Alerta Hidrológico do Rio Acre, realizado e divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), declarou que o Rio Acre deve atingir, em média, 17,80 metros neste domingo. 

Já o boletim deste domingo, 3, informa que "o Rio Acre continua acima da cota de transbordo e na manhã deste domingo, 3 de março, chegou a 17,63 metros, na capital". A nota diz ainda que "com base nos dados de ocorrências disponibilizado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC) nas 13 cidades mais críticas, há 83 abrigos públicos atendendo 9.049 pessoas desabrigadas. Além disso, há 15.826 pessoas desalojadas, ou seja, que foram para casa de familiares ou amigos".

Emergência de saúde pública

O decreto estabelecendo a emergência em saúde pública foi publicado na sexta-feira, 1º, e vale por 180 dias. Nesse período, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) terá maior flexibilidade para direcionar recursos com o objetivo de atender demandas de saúde pública. A pasta também fica autorizada a tomar decisões que viabilizem a execução de medidas administrativas consideradas urgentes.

As enchentes podem trazer diversos riscos sanitários. Entre os perigos estão as infecções, como a leptospirose e a dengue. Além disso, a dificuldade de acesso a água e comida pode trazer impactos para a saúde. Da mesma forma, a interrupção de tratamentos nas unidades Básica de Saúde das regiões afetadas gera preocupações adicionais. A longo prazo, os entulhos e destroços gerados aumentam o risco de acidentes com animais peçonhentos, como escorpiões, aranhas e cobras.

"Em todo o Acre, dois números telefônicos garantem contato direto dos atingidos pela enchente com as autoridades estaduais. São 190, da Polícia Militar, e o 193, do Corpo de Bombeiros", orienta o Governo do Estado. "Por meio dos canais controlados pelo Centro integrado de Comando e Controle Estadual (Cicce), a população pode fazer registros de ocorrência e solicitar atendimentos de urgência e emergência. Há um efetivo empenhado (Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e secretarias de Estado) para atender as famílias necessitadas".

Veja os números por cidade:

Os dados são do Corpo de Bombeiro do Acre, divulgados pela agência do governo do estado.

Rio Branco

  • Pessoas desabrigadas: 1.830
  • Pessoas desalojadas: 1.436
  • Nº de bairros atingidos: 43
  • Abrigos: 13

Plácido de Castro (sem atualização)

  • Pessoas desabrigadas: 232
  • Pessoas desalojadas: 1.500
  • Nº de bairros atingidos: 13
  • Abrigos: 2

Xapuri (sem atualização)

  • Pessoas desabrigadas: 210
  • Pessoas desalojadas: 563
  • Nº de bairros atingidos: 7
  • Abrigos: 7

Tarauacá

  • Pessoas desabrigadas: 486
  • Pessoas desalojadas: 2.500
  • Nº de bairros atingidos: 5
  • Abrigos: 5

Assis Brasil (sem atualização)

  • Pessoas desabrigadas: 340
  • Pessoas desalojadas: 125
  • Nº de bairros atingidos: 4
  • Abrigos: 4

Jordão (sem atualização)

  • Pessoas desabrigadas: 1.706
  • Pessoas desalojadas: 2.061
  • Nº de bairros atingidos: 4
  • Abrigos: 7

Sena Madureira

  • Pessoas desabrigadas: 370
  • Pessoas desalojadas: 164
  • Nº de bairros atingidos: 12
  • Abrigos: 5

Epitaciolândia (sem atualização)

  • Pessoas desabrigadas: 1.754
  • Pessoas desalojadas: 2.150
  • Nº de bairros atingidos: 6
  • Abrigos: 11

Santa Rosa do Purus (sem atualização)

  • Pessoas desabrigadas: 521
  • Pessoas desalojadas: 960
  • Nº de bairros atingidos: 2
  • Abrigos: 6

Brasileia (sem atualização)

  • Pessoas desabrigadas: 1.276
  • Pessoas desalojadas: 2.220
  • Nº de bairros atingidos: 12
  • Abrigos: 16

Marechal Thaumaturgo (sem atualização)

  • Pessoas desabrigadas: 192
  • Pessoas desalojadas: 2.110
  • Nº de bairros atingidos: 3
  • Comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas atingidas: 119
  • Abrigos: 5

Manuel Urbano

  • Pessoas desabrigadas: 80
  • Pessoas desalojadas: 16
  • Nº de bairros atingidos: 2
  • Abrigos: 1

Feijó

  • Pessoas desabrigadas: 52
  • Pessoas desalojadas: 21
  • Nº de bairros atingidos: 4
  • Abrigos: 1
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