Mais vacinas: estados começam novas etapas de vacinação em idosos nesta sexta-feira

Chegada de novas doses de Coronavac e AstraZeneca nesta semana aliviou estoque dos estados. Algumas cidades já estavam com vacinação paralisada por falta de imunizantes

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Uma série de estados avança nesta sexta-feira, 26, no calendário de vacinação para os grupos prioritários. No momento, a maior parte das campanhas está ainda focada em profissionais de saúde e idosos acima dos 85 anos, e diversas cidades tiveram de paralisar a vacinação neste mês diante da falta de doses.

Agora, a ampliação da vacinação acontece em meio à chegada de nova leva de doses. Foram distribuídas nesta semana pelo Ministério da Saúde 2 milhões de doses da vacina de de AstraZeneca/Oxford importadas prontas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e 1,2 milhão da Coronavac feitas pelo Instituto Butantan.

Um dos principais estados observados nesta sexta-feira é o Amazonas, que começa a distribuir hoje aos municípios as doses da vacina que recebeu com atraso, após o carregamento ter sido enviado por engano ao Amapá pelo Ministério da Saúde. O Amazonas recebeu nesta quinta-feira, 25, as 120.000 doses corretas.

No estado de São Paulo, que tem o maior número de idosos a serem vacinados, o governo anuncia hoje o cronograma para inclusão de novas faixas etárias na campanha de vacinação. Por ora, a vacinação acontece para os paulistas acima de 85 anos, mas o governo já anunciou que o grupo entre 80 e 84 anos começará a ser vacinado em 1º de março.

Na cidade do Rio de Janeiro, uma das que chegaram a interromper a vacinação neste mês, a aplicação foi retomada ontem, com foco nos grupos entre 80 e 82 anos. A vacinação desse grupo foi possibilitada pela chegada de 105.000 doses da vacina. Nesta sexta-feira, será a vez dos idosos com 81 anos. A Secretaria de Saúde disse que aguarda a chegada de mais doses para divulgar o cronograma de março.

Dentre as capitais, também retomaram a vacinação após receberem novas doses cidades como Salvador, na Bahia, Natal, no Rio Grande do Norte e São Luís, no Maranhão (todas para idosos acima de 82 anos). Fortaleza, no Ceará, começa hoje a vacinar idosos a partir de 75 anos, uma das menores faixas etárias do Brasil até agora. Os idosos em todo o estado da Paraíba entre 80 e 89 anos também começam a ser vacinados hoje, assim como os moradores de Goiânia com mais de 80 anos.

No Sul, que vive também seu pior momento da pandemia e que paralisou vacinações, o fim de semana também tem retomada das aplicações nas grandes cidades. Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, começa a vacinar idosos com 82 anos hoje, e outras cidades do estado já receberam novas remessas de doses nas últimas horas. Nesta quinta-feira, o Rio Grande do Sul acionou a fase mais restrita de seu plano de contingência em meio à situação de colapso na saúde.

Curitiba, no Paraná, também volta a vacinar hoje idosos a partir de 85 anos. Já Florianópolis, em Santa Catarina, com a vacinação paralisada desde sexta-feira, 19, por falta de doses, ainda não divulgou um novo calendário, o que deve acontecer nos próximos dias com a chegada de mais doses a Santa Catarina.

O Brasil tem até o momento 6,4 milhões de vacinados com ao menos a primeira dose, segundo as informações do consórcio de imprensa apuradas junto aos estados. É o equivalente a quase 3% da população brasileira. Dentre os que receberam já as duas doses (1,7 milhões de pessoas), o total é de 0,8% da população.

O Brasil aplicou quase 4 doses a cada 100 habitantes, ainda muito atrás de países como EUA (21 doses) e Reino Unido (29 doses)

Brasil espera 200 milhões de doses

Nesse ritmo, o Brasil levaria mais de dois anos para vacinar toda a população. No entanto, a expectativa é que a vacinação seja acelerada nos próximos meses com a produção nacional de vacinas e a chegada de mais insumos. A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, disse esperar que toda a população brasileira seja vacinada ainda neste ano.

Pelos acordos fechados até agora, o Brasil pode ter mais de 200 milhões de doses até o fim de agosto, o suficiente para imunizar metade dos brasileiros com as duas doses.

Abril é o prazo para que o Butantan entregue 46 milhões de doses da Coronavac, produzidas no Brasil com insumo (o chamado IFA) importado da China. Ao todo, até agosto, o contrato do Ministério da Saúde com o Butantan prevê a entrega de 100 milhões de doses. Em dezembro, o Butantan poderá ainda produzir 100% da vacina nacionalmente.

Já a Fiocruz deve começar a entregar as doses feitas no Brasil também em março com IFA importado, com a expectativa de entregar 42 milhões de doses até abril e, ao todo, 100 milhões até julho. A expectativa é começar produzir o IFA internamente em dois meses, com as primeiras vacinas disponíveis a partir de agosto.

Enquanto isso, o instituto negociou a importação de dois lotes de duas milhões de doses -- já distribuídos --, e deve ter outras 8 milhões de doses também entregues até abril. Nos próximos meses, podem ainda chegar novas doses de Sputnik V e Covaxin, além das 10,7 milhões de doses que a aliança Covax enviará ao Brasil no primeiro semestre.

Pior momento da pandemia

O Brasil completou nesta semana um ano desde que o primeiro caso do novo coronavírus foi registrado. Era uma terça-feira de Carnaval, em 25 de fevereiro de 2020, quando os médicos do hospital Albert Einstein confirmaram que um paciente que voltara da Itália estava oficialmente infectado com a covid-19.

Um ano depois, a efeméride fatídica vem junto a uma triste marca: também nesta quinta-feira, 25, o Brasil registrou o maior número de novas mortes por covid-19 em um único dia desde o começo da pandemia. Foram 1.582 mortes registradas no boletim de ontem, segundo o consórcio de imprensa. Um dia antes, na quarta-feira, 24, o país chegou também à marca de 250.000 mortos.

O Brasil está oficialmente em seu pior momento da pandemia. A média móvel de mortes é de 1.150 óbitos por dia, alta de 8% em relação às últimas duas semanas. São mais de 50.000 casos por dia, alta de mais de 15% ante 14 dias atrás.

Segundo o último boletim do Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz, em apenas 10 dos 27 estados e Distrito Federal observa-se tendência de queda ou estabilidade em todas as macrorregiões de saúde de cada estado. Em todos os demais, ao menos uma das regiões do estado apresenta tendência de crescimento moderado ou alto em número de casos.

Mesmo a estabilidade, na atual situação do Brasil, é ruim, pois significa a estabilização em um patamar muito alto. O Brasil precisará, com urgência, garantir medidas para que o número de casos -- e por consequência, de complicações -- caia em todo o país. Enquanto a vacina não chega com maior abrangência, essa é uma tarefa crucial que caberá ao governo federal, governadores e prefeitos.

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