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Foco na agenda econômica e queda dos preços dos alimentos explicam popularidade de Lula

Felipe Nunes, sócio-fundador da Quaest Pesquisa e Consultoria, adverte que caso o tema de valores e costumes entre na pauta do governo, a avaliação positiva do governo Lula pode cair

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Governo Lula: pesquisas apontam que escolha da pauta econômica foi um acerto do governo (Um Brasil/Divulgação)

Governo Lula: pesquisas apontam que escolha da pauta econômica foi um acerto do governo (Um Brasil/Divulgação)

Após um período eleitoral polarizado em 2022, as últimas pesquisas de opinião mostram que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu romper o otimismo inicial, manteve a base e avançou para o eleitorado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Para Felipe Nunes, sócio-fundador da Quaest Pesquisa e Consultoria, a escolha do presidente de focar na agenda econômica, em vez da identitária, e a sensação de queda nos preços dos alimentos pela população são dois fatores que justificam a popularidade nos primeiros dez meses de governo. Nunes participou do Brasil com S, um programa de entrevistas do Canal Um Brasil e da EXAME, com realização da FecomercioSP.

Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada em agosto, 60% dos brasileiros aprovam o trabalho do governo Lula. O dado representou uma alta de 4 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior. A desaprovação recuou de 40% para 35% no período. Outros 5% preferiram não responder o questionamento. Nunes adverte que caso o tema de valores e costumes entre na pauta do governo, essa avaliação pode cair. “Se o Lula escolher o identitarismo, o costume, ele vai dividir as pessoas. Alguns elementos são insuportáveis para uma parte da sociedade”, frisa.

Ele reforça seu argumento ao analisar que uma parcela da sociedade passou a rechaçar a ideia de conviver com alguém que pensa diferente no quesito de valores e costumes. “Estamos vendo um fenômeno que chamo de calcificação política na sociedade brasileira. Temas ligados a valores e costumes dividem o povo em duas visões de mundo muito diferentes, as quais não se encerram mais nas eleições”, defende. “Começamos a ver empresas, famílias e escolas diante da função de lidar com um padrão de comportamento que não estavam acostumadas. Várias marcas já sofreram com isso.”

O diretor da consultoria explica que esse processo começou quando a polarização, que era política e social em tempos de embates entre PT e PSDB, virou afetiva. “Em 2018, a polarização, que era política e social, virou afetiva, quando o ‘meu’ adversário passa a ser o meu inimigo, alguém que eu não tolero. Os níveis disso começaram a escalonar em 2018 e chegaram ao ápice em 2022. Temos visto uma afetividade muito negativa”, explica.

Ao ser questionado se a polarização das eleições de 2022 pode se reproduzir nas eleições municipais entre candidatos apoiados por Lula e Bolsonaro, Nunes avalia que as grandes cidades brasileiras têm grande potencial de reproduzir a disputa do ano passado, mas salienta que isso vai depender do tipo debate que imposto pelas candidaturas. "Acredito que se o debate eleitoral for em torno de visões de mundo diferentes, você pode ter certeza que veremos uma reprodução de lulismo e bolsonarismo. Agora, se a discussão se der nas questões locais das cidades, provavelmente teremos disputas longes da polarização", explica.

Avaliação do mercado financeiro

Ao comentar a pesquisa da Quaest realizada com 87 economistas e gestores de investimento, que mostrou uma queda na avaliação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, após alta no levantamento anterior, Nunes afirma que o resultado aponta que Haddad surpreendeu os entrevistados de uma forma muito positiva nos primeiros meses do governo, mas agora existe uma descrença em relação à promessa de atingir o deficit zero em 2024. O cientista político salienta que a chance da reprodução desses resultados na pesquisa de opinião da população geral é baixo. "Na população, os elementos que importam são outros. É o preço da picanha e do filé mignon. Eu não acredito que essas duas pesquisas ainda não vão caminhar juntas. Por enquanto, eu vejo um otimismo da sociedade e preocupação no mercado", disse.

PP e Republicanos na base do governo, pero no mucho

Nunes avalia que a costura do governo para aumentar a base no Congresso, com a entrada do PP e Republicanos na esplanada dos ministérios, não é garantia de aprovação dos projetos. Ele explica que as diferenças regionais dentro de um mesmo partido permite que negociações, mas que isso vai depender de que tipo de pauta estará em votação. “O PP e o Republicanos não entraram para o governo, mas há um ‘pedaço’ nordestino desses partidos que entrou. No fundo, é a pauta econômica que está em foco total, e isso permite que o governo consiga atrair uma parte dos deputados, que tem base na direita, para votar esse tema.”

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