Gente é gente e gosta de se sentir relevante no processo de decisão

Os líderes que inspiram, assim como os pais admiráveis, são aqueles que dão o exemplo

Por Fabiana Monteiro

Mauricio Rogério Canineo - CEO Pirelli Nemáticos Argentina

Nossos pais são os nossos primeiros líderes e inspiradores. Como filhos, buscamos coerência nas atitudes deles. Não posso dizer para meus filhos não fazerem algo, quando eu mesmo não cumpro com o que falo. Os líderes que inspiram, assim como os pais admiráveis, são aqueles que dão o exemplo. Agindo com coerência naquilo que se fala, na forma como trata os seus familiares, mantendo a ética como norte e o respeito ao próximo.

A coerência se estabelece quando a atitude converge com aquilo que se prega. Ghandi foi um grande exemplo e agiu conforme sua fala. Anita Roddick - fundadora da rede de cosméticos Body Shop, Howard Schultz – CEO da Starbucks e Roberto Trajan CEO da empresa brasileira CEMPRE (Compromisso Empresarial para Reeducação) são fontes de inspirações, pois são agentes transformadores, que trabalham visando o longo prazo, consideram o ambiente à sua volta e as pessoas que fazem parte do processo, ou seja, verdadeiros líderes.

Sou de uma família de 5 irmãos, originários do bairro da Penha, em São Paulo. Meu pai veio de Sorocaba, interior paulista, para trabalhar, fez carreira nas Casas Pernambucanas, onde trabalhou por mais de 30 anos e se radicou na Penha quando mudou para a cidade. Além de influenciar a minha formação moral e ética, foi ele quem me ensinou a ser leal e a buscar o caminho do sucesso.

Naquele bairro que eu e meus 4 irmãos crescemos, estudamos e, até mesmo, onde encontrei meu primeiro emprego. Em tempos mais simples de outrora, a interação entre as pessoas era maior e mais pura, e felizmente pude brincar muito na rua com meus irmãos e vizinhos. Tudo mudou com a aposentadoria do meu pai. Como não tirava férias, ele se aposentou muito cedo, afinal, ninguém aguenta trabalhar 3 décadas sem parar. Tivemos que fazer algumas adaptações nas nossas vidas.

Aos 14 anos tive que deixar de frequentar a escola privada para ir à pública. Comecei a trabalhar perto de casa como Auxiliar de Almoxarifado na CAIO, Companhia Americana de Ônibus e fui estudar à noite em uma escola estadual. Meu grande amigo e padrinho de casamento Raul José Rodrigues (hoje falecido aos 62 anos) tinha conseguido um emprego na empresa e me indicou para uma vaga. Eu era muito jovem, com sonhos e expectativas, e a princípio, custei a entender por que alguns precisavam trabalhar e outros não. De qualquer forma, tinha meu dinheiro e podia comprar as minhas coisas sem pedir para os meus pais. Buscava a minha independência financeira.

Aos 18 anos, me deparei com o meu primeiro desafio. Quando comentei com o meu pai que desejava fazer faculdade, ele disse não ter condições de custear o Curso de Engenharia. Nesse momento, aprendi com ele, que os diretos são iguais para todos. “Olha, não posso te ajudar com a Graduação todos os anos, porque senão, os seus irmãos teriam o mesmo direito. Não posso te ajudar sempre, então, te ajudo no primeiro ano e você dá um jeito com o resto”, ele disse.

Mil tarefas ao mesmo tempo

A Engenharia Mecânica sempre foi uma área com um vasto campo profissional e a possibilidade de atuar em vários departamentos de qualquer empresa. Decidi seguir nesse caminho e cursei a Faculdade de Engenharia Industrial (FEI-SP). No primeiro ano e meio, meu pai me ajudou com os custos. Para bancar as mensalidades da Graduação, tive de trabalhar em várias frentes: vendia seguro de vida nas férias e foi um enorme desafio profissional na época, pois ninguém compra algo que não possa aproveitar em vida. Meu primeiro mestre profissional foi meu gerente, um vendedor excepcional, apesar de sua gagueira. Também vendia calças na Faculdade e dei aulas à noite de Trigonometria e Geometria Analítica na Escola Paulista de Agrimensura. Tive mil atividades.

Durante, praticamente, a faculdade toda, tive 3 empregos. No terceiro ano, somou-se mais uma tarefa para o meu dia a dia e fui fazer estágio. Foi difícil, mas ainda bem que eu era jovem. No final das contas, olho para trás e me pergunto como consegui fazer tudo isso em tão pouco tempo. Virei noites em claro estudando para fazer as provas. Mesmo assim, ainda encontrava um tempo para me divertir e namorar. Era sobrecarregado, de fato, mas aprendi a lição de ter de me virar desde o início.

Fiz 3 anos de estágio na Área de Produção na Rolls-Royce Motor, mas não fui efetivado, pois havia apenas uma vaga e o meu chefe, Diretor daquela área, disse que a mesma seria preenchida pelo seu sobrinho. Foi irônico não conseguir o emprego por causa da mesma pessoa que me deu a oportunidade de entrar na Companhia. Essa foi a minha primeira decepção durante a minha trajetória profissional.

Mesmo desiludido, consegui valorizar a franqueza do meu superior e tirei um aprendizado importante: ser honesto e dizer a verdade é o melhor caminho para todos no mundo corporativo. Muitas vezes, o profissional encontra obstáculos durante a carreira e, ocasionalmente, os chefes não expõem a verdade. Por mais que doa num primeiro momento é somente a verdade que orienta melhor o indivíduo.

