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Ernesto Araújo minimiza invasão do Capitólio: manifestantes são cidadãos de bem

Araújo defendeu os militantes, a quem chamou de "cidadãos de bem", que, na avaliação dele, têm direito a questionar o processo eleitoral

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Ernesto Araújo: ministro deu respaldo às desconfianças dos manifestantes a respeito da segurança do processo eleitoral (Wilson Dias/Agência Brasil)

Ernesto Araújo: ministro deu respaldo às desconfianças dos manifestantes a respeito da segurança do processo eleitoral (Wilson Dias/Agência Brasil)

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Estadão Conteúdo

Publicado em 7 de janeiro de 2021 às, 17h57.

O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, minimizou a invasão do Congresso norte-americano em Washington por manifestantes favoráveis ao presidente Donald Trump, derrotado nas eleições do ano passado. Em uma série de posts publicados em sua conta no Twitter, o ministro em nenhum momento responsabilizou o aliado Trump, que incitou os violentos protestos que resultaram na morte de quatro pessoas.

Araújo defendeu os militantes, a quem chamou de "cidadãos de bem", que, na avaliação dele, têm direito a questionar o processo eleitoral, e levantou dúvidas sobre a participação de "elementos infiltrados" no protesto.

"Há que lamentar e condenar a invasão da sede do Congresso ocorrida nos EUA ontem. Há que investigar se houve participação de elementos infiltrados na invasão. Há que deplorar e investigar a morte de quatro pessoas incluindo uma manifestante atingida por um tiro dentro do Congresso", disse.

"Há que parar de chamar 'fascistas' a cidadãos de bem quando se manifestam contra elementos do sistema político ou integrantes das instituições. Deslegitimar o povo na rua e nas redes só serve para manter estruturas de poder não democráticas e seus circuitos de interesse."

Araújo deu respaldo às desconfianças dos manifestantes a respeito da segurança do processo eleitoral. Sem apresentar provas, Trump disse que houve fraude nas eleições dos EUA, realizadas com cédulas impressas de forma presencial e também pelo correio. É o mesmo argumento citado pelo presidente Jair Bolsonaro, que, também sem provas, questiona as urnas eletrônicas no Brasil.

"Há que reconhecer que grande parte do povo americano se sente agredida e traída por sua classe política e desconfia do processo eleitoral. Há que distinguir 'processo eleitoral' e 'democracia'. Duvidar da idoneidade de um processo eleitoral NÃO significa rejeitar a democracia", disse.

A todo momento, o ministro evitou condenar com veemência o ato e deixou subentendido que considera a invasão do Congresso um ato democrático. "Nada justifica uma invasão como a ocorrida ontem. Mas ao mesmo tempo nada justifica, numa democracia, o desrespeito ao povo por parte das instituições ou daqueles que as controlam", disse.

"O direito do povo de exigir o bom funcionamento de suas instituições é sagrado. Que os fatos de ontem em Washington não sirvam de pretexto, nos EUA ou em qualquer país, para colocar qualquer instituição acima do escrutínio popular", afirmou.

Sem citar o Brasil, o ministro aproveitou para ligar a manifestação de ontem nos EUA aos protestos de militantes bolsonaristas realizados ao longo do ano passado contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF).

"Há que perguntar, a propósito, por que razão a crítica a autoridades do Executivo deve considerar-se algo normal, mas a crítica a integrantes do Legislativo ou do Judiciário é enquadrada como atentado contra a democracia."

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