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Mulheres, sejam ambiciosas não apenas no Dia Internacional da Mulher!

Refletir sobre o que as mulheres já alcançaram se faz necessária no mês de março, mas ainda precisamos garantir que os direitos básicos das mulheres sejam respeitados

Estamos no mês em que celebramos o 8 de março, Dia Internacional da Mulher, data que todos sabem da importância por simbolizar tantas conquistas femininas. Embora tenhamos avanços fundamentais, ainda temos um caminho a percorrer para alcançar a necessária equidade. Necessária, não apenas para termos uma sociedade mais justa, mas também mais segura, estável e próspera. Essa mobilização não se faz apenas neste mês. Ela tem sido perene e ainda vamos chegar lá, no momento em que todas as mulheres e meninas viverão em um mundo mais justo, sem preconceito contra mães, sem um sistema de escolhas e renúncias em situações que poderiam ser conciliadas, sem padrões ditados por outros, com mais segurança e oportunidades iguais. E se temos muito a agradecer às pioneiras do passado que se mobilizaram para garantir nossa participação e nossos direitos, o assunto que quero tratar hoje é justamente essa carga de críticas imposta nas mulheres que ousaram se destacar, que estiveram em evidência, que tiveram ambição.

Ambição significa o anseio de conquistar algo, de atingir um objetivo. E ela faz parte da natureza humana, portanto não deveria ter um entendimento negativo. Mas quando falamos em “mulher ambiciosa” quase vem implícita uma leitura nas entrelinhas que, para além da ambição, ela é interesseira ou não tem escrúpulos para conseguir o que quer. Longe disso. Todos nós, humanos, temos o desejo de conquistar mais do que temos. Seja para nós, para nossa família ou para quem queremos bem. E o nosso trabalho é o meio que temos para conseguir ou a realização profissional ou os recursos financeiros que permitam concretizar nossos sonhos fora do trabalho.

Mulheres que tiveram a ambição de entender a natureza e dela extrair remédios foram chamadas de bruxas e queimadas pela inquisição. A mulher que queria viajar sozinha, ir a um bar ou praticar esportes não era vista como moderna, mas sim como degenerada. Sobre isso, recomendo a leitura do artigo “Loucas ou modernas? Mulheres em revista (1920-1940)” de Cristiana Facchinetti e Carolina Carvalho.

Qualquer mulher cuja ambição não fosse ser esposa e mãe, era considerada antinatural. Não faltavam argumentos pseudocientíficos e sexistas que afirmavam existir um papel de gênero que devíamos cumprir biologicamente. E podemos pensar “No passado distante era assim”, mas os reflexos dessa cultura patriarcal profundamente enraizada ainda são percebidos. O que era tradição no passado, não necessariamente é o certo. Até poucos anos atrás, revistas femininas para adolescentes continham testes como “o que fazer para agradar sua paquera” ou “como saber se ele gosta de mim”. Como se devêssemos balizar nosso comportamento e ambições para encontrar um par ou que a felicidade reside no outro ao invés de em nós mesmas. Isso é uma linha tênue e delicada.

As mulheres que lutaram pelo direito ao voto eram retratadas em revistas e jornais como loucas e feias. E é frequente, até os dias de hoje, tentarem associar a palavra “feminista” a algo negativo, como se a base do movimento não fosse por direitos iguais. Graças às mulheres que, mesmo diante de fortes críticas, decidiram fazer aquilo que queriam ou acreditavam, que pudemos aos poucos conquistar o nosso espaço em todas as áreas. Temos por exemplo a Charlotte Cooper, primeira campeã olímpica mulher, a Valentina Tereshkova, primeira astronauta, Amelia Earhart, a primeira mulher pilota a cruzar sozinha o Oceano Atlântico, entre tantas outras que entraram para a história.

Hoje dificilmente encontraremos um trabalho que alguém irá dizer que uma mulher não pode fazer, mas as dificuldades de estarmos em alguns postos persistem. A nova edição do Índice de Diversidade de Gênero (IDG) da Kantar indica que apenas 10% das 668 maiores empresas da Europa com ações em Bolsa têm lideranças com equilíbrio de gênero. No Brasil, segundo o Woman in Business 2020 da Grant Thornton, 34% dos cargos de liderança no Brasil são de mulheres em empresas de middle-market, o que até supera a média global (29%). No caso de diretorias-executivas (CEO) atingimos 32%, contra 27% em 2019, e na diretoria de operações (COO) houve queda sendo 21% em 2019 e 16% em 2020.

Estamos avançando, mas ainda longe de uma equalização que reflita o nosso potencial. Os entraves ainda existem e o sexismo está até entre as próprias mulheres. A executiva de Soluções de Talentos do LinkedIn Brasil, Ana Claudia Plihal, afirmou em uma entrevista recente ao UOL que um estudo da empresa indicou que os perfis femininos têm 13% menos propensão de serem abertos pelos recrutadores e, ainda por cima, que 73% dos recrutadores são mulheres.

A reflexão que se faz necessária nesse mês que celebramos as conquistas das mulheres é que ainda precisamos garantir que os direitos básicos das mulheres sejam respeitados, mas, com um olhar para o futuro, queremos que as mulheres sejam livres para terem a ambição que quiserem, estarem em todos os lugares sem serem julgadas por suas escolhas e sem entraves no caminho para a realização de seus sonhos. Que todos e todas tenhamos a ambição de crescer e evoluir. E que isso não seja um desafio a mais para as mulheres, mas sim algo natural.

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