Nem direita nem esquerda

Assim como na política, evitar os extremos ainda é uma boa opção. Mas que direção seguir em um momento de tantas incertezas?

No dia em que este post vai ao ar, o maior estado da federação inicia o relaxamento das regras da quarentena, esperando que de alguma forma a atividade econômica e a vida cotidiana sejam retomadas.

Particularmente tenho a visão de que a vida não voltará da mesma maneira. No Paraná onde resido, já temos próximo de duas semanas de reabertura paulatina do comércio, além da reabertura controlada dos Shoppings que aconteceu na última semana. Mesmo com estas liberações, não tivemos uma “corrida às compras”, o que mostra que a retomada será naturalmente diferente da vida de antes do início da quarentena.

A oportunidade de uma crise como essa, é que em uma estimativa rasa, menos de 1% da população do planeta está a margem desta realidade, o que nos dá a oportunidade de interagirmos “falando a mesma língua.” Em uma crise, tipicamente tratamos de questões sistêmicas, isto é, da interação de dois ou mais atores em um determinado cenário ao longo do tempo. Uma crise costuma ser desencadeada por um fator periférico que rouba a cena e muda o jogo, ou promove a mudança. Exatamente o que está acontecendo conosco agora.

Embora absurdos e desatinos estejam mais aparentes neste momento, em um cenário de crise as pequenas coisas costumam indicar onde os problemas realmente estavam parados. É como o casal que decide se separar porque um dos pares “não aperta a pasta de dentes no lugar certo”. É uma boa/pequena desculpa para um problema muito maior.

Como escreveu o Márcio aqui no blog na semana passada, resiliência é o início desta jornada. Vivemos o cenário de um quarto bagunçado que estava com as luzes apagadas, alguém resolveu acender uma vela, e já nos assustamos com o pouco que vimos até agora.

Como diria um otimista: “calma, a coisa ainda deve piorar antes de melhorar”. Não quero com isso desmotivar aqueles que nos seguem aqui no blog, mas sinceramente alertar de que ainda estamos longe de um término para este capítulo da humanidade. Sem esta visão prática, tentamos novamente cair na falsa expectativa de que é apenas uma gripe passageira.

Na minha limitada visão, tenho a impressão de que não é apenas uma questão de saúde pública. As pessoas de forma geral estão cansadas do modelo social e econômico que criamos nos últimos anos. Isso vale para aqueles que tem mais (e ao mesmo tempo alguma consciência social), tanto para aqueles que tem menos – e percebem que a constituição dos países democráticos não bate com a realidade.

E onde tudo isso nos leva no relacionamento com clientes?

Sem a clareza de onde estamos metidos, temos pouca chance de sair desta crise com algum grau de sucesso.

A grande vantagem é que como empresários e profissionais de marketing nós, e nossos clientes estão exatamente dentro da mesma realidade.

Embora o spam e a publicidade não solicitados sejam como vírus que teimam em não ir embora, as comunicações de forma geral estão menos agressivas e invasivas por estes dias. Esta é uma forma simples de por onde podemos começar.

Assim como na política é momento de evitar extremos, nem direita, nem esquerda nem sequer o centro tem a resposta definitiva para o melhor caminho a seguir. Apenas deixando de lado as pré-suposições e falsas-certezas e se colocando no lugar do outro é que temos melhores chances.

Minha sugestão é que está relativamente fácil se colocar no lugar do cliente neste momento. Da mesma forma que em uma crise matrimonial, quando o relacionamento é verdadeiro há naturalmente uma abertura para erros quando a tentativa de acertar é sincera. Então mãos à obra!

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