Brasil

Brasil tem 11 milhões de domicílios vagos, alta de 87% em 12 anos

De um total de 90 milhões de domicílios no país, 12% (ou 11 milhões) estavam desocupados. Para uso ocasional, há 6,6 milhões

Vista aérea de São Paulo (Leandro Fonseca/Exame)

Vista aérea de São Paulo (Leandro Fonseca/Exame)

Publicado em 29 de junho de 2023 às 13h20.

Nunca o país teve tantos domicílios vagos, segundo dados do Censo 2022 divulgados nesta quarta-feira. Dos 90 milhões de domicílios existentes no país em 2022, 12% (ou 11 milhões) estavam vagos. O total de lares brasileiros subiu 34% entre 2010 e 2022. Dentro desse grupo, o maior salto foi observado nos domicílios vagos. São moradias que estão à venda, para alugar ou esperando para serem demolidos. O aumento foi de 87% no período.

Houve um aumento considerável em relação a 2010. No censo anterior, eram seis milhões de lares desocupados. Número de lares de uso ocasional também teve um salto nos últimos 12 anos: alta de 70%. Principalmente em cidades litorâneas, há hoje no Brasil 6,6 milhões dessas casas que tem apenas uso esporádico.

"Houve esvaziamento dos centros urbanos. Trabalho remoto, migração para cidades como Petrópolis e Nova Friburgo, no caso do Rio. O número de domicílios aumentou 34%, são mais 23 milhões de domicílios mapeadas, parte expressiva, de domicílios de uso ocasional. Isso explica a própria redução da média de moradores. É processo contínuo, não é novo, de agora", afirmou Cimar Azeredo, presidente do IBGE.

Esse fenômeno já foi visto em outros censos, mas o padrão se intensificou nesse período, diz Azeredo. Segundo o demógrafo José Eustáquio Alves, é preciso estudar melhor esse aumento tão expressivo no número de domicílios, principalmente pelo crescimento bem menor da população. Enquanto o número de lares subiu 34%, e da população foi de 6,5% de 2010 a 2022.

"Numero de domicílios é outra coisa que tem estudar melhor. Como a população cresce menos e os domicílios crescem mais? Os domiclios já estavam crescendo mais que a população há mais tempo, mas dessa vez a alta foi maior"

Alves afirma que realmente o tamanho das famílias está diminuindo, o número de moradores caiu de 3,31 para 2,79. O fato de as mulheres viveram em média sete anos a mais que os homens tem feito aumentar os lares unipessoais, diz o pesquisador. "É uma tendência que só vem aumentando nas últimas décadas", diz Alves.

Na avaliação de Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos de Construção do FGV Ibre, o déficit habitacional está relacionado à renda.

"O fato de você ter domicílios vazios ou com mais de um domicílio só reflete a nossa desigualdade. Você pode ter número de domicílios crescendo no ritmo da população ou superior, mas não necessariamente o déficit está diminuindo porque na base você têm núcleos e famílias se formando sem acesso à moradia".

Ana Maria avalia que o movimento migratório de pessoas das grandes cidades para municípios menores ocorre, em grande parte, pelo custo da habitação. Ela alerta ainda que esse fenômeno acaba gerando grande necessidade de infraestrutura, mas que nem sempre acompanha o movimento migratório, e isso tem implicações diretas na política habitacional dos estados e municípios.

"É muito importante que as políticas públicas se voltem para essas partes. Mas é preciso conjugar com outras políticas. Não basta dar uma moradia se a família não tiver condições de arcar com os custos para morar. É preciso todo um conjunto de políticas que permitam o acesso à moradia".

O que é o Censo?

O Censo é uma pesquisa realizada pelo IBGE a cada dez anos para fazer uma ampla coleta de dados em todos os municípios brasileiros. Ele tem como objetivo calcular os habitantes do território nacional, identificar suas características e revelar como vivem os brasileiros.

A coleta acontece por meio de uma pesquisa quantitativa dividida em dois questionários. O questionário básico inclui 26 perguntas sobre a quantidade de pessoas que moram no domicílio, características do morador, renda mensal, identificação étnico-racial e grau de escolaridade. A existência de abastecimento de água, saneamento básico, energia elétrica também são questionadas pelo recenseador.

O outro questionário tem 77 perguntas e mergulha no perfil do morador. As perguntas vão desde a quantidade de computadores com acesso à internet até qual é o tempo de deslocamento da pessoa da casa ao trabalho.

O último Censo, realizado em 2010, contou com 191 mil recenseadores e contabilizou 190,7 milhões de pessoas morando em 5.565 municípios brasileiros. A coleta de dados durou quatro meses e indicou um aumento da concentração da população urbana de 81% em 2000 para 84% dez anos depois.

Por que o Censo é importante? Qual é sua utilidade para definição de políticas públicas?

A coleta do Censo produz informações para a definição de políticas públicas e tomada de decisão de investimento em qualquer nível de governo ou da iniciativa privada.

Os dados são utilizados para definir os repasses da União para estados e municípios, uma vez que o valor considera os números populacionais.

As informações detalhadas fornecidas pelo Censo sobre o perfil da população em determinadas áreas ajudam prefeitos, governadores e o presidente da República a definir prioridades em relação à saúde, educação, assistência social, transportes e cultura, entre outros.

Acompanhe tudo sobre:cidades-brasileirasCasasImóveis

Mais de Brasil

Rio Grande Sul voltará a enfrentar chuvas fortes e massa de ar polar nesta semana, alerta Inmet

Rio de Janeiro recebe FII PRIORITY Summit com o tema “Investir com Dignidade”

CCR retoma cobrança de pedágio na ViaSul e restabelece ligação entre Porto Alegre e interior

Governo de SP e 305 municípios atendidos pela Sabesp aprovam novo contrato para privatização

Mais na Exame