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Câmara: PSDB também decide liberar votos e aumenta debandada de bloco de Baleia

A saída das duas siglas do bloco de Baleia é resultado da ofensiva do Palácio do Planalto em favor de Arthur Lira, líder do Centrão

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Os deputados Arthur Lira (PP-AL) e Baleia Rossi (MDB-SP) disputam a presidência da Câmara (Montagem/Exame)

Os deputados Arthur Lira (PP-AL) e Baleia Rossi (MDB-SP) disputam a presidência da Câmara (Montagem/Exame)

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Estadão Conteúdo

Publicado em 1 de fevereiro de 2021 às, 13h11.

O PSDB decidiu deixar o bloco de apoio a Baleia Rossi (MDB-SP) na disputa pelo comando da Câmara e adotar uma posição de "neutralidade", a exemplo do que já havia feito neste domingo, 31, o DEM. A mudança representa novo revés ao emedebista, que assiste a uma debandada de aliados na véspera da eleição na Casa nesta segunda-feira (1).

A saída das duas siglas do bloco de Baleia é resultado da ofensiva do Palácio do Planalto em favor de Arthur Lira (Progressistas-AL), líder do Centrão e nome de Jair Bolsonaro para comandar a Câmara nos próximos dois anos. Como mostrou o Estadão, o governo tem oferecido cargos e recursos extras aos deputados para se alinharem à candidatura governista.

A decisão da Executiva do DEM de desembarcar do bloco de apoio de Baleia e a disposição de outras siglas de seguir o mesmo caminho levaram o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a ameaçar aceitar um pedido de impeachment contra Bolsonaro. A eleição que vai escolher a nova cúpula da Câmara e do Senado está marcada para esta segunda-feira.

Assim como no DEM, deputados pró-Lira no PSDB formam maioria na bancada. Por isso, poderiam forçar o partido a também entrar no bloco do candidato governista. Os tucanos, porém, querem evitar essa adesão. E o caminho decidido é não compor nenhum bloco.

Sem PSDB e DEM, o bloco de Baleia deixa de ser o maior na disputa. Agora, o grupo soma nove partidos e 177 deputados, mas outras siglas ainda podem sair. Solidariedade e PT discutem também deixar de apoiar o candidato de Rodrigo Maia (DEM-RJ). Já Lira reúne o apoio de onze legendas e 259 parlamentares.

A formação dos blocos é importante porque é com base no tamanho de cada um que é definida a distribuição dos demais cargos na Mesa Diretora, o que inclui duas vice-presidências, quatro secretarias e vagas de suplência.

A pressão contra apoiar Lira formalmente inclui nomes como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-senador e ex-deputado José Aníbal. Em mensagem encaminhada a parlamentares Aníbal disse que há "muita boataria" e que o PSDB deve cumprir seu compromisso assumido com o emedebista. "De outro modo, é adesão ao genocida", afirmou o ex-presidente do PSDB. Ele disse também que Lira "conduz sua campanha num balcão em que, segundo reiteradas denúncias, opera assalto aos cofres públicos para obter adesões".

O governador de São Paulo, João Doria, rival de Bolsonaro, também acompanha as decisões e pressiona pelo voto em Baleia. Ele já reconheceu reservadamente que o partido não formará o bloco de Baleia. Apoiador do emedebista, Doria pretende falar publicamente sobre a decisão do partido e a possibilidade de impeachment de Bolsonaro ainda na tarde de hoje, quando concede entrevista coletiva à imprensa.

Antes, a bancada federal se reúne no final da manhã para anunciar o posicionamento, mas a liberação do voto já foi comunicada aos parlamentares previamente. Ainda assim, nomes favoráveis a Baleia dizem que será evitado um "mal maior". Eles trabalham para segurar a adesão a Lira e já admitem que vão perder a eleição com Baleia. Segundo um dirigente tucano, no mapa dos 31 votos da bancada só 13 são de Baleia.

Alas do partido querem seguir o caminho do DEM e rejeitam ficar isolados apoiando um bloco somente com legendas de esquerda, além do MDB. Fora do bloco, o partido espera apenas manter a segunda suplência na Mesa Diretora. Atualmente, a deputada Geovania de Sá (SC) representa os tucanos nesse cargo.

