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5 fatos únicos que tornaram a eleição de 2014 imprevisível

Da morte de um presidenciável até as surpresas nas urnas: veja quais são os fatos que tornaram a eleição deste ano inédita

Eleitores assistem ao horário eleitoral gratuito da televisão, durante o primeiro turno das eleições (Robson Fernandjes/Fotos Públicas)

Eleitores assistem ao horário eleitoral gratuito da televisão, durante o primeiro turno das eleições (Robson Fernandjes/Fotos Públicas)

Talita Abrantes

Talita Abrantes

Publicado em 26 de outubro de 2014 às 10h36.

São Paulo -  Antes do primeiro turno, a imprensa internacional era unânime ao dizer que dramático era pouco para definir as eleições presidenciais no Brasil.  Os analistas não estavam sendo hiperbólicos.  

Em pleitos anteriores - desde a redemocratização -, os brasileiros já tinham presenciado campanhas agressivas, denúncias de corrupção, disputas voto a voto e resultados surpreendentes nas urnas.

Nas eleições deste ano, a soma de todos estes fatores com a morte de um presidenciável conferiu traços dramáticos à corrida presidencial. Hoje, os eleitores chegam ao segundo turno sem um candidato claramente favorito nas pesquisas.

Para especialistas, a eleição de 2014 deve  entrar para a história como a mais dotada (até agora) de fatos inéditos. Conclusão: estamos vivendo a disputa presidencial mais acirrada e imprevisível desde 1989. 

1. A morte de um presidenciável

Fernando Frazão/Agência Brasil

Renata Campos, viúva de Eduardo Campos, seus filhos e a ex-senadora Marina Silva durante o velório do político

Até a manhã do dia 13 de agosto de 2014, Eduardo Campos, então candidato do PSB à presidência, não tinha marcado mais do que 9 pontos percentuais nas pesquisas de intenção de voto.

Mas, na véspera do acidente, a entrevista de pouco mais de 15 minutos no Jornal Nacional marcou 23 pontos no Ibope na Grande São Paulo. Há relatos de que Campos estava radiante - aquele momento seria decisivo para a estratégia de campanha dele.

“A estratégia dele contemplava um crescimento contínuo que o levasse na última quinzena da eleição a disputar o segundo lugar com o candidato Aécio”, explica o cientista político Antonio Lavareda.

Na prática, o então presidenciável mirava um cenário que, no final das contas, foi vivenciado pelo tucano – que acabou ultrapassando Marina Silva aos 45 do segundo tempo.

A queda do jato Cessna 560XL por volta das 10h da manhã daquela trágica quarta-feira chuvosa em Santos (SP) pôs um ponto final na vida e nos planos do neto de Miguel Arraes, que também morreu em um 13 de agosto.

Mas mais do que isso: embaralhou de vez todo o cenário das eleições 2014 e colocou o tema na mesa dos brasileiros.

2. Uma novata que vira favorita 
Nacho Doce/Reuters

Renata Campos, viúva de Eduardo Campos, seus filhos e a ex-senadora Marina Silva durante o velório do político


O primeiro efeito da tragédia foi a ascensão de Marina Silva nas pesquisas eleitorais. De 21% das intenções de voto nos dias seguintes à morte do então parceiro de chapa, a ex-candidata pulou para 34% das intenções no primeiro turno durante a última semana de agosto, segundo o Datafolha.

Neste período, quase todas as sondagens apontavam para o mesmo fato: se fosse para o segundo turno com Dilma, a ex-senadora tinha tudo para vencer a petista.

Para Emmanuel Publio Dias, professor de marketing político da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), de desconhecido, Campos passou a ser um candidato idealizado.

Fato que acabou alavancando a candidatura de Marina que, segundo o professor, “passou a ser depositória das esperanças de um candidato idealizado”, afirma.

3. O “azarão” desbanca a favorita ...

Aécio Neves (PSDB) durante ato político na praça da Estação, em Belo Horizonte, Minas Gerais (Orlando Brito/Coligação Muda Brasil)



Ataques de todos os lados, brechas no programa de governo e fragilidades internas no PSB – partido que hospeda a candidata – acabaram por enfraquecer a candidatura de Marina que viu seu desempenho sucumbir nas pesquisas durante o mês de setembro.

Na véspera do primeiro turno das eleições, aconteceu o que os marineiros mais temiam: Aécio Neves (PSDB), por muito tempo isolado no terceiro lugar, ultrapassou Marina Silva nas pesquisas de intenção de voto.

A tendência se confirmou nas urnas no dia seguinte e Aécio foi para o segundo turno com Dilma Rousseff.

“Ao longo do primeiro turno, Aécio foi ‘protegido’ por Marina, que atraiu todos humores e atenções petistas”, afirma Lavareda.

4. ... e começa o segundo turno na frente

Se não bastasse a virada, o candidato tucano abriu o segundo turno com uma ligeira vantagem em relação à adversária – apesar do empate técnico. Mais: com uma taxa de rejeição inferior a dela e com melhor desempenho em faixas críticas do eleitorado – como a classe C.

5. Na reta final, a disputa voto a voto 
Ricardo Moraes/Reuters

Candidatos presidenciais Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) durante o debate organizado pela Rede Globo, no Rio de Janeiro ( (Orlando Brito/Coligação Muda Brasil) )

Na última semana da campanha, o cenário se inverte graças em boa medida à estratégia de propaganda petista: Dilma ultrapassou Aécio e liderou o empate técnico em um primeiro momento para, depois, abrir vantagem de até oito pontos percentuais com relação ao tucano, segundo a sondagem do Ibope.

Após um debate que exigia jogo de cintura e mais denúncias de corrupção (entre elas, o relato de que a presidente sabia de esquema de corrupção na Petrobras) , Dilma retrocedeu um ponto enquanto Aécio avançou na mesma medida. 

Conclusão: os eleitores irão às urnas neste domingo com mais um cenário de empate técnico nas pesquisas para solucionar na eleição mais acirrada desde a redemocratização.

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