Para que servem as guerras?

O que a história e dez mil anos de experiências nos levam a concluir sobre a guerra e seu papel no progresso da civilização

Há livros bastante provocativos que nos fazem ir contra o senso comum e revelam verdades inconvenientes. Um deles é “War! What’s it good for?: Conflitos e o progresso da civilização de primatas a robôs”, do professor de Stanford Ian Morris.
A leitura é leve e estimulante, um passeio por séculos de conflitos, dos romanos contra os bárbaros às guerras medievais, das grandes guerras do século XX à Guerra Fria e, por fim, o Império Americano.

Os argumentos centrais são simples e convincentes quanto ao papel da guerra para o desenvolvimento da civilização. Vejamos:

1. As guerras criam sociedades maiores e mais organizadas.
É impossível para uma sociedade lutar (e obter vitórias) sem um mínimo de organização. Quanto maior o esforço bélico, maior a necessidade de alocar devidamente recursos – humanos e materiais – de maneira a atingir o objetivo militar, seja de conquista, seja de defesa do território.
A complexidade necessária demanda a criação de um Governo mais forte e atuante.
O legado do conflito é uma sociedade mais complexa, mais organizada, e com um know-how de como se tornar ainda mais complexa.

2. As guerras criam sociedades maiores e mais seguras.
Embora a guerra seja a pior maneira de criar sociedades maiores e mais pacíficas, é praticamente a única forma que os humanos encontraram para isso.
Parece contra intuitivo, mas conquistadores precisam garantir que os povos dominados não disponham de armas, nem de meios para exercer a violência, sob pena de comprometer a conquista. Esse controle e o respectivo monopólio da força bruta pelo Estado têm como resultado uma sociedade mais pacífica e segura para todos.
É cada vez menor o número de mortes mundiais anuais causadas por conflitos armados. Apenas uma referência: esse número caiu de 546.000, em 1950, para 87.432, em 2016. Além do mais, era maior a probabilidade de um europeu morrer em uma guerra no século XIX do que é hoje em dia.

3. Sociedades mais complexas criadas por guerras trazem riqueza.
A longo prazo, ao formar sociedades mais pacíficas e seguras, as guerras criam as bases para o desenvolvimento e, em última análise, promovem mais riquezas.
A administração do Império Romano demandou a criação de uma infraestrutura de governo e logística – estradas e linhas marítimas – que favoreceu o comércio e a economia inter e intraprovincial, gerando riqueza para empreendedores de todas as partes do império.
Vale também notar a ascensão dos Estados Unidos como superpotência após a Segunda Guerra Mundial, que terminou em 1945.

4. As Guerras são tão eficientes que tendem a serem continuamente reduzidas.
Milhares de anos de conflitos geraram sociedades cada vez mais complexas, governos cada vez mais fortes e riquezas para a maior parte da população mundial. O progresso tecnológico trouxe a possibilidade de armas de destruição em massa, capazes de acabar com a vida no planeta. Isso torna improváveis os confrontos em larga escala, mantem a paz e limita a guerra a pequenos conflitos regionais, com números anuais decrescentes.

Moral da história: devemos chegar muito próximo do mundo imaginado pelos pacifistas, mas por motivos diferentes, muito diferentes.

Espera! Tem um presente especial para você.

Uma oferta exclusiva válida apenas nesta Black Friday.

Libere o acesso completo agora mesmo com desconto:

exame digital

R$ 15,90/mês

R$ 6,36/mês

  • Acesse onde e quando quiser.

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.
Assine

exame digital + impressa

R$ 44,90/mês

R$ 40,41/mês

  • Acesse onde e quando quiser

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.

  • Edição impressa quinzenal.

  • Frete grátis
Assine

Já é assinante? Entre aqui.

Apoie a Exame, por favor desabilite seu Adblock.