Governistas, Lira e Pacheco têm mais apoio declarado

Os candidatos apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro para o comando da Câmara dos Deputados e do Senado Federal chegam ao dia da eleição com ampla vantagem sobre seus concorrentes diretos, em quase todas as bancadas. É o que mostram os números atualizados do placar Estadão. Tanto o deputado Arthur Lira (PP-AL) como o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) somam mais votos declarados e, em tese, têm mais chances de vitória hoje em Brasília.

A votação será presencial (e secreta) - e só na Câmara são esperadas cerca de três mil pessoas, apesar da pandemia de covid-19.

Com mais de cem votos declarados à frente de Baleia Rossi (MDB-SP) na enquete publicada pela primeira vez em 15 de janeiro Lira "ganhou" 89 apoios públicos de lá pra cá. Segundo o placar o líder do Centrão só não tem vantagem em cinco Estados - tem menos apoios declarados no Acre e no Ceará e empata com Baleia em São Paulo, Mato Grosso e Paraíba. As outras 22 bancadas lhe dão vantagem na eleição.

Com a campanha oficial na rua desde 9 de dezembro, o deputado alagoano rodou o País visitando políticos com a promessa de dar "voz novamente à Câmara", em uma crítica indireta à condução da Casa por Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ele deixa o cargo hoje após quase quatro anos consecutivos e sai em atrito direto com o governo Bolsonaro. Maia deixa também para trás 59 pedidos ativos de impeachment ainda não analisados.

O governo federal passou a ser pressionado cada vez mais por sua atuação na pandemia de covid-19 - o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, por exemplo, virou alvo de um inquérito da Polícia Federal por omissão a mando do STF. Ao mesmo tempo, Bolsonaro usou a máquina para interferir na disputa nesta reta final de campanha.

O acordo com Lira e Pacheco não inclui, segundo o Estadão apurou apenas verbas, cargos ou mesmo dificuldades para a oposição avançar com pedidos de impeachment. Ambos não se comprometem com a instalação ou a continuidade de comissões parlamentares de inquérito (CPIs) com potencial de atingir o governo.

Uma delas, já em curso, é a CPI das Fake News, que tem como alvo o "gabinete do ódio" e filhos de Bolsonaro. A outra é a CPI da Saúde, proposta por adversários para investigar falhas do governo na condução da pandemia de covid-19.

Apesar das costuras feitas pelo Planalto para viabilizar suas candidaturas, ambos os candidatos prometem, caso vençam, gestões independentes. Senador em primeiro mandato, Pacheco também coloca como prioridade a aprovação de reformas e de pautas que preservem vidas humanas e gerem renda.

Senado

Apoiado pelo presidente, Davi Alcolumbre (DEM-AP), o candidato governista do Senado já soma os 41 votos necessários para vencer a disputa, segundo placar do Estadão. Se o resultado se confirmar, Pacheco chegará à presidência do Congresso Nacional com o apoio não só dos bolsonaristas, mas de partidos de oposição, como PT e PDT. Em relação às bancadas, venceria em ao menos 15 Estados.

A candidata rival, Simone Tebet (MDB-MS), perdeu força na última semana depois que seu próprio partido deixou de apoiá-la. Oficialmente, no entanto, os senadores emedebistas não mudaram o voto na enquete e ela segue com 26 votos declarados, sendo 14 da legenda. Mas a quantidade de votos ainda não revelados (9) já não são suficientes para que a senadora ultrapasse Pacheco.

Já na Câmara, o total de deputados que não quiseram dizer em quem votarão pode, em tese, fazer Baleia virar o jogo. Neste caso, ele precisaria do apoio de 93% desse grupo.

Além de Lira e Baleia Rossi, ao menos outros sete deputados lançaram candidatura à presidência da Casa. Entre eles, a ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina (PSOL), que está em seu sexto mandato como deputada federal. A decisão de lançar a candidatura causou atritos no PSOL, após integrantes do partido terem declarado apoio à candidatura de Baleia Rossi.

No Senado, além de Pacheco e Simone, outros três senadores lançaram candidaturas: Major Olimpio (PSL-SP), Jorge Kajuru (Cidadania-GO) e Lasier Martins (Podemos-RS). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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