Lula: pesquisas mostram que intenções de voto na região estão menores do que em 2022 (Ricardo Stuckert/PR/Divulgação)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 26 de abril de 2026 às 09h00.
O Nordeste, historicamente o principal reduto eleitoral do PT, entra no novo ciclo com sinais de maior competitividade. A região que, nas últimas eleições, funcionou como base sólida de apoio ao partido agora apresenta disputas mais abertas em estados-chave.
O desafio para o PT não é apenas manter a liderança, mas sustentar sua vantagem em um cenário mais competitivo e menos previsível.
Em 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve 69,34% dos votos válidos na região, contra 30,66% do ex-presidente Jair Bolsonaro. A porcentagem foi a menor das últimas quatro eleições, mas elegeu nomes de esquerda nos estados e foi determinante para a vitória petista.
Na comparação de intenção de votos, em 2022, Lula aparecia com 60% na região em abril. Hoje, esse percentual é de 55%.
“A grande questão que está posta no momento é se Lula consegue manter uma vantagem suficientemente grande para fazer frente às eleições mais difíceis em outras regiões”, diz Cristiano Noronha, cientista político da consultoria Arko Advice.
Na Bahia e no Ceará, dois dos maiores colégios eleitorais da região, nomes como ACM Neto (União) e Ciro Gomes (PSDB) mostram força na disputa local.
No Ceará, o ex-ministro surge em vantagem nas simulações de primeiro e segundo turno contra o atual governador, Elmano de Freitas (PT). Nos bastidores, há discussões sobre a possibilidade de o ex-governador Camilo Santana (PT) assumir a cabeça de chapa para evitar uma derrota do partido. Por ora, ele continua à frente da coordenação da campanha.
O anúncio de Ciro Gomes como possível pré-candidato à Presidência do PSDB pode mexer ainda mais nessa disputa.
Já na Bahia, o ex-prefeito de Salvador lidera com até 7 pontos de diferença sobre o atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT). Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil, também é citado como alternativa para a disputa, mas deve concorrer ao Senado. O partido governa o estado há 20 anos.
“A sensação que ocorre na Bahia é muito de cansaço. Quando um espectro fica muito tempo no poder, a população tem uma vontade de mudança”, diz Cila Schulman, presidente do instituto Ideia.
Ao mesmo tempo, o PT busca fazer a sucessão em outros estados nordestinos, em campanhas que tendem a ser mais disputadas do que em ciclos anteriores.
No Rio Grande do Norte, o ex-secretário Cadu Xavier (PT) é apontado como pré-candidato à sucessão da governadora Fátima Bezerra (PT), mas ainda enfrenta dificuldade para ganhar tração nas pesquisas, em um contexto de avaliação negativa da atual gestão. Xavier aparece apenas com 6% e terá como adversários o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL) e o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil).
No Maranhão, o vice-governador Felipe Camarão, também do PT, ainda não se consolidou como favorito e trava uma disputa com o seu chefe, o governador Carlos Brandão, que lançou seu sobrinho como pré-candidato ao governo. Além disso, o bem avaliado ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), aparece como favorito. A combinação de adversários competitivos, desgaste de governos e maior autonomia regional cria um ambiente mais desafiador para Lula.
Todo esse cenário cria um alerta para os petistas, com a possibilidade da redução da vantagem histórica de Lula na região. A questão é quanto possíveis derrotas em estados-chave podem alterar o resultado nacional.
“A aprovação de Lula está mais estável após uma queda no começo do ano, mas ele não pode perder de forma nenhuma nesses estados”, diz Schulman.