Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 10 de agosto de 2026 às 17h58.
A pesquisa Nexus/BTG sobre a disputa pela Presidência da República, divulgada nesta segunda-feira, 10, animou o ex-governador de Goiás e candidato ao Planalto, Ronaldo Caiado (PSD). Apesar de aparecer com 5% das intenções de voto, empatado com Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), Caiado acredita que o dado mais importante é o percentual de 45% de eleitores que ainda dizem não conhecê-lo.
Para reduzir esse índice, o candidato intensificou a agenda com empresários e lideranças do setor produtivo, público que considera estratégico para ampliar sua visibilidade e apresentar sua experiência administrativa.
"Quero agradecer muito a presença de cada um aqui, porque é a oportunidade que a gente tem para que as pessoas conheçam a nossa trajetória de vida e também daquilo que não fica só no discurso, mas que possa ser transformado em realidade", afirmou, durante encontro promovido pelo Diálogos CEO One, realizado em parceria com a VIP Battistini, no qual se reuniu com empresários.
Ao longo de mais de 40 minutos de apresentação, Caiado procurou construir a imagem de um gestor experiente. Citou os cinco mandatos como deputado federal, um como senador e dois como governador de Goiás, além de destacar a aprovação de 88% ao deixar o governo estadual e a recuperação das contas públicas.
Segundo o candidato, credibilidade e autoridade moral serão os principais diferenciais da eleição presidencial.
"Hoje, o grande problema é que nós estamos indo talvez para a eleição mais importante do país. O divisor de águas dessa eleição é a moral. Quando não se tem, não se governa", afirmou e, sem seguida, foi ovacionado pela plateia.
O principal eixo do discurso foi a segurança pública. Caiado defendeu que o avanço das facções criminosas representa não apenas um problema policial, mas também um entrave ao ambiente de negócios.
Mais cedo, o candidato apresentou seu plano de segurança e afirmou que gostaria de ter o promotor do Ministério Público de São Paulo (MPSP) Lincoln Gakiya como ministro da Segurança. Posteriormente, Gakiya disse que não aceitaria o cargo porque ainda integra o Ministério Público.
Sem apresentar os números, Caiado disse que o custo da violência já afeta diretamente as empresas por meio de despesas com blindagem de veículos, seguros, segurança privada e perdas operacionais.
O candidato afirmou que a expansão das organizações criminosas para setores como combustíveis, transporte, fintechs, saúde e gestão de resíduos ameaça a economia formal e reduz a confiança para novos investimentos.
"O empresário precisa acreditar que tem condições de sobreviver amanhã com a sua empresa", disse.
Caiado também dedicou parte do discurso à exploração dos chamados minerais críticos, como terras raras e nióbio. Para o candidato, o Brasil desperdiça uma oportunidade ao exportar esses recursos em estado bruto, sem desenvolver uma cadeia industrial capaz de agregar valor à produção.
"Hoje, a grande joia da coroa são os minerais críticos para o desenvolvimento da tecnologia. Nós temos algo que o mundo não tem", afirmou.
Segundo ele, o país deveria investir em tecnologia para processar esses minerais internamente e ampliar sua participação em setores estratégicos, como baterias, semicondutores e equipamentos para a transição energética.
O ex-governador citou como exemplo um projeto desenvolvido em Goiás para acelerar o licenciamento de uma mineradora de terras raras e afirmou que o governo federal deveria priorizar iniciativas voltadas à industrialização desses recursos.
Na economia, Caiado defendeu um ajuste fiscal baseado na redução dos gastos públicos e na aprovação de reformas estruturais. Segundo ele, a recuperação da confiança seria suficiente para estimular investimentos privados e reduzir juros e inflação, repetindo o que, na sua avaliação, ocorreu durante o governo Michel Temer.
Temer, aliás, foi bastante citado na apresentação do candidato, sinalizando o caminho que o o postulante ao Planalto pretende seguir. Temer, quando presidente, estabeleceu o Teto de Gastos, enquanto a taxa básica de juros, a Selic, era de 6,50% ao ano.
"Eles vão saber que nós vamos cortar na carne, conter os gastos, apresentar as reformas que o país precisa fazer. Isso gera credibilidade", afirmou.
O candidato também apresentou uma agenda voltada ao aumento da produtividade. Destacou investimentos realizados em Goiás em inteligência artificial e criticou a dependência do país de fertilizantes importados.
Ao encerrar o encontro, voltou a fazer um aceno ao setor privado e afirmou que o papel do governo é criar condições para que as empresas invistam e gerem empregos.
"Eu não vou gerar emprego nenhum. Vocês é que geram emprego. O papel do governo é devolver o Brasil aos brasileiros de bem", afirmou.