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Após adiamento da viagem no mês passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca finalmente para a China. A viagem é a terceira missão internacional desde que Lula tomou posse, em 1º de janeiro — neste mandato, o presidente brasileiro já viajou para Argentina e Uruguai e para os Estados Unidos.

Xi Jinping e Lula

Xi Jinping e Lula: encontro na sexta-feira, 14 (Kevin Frayer/Getty Images/Ricardo Stucker/Flickr)

A comitiva brasileira embarcou na manhã desta terça-feira, 11, e deve chegar à China na quarta-feira, 12, após escalas. Na agenda oficial, estão previstos encontros com empresários e autoridades locais, além de uma ida à sede do "banco dos Brics" em Xangai, onde a ex-presidente Dilma Rousseff assumiu como presidente. Por fim, o ponto alto da viagem é uma reunião com o presidente chinês, Xi Jinping.

De acordo com o Itamaraty, a expectativa é de que 20 acordos bilaterais entre os países sejam assinados na viagem. A comitiva de Lula inclui alguns dos principais ministros e os presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco.

A China é a maior parceira comercial do Brasil desde 2009, quando superou os Estados Unidos, com volume de mais de US$ 150 bilhões comercializados.

Lula e Alckmin: embarque para China ocorreu na manhã desta terça-feira, 11 (Ricardo Stuckert/Planalto/Divulgação)

Como presidente do Brasil em mandatos anteriores (de 2002 a 2006 e de 2007 a 2010), Lula realizou duas outras visitas de Estado à China, em 2004 e 2009. Na ocasião, o mandatário era ainda o ex-presidente Hu Jintao, antecessor de Xi Jinping. Em 2008, Lula também foi à China para a abertura das Olimpíadas de Pequim, mas a ocasião não é considerada uma visita específica de Estado, como explicou o Itamaraty.

Ida ao banco dos Brics e encontro com empresários: o que está na agenda de Lula na China

Lula chega à China na quarta-feira, a agenda oficial da visita começa na quinta-feira, 13, segundo informou o Itamaraty.

Lula começa a agenda por Xangai, onde visita o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o chamado "banco dos Brics". O banco foi criado em 2014 como instituição financeira de fomento ao desenvolvimento, tendo liderança do bloco de países formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, os "Brics". A ex-presidente Dilma Rousseff assumiu neste mês como presidente do banco, por indicação do governo brasileiro.

Lula participa pela manhã na quinta-feira da cerimônia de posse de Dilma. Inicialmente, a cerimônia deveria ter ocorrido em março, mas foi adiada para incluir a presença de Lula e da comitiva brasileira. Dilma já está morando em Xangai e iniciou os trabalhos no comando da instituição.

À tarde, o Itamaraty informou que Lula terá encontro com empresários em Xangai, e depois retorna para Pequim, a capital chinesa.

Na sexta-feira, 14, estão os principais compromissos governamentais. Lula tem agenda pela manhã com o presidente da Assembleia Popular Nacional, Zhao Leji e irá depositar flores em uma cerimônia na Praça da Paz Celestial. Na sequência, Lula se encontra com lideranças sindicais.

Ainda na sexta-feira, Lula se reúne com o premiê chinês, Li Qiang, e depois com o presidente Xi Jinping, em cerimônia oficial.

Segundo o Itamaraty, a reunião de Lula com Xi Jinping terá uma cerimônia aberta para assinatura de acordos, e depois, um encontro bilateral fechado.

Na sequência, haverá ainda uma cerimônia de troca de presentes e fotos, seguida por um jantar oficial.

Quais ministros estão na comitiva de Lula à China

Na China, o presidente Lula viajará acompanhado por uma delegação de ministros e governadores. Os presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, também irão ambos à viagem. Dentre os ministros de Lula, a comitiva inclui:

  • Fernando Haddad (Fazenda);
  • Marina Silva (Meio Ambiente);
  • Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária);
  • Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário);
  • Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação);
  • Mauro Vieira (Relações Exteriores);
  • Alexandre Silveira (Minas e Energia);
  • Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social).

Estarão presentes também os governadores:

  • Jerônimo Rodrigues, da Bahia;
  • Elmano de Freitas, do Ceará;
  • Carlos Brandão, do Maranhão;
  • Helder Barbalho, do Pará;
  • Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte.

Quais acordos Brasil e China vão fechar

A previsão é de que Brasil e China fechem cerca de 20 acordos comerciais na viagem desta semana.

Um dos acordos, segundo o Itamaraty, será para a construção do CBERS-6, o sexto de uma linha de satélites construídos em parceria entre Brasil e China. O novo modelo permite o monitoramento de biomas como a Floresta Amazônica mesmo com nuvens.

"Tratativas importantes que há muitos anos a gente sonhava devem se concretizar com a presença do presidente Lula na China", disse o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, em nota oficial do governo. Fávaro esteve na China em março, embora a viagem do restante da comitiva tenha sido cancelada em virtude de um quadro de pneumonia de Lula. Na ocasião, o Brasil obteve a liberação da venda de carne à China, após 29 dias de paralisação.

Desta vez, um dos temas em que se espera avanço é a certificação digital, "que deve tornar o trâmite de produtos mais rápido e confiável, diminuindo a burocracia para os exportadores brasileiros", segundo o Planalto.

Um acordo de operação direta entre real e yuan (moeda chinesa), que chamou atenção ao ser anunciado no mês passado, também deve estar na pauta. O Planalto aponta que o acordo "sem necessidade de dolarização, também deve facilitar o comércio entre os dois países".

China é a maior parceira comercial do Brasil

O ano de 2023 marca os 50 anos de relação Brasil-China, segundo o Itamaraty. A primeira venda entre os países ocorreu em 1973, e as relações diplomáticas foram estabelecidas um ano depois.

Desde a primeira visita de Lula, em 2004, o volume comercializado entre os dois países aumentou em 21 vezes, chegando a US$ 150,4 bilhões no ano passado.

Em 2022, o Brasil vendeu à China US$ 89,7 bilhões em produtos brasileiros, o equivalente a 27% das exportações nacionais. Os produtos mais vendidos pelo Brasil à China foram soja (36% do total), minério de ferro (20%) e óleos brutos de petróleo (18%), de acordo com dados do MDIC.

O Brasil, por sua vez, comprou US$ 60,7 bilhões em produtos chineses. Enquanto as vendas do Brasil estão concentradas na agropecuária e indústria extrativa, as compras brasileiras dos chineses se resumem a produtos da indústria da transformação, com liderança de válvulos e tubos termiônicos (11%), alguns tipos de compostos e ácidos (8%) e equipamentos de telecomunicações (7%).

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