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Cuidado com os termos da moda

Um simples termo da moda, quando mal utilizado, pode acabar com a experiência do seu cliente.

“Não podemos fazer a troca da sua bateria porque o seu Macbook é Vintage e a Apple não dá mais nenhum tipo de suporte a equipamentos Vintage.” Esta frase foi o final de um fato que aconteceu comigo há um tempo e que quero usar de exemplo aqui para ilustrar um comportamento de mercado que me incomoda um pouco.

Basicamente é a nossa capacidade de criar palavras que viram moda rapidamente e começam a ser usados por empresas e pessoas para situações diversas, inclusive inadequadas no meu ponto de vista, como ilustrei na frase do início deste artigo.

A palavra Vintage é uma delas, que é muito usada hoje em dia para resgatar coisas clássicas do passado que voltaram (ou estão sendo impostas) à moda. A Coca-Cola por exemplo, sempre faz embalagens comemorativas que lembram as garrafas antigas, também temos os cabeleireiros masculinos, ou melhor, barbearias (termo Vintage) que continuam aparecendo em todo o canto com seu visual retrô/americanizado, também temos restaurantes e hamburguerias e mesmo na moda, que quando parece querer se reinventar um pouco, acaba olhando para o passado (por mais estranho que isso possa soar).

Até mesmo quem gosta de carros antigos como eu, gosta de usar o termo Vintage para qualificar o seu carro. Por exemplo, tenho um Fusca 74 ele não é um carro velho e nem mesmo antigo, é Vintage!!

O fato é que a palavra Vintage costuma ser sempre associado a alguma coisa legal ou para poucos, mas o problema pode começar quando algumas empresas (e seus colaboradores) exageram e, talvez sem até mesmo perceber, colocam uma conotação negativa só porque querem usar o termo da moda, e foi exatamente esta experiência ruim que eu tive com a Apple.

Quero deixar claro que gosto muito dos produtos da Apple e possuo vários. Já até fui mais fã da marca, mas ultimamente venho me frustrando muito com algumas escolhas estratégicas dela. No fundo, creio que a empresa não é mais a mesma após a morte do Steve Jobs, como já expressei aqui em outros artigos e talvez o meu caso reflita um pouco isso.

Um dos produtos que tenho é um Macbook Air que comprei há 10 anos e, apesar da idade, mantém ainda uma performance até que muito boa e foi usado sem problemas pela minha filha durante as aulas on-line da escola na pandemia. Mas, como todo equipamento que é um pouco mais velho, coisas vão se desgastando e precisam de manutenção. E foi o que aconteceu com a bateria dele, que passou a não reter mais carga.

A minha decepção com o problema nem foi tão grande porque já era esperada, mas a decepção quando fui procurar a assistência técnica foi enorme e totalmente inesperada. Ao dizer ao técnico sobre o problema e perguntar quanto sairia a troca da bateria, ele quis saber a idade do computador e quando falei, escutei a frase que vou novamente repetir aqui: “Não podemos fazer a troca da sua bateria porque o seu Macbook é Vintage e a Apple não dá mais nenhum tipo de suporte a equipamentos Vintage.” Mas a frase mais correta e honesta dele deveria ser: Seu notebook é velho e não tem mais suporte!

Até entendo que meu notebook é mais antigo mesmo, mas ele ainda é muito bom e eu poderia continuar usando por muito tempo ainda. Ou seja, a Apple desenvolveu um bom produto e que dura bastante, mas fiquei com a sensação de que ela deva estar arrependida disso ao invés de estar orgulhosa. E ainda por cima chamar de Vintage dando uma conotação ruim? Mas ser Vintage que é tão legal para muitas pessoas e empresas, talvez não seja para Apple, ou talvez o atendente quisesse apenas ser simpático usando este termo e mostrando que está ligado nas palavras da moda, não sei.

Quanto a mim, na minha frustração com a péssima experiência, pelo menos tive a ideia de colocar uma placa preta no Macbook igual à do meu Fusca 74. Quem sabe ele não vira assim um valioso item colecionável daqui há mais alguns anos?

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