Burocracia e descontinuidade emburrecem as cidades

A falta de continuidade e a demora nas obras atrasam o desenvolvimento dos municípios. O tema foi discutido no EXAME Fórum Cidades Inteligentes

A cidade inteligente é aquela que tem como objetivo melhorar a vida dos seus habitantes com serviços melhores e mais eficientes. A tecnologia, claro, é um meio para que esse cenário seja possível. E a evolução tecnológica já permite que os municípios brasileiros deem saltos maiores que os atuais.

Porém, a falta de continuidade na gestão pública e a burocracia ainda são um obstáculo grande para a evolução das cidades brasileiras. Esses foram alguns dos temas tratados durante o EXAME Fórum Cidades Inteligentes, ocorrido nesta quarta-feira 28.

A falta de visão de longo prazo impacta, por exemplo, a evolução da estrutura de acesso à internet no Brasil. Por isso, a visão de cidade inteligente acaba concentrada nas cidades mais populosas. Um estudo do NIC.br – órgão executor do Comitê Gestor da Internet no Brasil, o CGI.br – mostra que 70% dos municípios com população acima de 500.000 pessoas possuem algum projeto ligado ao tema. Nas capitais, o número sobe para 72%.

O problema fica nos municípios menores. Menos de 20% das cidades com menos de 100.000 habitantes possuem qualquer plano para melhorar a eficiência por meio da tecnologia. O detalhe é que essas cidades representam mais de 90% dos municípios brasileiros.

“É assustador pensar que, ainda assim, 30% das cidades brasileiras de grande porte não estejam trabalhando no tema”, diz Américo Tristão Bernardes, diretor do Departamento de Inclusão Digital do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Uma das explicações é exatamente a falta de continuidade. Um governo de oposição, quando eleito, não costuma continuar os projetos do político anterior.

Para que esse processo de evolução seja acelerado, é fundamental que a população esteja conectada. Nesse ponto, o Brasil está avançando. Ainda segundo dados do NIC.br publicados em 2017, há 122 milhões de brasileiros conectados – cerca de 67% da população. Um ano antes, o número era de 60%. Uma das explicações é a popularização dos smartphones, pois cerca de metade dos brasileiros acessam a internet somente pelos celulares inteligentes.

Uma sociedade conectada também se torna uma sociedade mais eficiente (e exigente). Por conta disso, a gestão pública precisa se mexer para evoluir junto com a população – assim como a iniciativa privada necessita se atualizar para atender à demanda.

Segundo um estudo da empresa chinesa Huawei, até 2025, 85% de todos os processos das empresas estarão na nuvem. Além disso, praticamente 90% companhias utilizarão tecnologias em inteligência artificial em seus negócios.

No caso da internet das coisas, o mundo de terminais inteligentes atingirá a marca de 40 bilhões de aparelhos – o que resultará num mercado de 23 trilhões de dólares. Logo, para não ficar atrás (e abocanhar um fatia desse mercado), o Brasil precisará ter uma estrutura condizente.

Uma das principais barreiras que dificultam esse avanço é a morosidade da burocracia brasileira. A consultoria Teleco detectou que 86% das 100 maiores cidades brasileiras demoram entre 3 meses a 1 ano para liberar a construção de uma estação rádio base – que faz a conexão entre os telefones celulares e as companhias telefônicas.

Essa demora faz com que existam várias áreas sem cobertura de internet, nem mesmo por meio da rede celular 3G. Isso acontece inclusive em algumas áreas de grandes cidades. “Estamos em uma área de investimento intensivo, pois a tecnologia muda muito rapidamente. Não pode haver tanta demora”, diz Maria Teresa Lima, diretora executiva da Embratel.

O desenvolvimento não passa, necessariamente, por investimentos públicos bilionários. Um exemplo pode ser visto na cidade de Shenzen, uma das maiores da China. Na região, há 1,3 milhão de câmeras inteligentes, que tem funções como o reconhecimento facial. Apenas por conta dessa tecnologia, a cidade registrou queda de 28% no índice de criminalidade e um aumento de 32% no número de casos solucionados.

“Apenas 3% das câmeras foram compradas pelo governo. A maioria era de estabelecimentos e prédios comerciais”, afirma Juelinton Silveira, diretor de relações públicas e comunicação da Huawei. “Mas, para que montar uma rede assim, é necessário uma estrutura que permita a conectividade."

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