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Estados e municípios podem ajudar na transição energética

Essa foi um dos temas abordados durante a 15ª edição do Encontro de Líderes da Comunitas

Matrizes energéticas renováveis. (Agency/Getty Images)

Matrizes energéticas renováveis. (Agency/Getty Images)

G
Gilson Garrett Jr

23 de outubro de 2022, 08h33

Se é consenso entre especialistas que a transição energética e a descarbonização da economia são um papel de toda a sociedade, qual a responsabilidade de estados e municípios brasileiros nesse processo? Essa foi uma das perguntas respondidas durante a 15ª edição do Encontro de Líderes da Comunitas, realizada na quinta-feira, 20, em São Paulo. O evento, cujo tema era a transição energética e a economia verde, reuniu lideranças empresariais, governadores, prefeitos e pesquisadores do assunto.

Um dos principais desafios destacados pelos especialistas envolve o transporte público das grandes cidades. Estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) mostra que os veículos foram responsáveis por 80% do aumento da emissão de gás de efeito estufa desde a década de 1970. E grande parte disso vem de frotas de transporte individual e de transporte público.

Para Bruce Usher, especialista em transição energética, e professor da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, o Brasil tem um papel privilegiado. "Com biocombustível que nenhum outro país fez, tem a base de energética em hidrelétricas, o hidrogênio é muito barato. As experiências do Brasil mostram que a transição é possível", disse.

No lado de experiências colocadas em prática está a cidade de Recife. O prefeito, João Campos (PSB), conta que a prefeitura estabeleceu uma meta local - ousada - de descarbonizar totalmente a frota de transporte público até o ano de 2050. "60% das emissões de gases do efeito estufa vêm do transporte. E 60% desses 60% são do transporte público. Há uma capacidade quase imediata de trocar 50% da frota por ônibus menos poluentes", disse Campos, que participou do evento.

A venezuelana e pesquisadora da Universidade de Columbia, Luisa Palacios, destacou que a América Latina tem 60% das suas matrizes energéticas de fontes renováveis. Por conta disso, pode ensinar ao mundo como fazer este processo e que ele passa por ações de governos, incluindo os locais.

"Os Estados Unidos acabaram de aprovar uma legislação energética, com dinheiro público. Os governos dos países em desenvolvimento não têm essa capacidade de gastos, mas podem atrair investimentos para essa transição. Esse é o trabalho", disse.

Na ponta dos governos locais, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), afirmou que o Brasil precisa ter uma regra clara para o pagamento dos créditos de carbono. O estado que governa, por fazer parte da Amazônia, poderia ser um dos mais beneficiados e, além disso, usar o dinheiro para o desenvolvimento de outros tipos de economia mais sustentáveis.

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"Temos a maior oportunidade de que nosso país protagonize a agenda global do clima. Nós temos condição de conciliar a produção agro com a Amazônia em pé. A floresta intacta pode ser o grande e novo ativo para o país, o novo pilar e geração de emprego. Mas para isso, precisamos que o Brasil tenha esse entendimento, não só os estados que estão na região da Amazônia", afirmou. 

A mesma opinião foi compartilhada pelo economista e pesquisador José Scheinkman. Segundo ele, os valores do mercado de crédito de carbono na Europa atingiu níveis que o Brasil pode se beneficiar. Segundo ele, o desafio dos governos locais é pressionar o governo federal para cumprir os acordos internacionais de clima e dar a oportunidade para que esse dinheiro seja revertido ao país.

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