Ao me formar, realizei o meu primeiro sonho: comprar um carro novo, um Gol, preto, ano 1983. Falei para Vania, minha namorada na época, hoje minha querida esposa, que o casamento ficaria para depois, porque o meu sonho era comprar um carro zero KM e não tinha dinheiro para as duas coisas. Claro que queria casar e ter uma família perfeita e disso não posso me queixar. Sou casado há 35 anos com uma mulher fantástica, que me apoia e está sempre ao meu lado nessa carreira doida e temos um casal de filhos, Giulherme e Giulia, que amamos muito.

Minha esposa é arquiteta e abriu mão da sua carreira profissional, mesmo tendo seu próprio escritório e uma ótima reputação no mercado de cozinhas industriais, para morarmos fora do Brasil. Atualmente depois de tantos cursos (Semiologia da Vida Cotidiana, Professora de Yoga, Terapia de Cristais, Alquimista) e experiências em outras áreas lançou a ARQUETEREAPIA que consegue equilibrar o ambiente de trabalho ou residencial à vida pessoal e continua me ajudando muito nessa minha caminhada pessoal e profissional.

Moramos quase 15 anos fora como família e nossos filhos hoje estão crescidos e formados, que se tornaram cidadãos do mundo. Sem dúvida minha família é outro sonho realizado e sigo o meu caminho agora na Argentina. Brinco com a minha esposa que ela não pode reclamar do meu trabalho e o tempo que dedico a ele, já que me casei com a Pirelli antes dela. Neste ano de 2021, completo 38 anos na Companhia.

Início de uma carreira sólida

A Pirelli estava em busca de profissionais nas universidades e me chamou duas vezes para uma entrevista, mas as vagas que apareciam eram para trabalhar na fábrica e não era o que eu buscava. Na terceira vez, surgiu a oportunidade para atuar como Engenheiro de Campo, em um departamento que não existia e estava sendo formado para fazer provas de mercado. Ali, buscávamos empresas para montarem e experimentarem os pneus que seriam lançados do mercado em alguns anos.

Passei por um processo seletivo de entrevistas individuais, dinâmicas de grupos e entrevistas finais com os gerentes da área que atuaríamos. Eram 80 candidatos para preencher 3 vagas e me destaquei pela espontaneidade, liderança, experiência profissional, determinação e tino comercial. Foram 2 meses nesse processo, até ser chamado para ingressar na área de qualidade.

Após 6 anos no Departamento de Qualidade, compreendi que era necessário mudar de área para ter novas experiências. Abandonei a possibilidade de me tornar Gerente naquele setor para migrar para a Assistência Técnica. Foi quando notei a importância das relações interpessoais e saber identificar as pessoas que se pode confiar. Entre relações políticas, encontra-se as pessoas que podem lhe patrocinar, que te permitem ser visto e que fazem as coisas acontecerem. No mundo corporativo é inevitável não fazer política, seja para aprovar um projeto ou uma ideia entre vários executivos, seja para promover algum profissional que mereça crescer, seja para discutir a sua carreira profissional. No fundo, sempre estamos negociando alguma coisa. Com raras exceções, sempre mantive uma boa relação com meus chefes e a construção da uma carreira depende muito das relações pessoais, assim, como em um negócio, deve-se ter uma relação de confiança, lealdade e ética. A partir deste momento, fiquei 2 anos em cada função e fui mudando. Nesse rodízio, tive a oportunidade de conhecer setores como a Assistência Técnica, Marketing, Passeio e Caminhão, Vendas para Equipamento Original, Marketing e Vendas de Pneus Agrícolas, para enfim, regressar para o meu cargo inicial de Gerente no Equipamento Original. Neste último cargo, com exceção dos produtos para motos, me tornei responsável por todas as montadoras e linhas de produtos da marca na América Latina. Cada setor tem uma característica diferente e quanto mais aprendi sobre cada um, mais ampliei minha visão e passei a ter uma noção mais clara sobre o funcionamento da empresa e aonde ela quer chegar. É como um quebra-cabeças, junta-se as peças até ter a visão do todo.

Durante uma conversa com um colega, membro da Diretoria, ele me perguntou onde eu queria chegar, comentei que gostaria de me tornar o Presidente da Pirelli, no Brasil, e ele imediatamente respondeu: “você acha que chegará lá?”. Até o momento não consegui, mas cheguei perto, e hoje como CEO da Pirelli Nemáticos Argentina, reúno condições para isso porque já ocupei a posição de CEO da Pirelli México, Venezuela, Latam Norte CEO da Pirelli Comercial e da Campneus, Empresa de Varejo do Grupo Pirelli, se vou alcançar esta posição mesmo com 62 anos não sei e não depende somente de mim. Uma coisa eu posso afirmar, fiz a minha parte de deixei o meu legado por onde passei. O fato real é que se eu não estipulasse o meu objetivo, certamente, não o alcançaria nem a posição atual. Deve-se trabalhar pensando em alcançar o ponto máximo de sua carreira. Sonhava em chegar onde cheguei, mas tudo só aconteceu, por causa de muita dedicação. Sigo vivendo intensamente minha jornada na Companhia e trabalhando de 10 a 12 horas por dia. Meus chefes italianos me chamavam de “testone”, que significa cabeça-dura, e eu sempre dizia que convicção é muito diferente de teimosia. Sempre fui determinado e essa característica me fez crescer na Companhia.

Decisão assertiva

Em 2003, me mudei com a família para o México. A promoção veio devido a minha experiência em várias áreas, meu ótimo relacionamento pessoal e profissional com todas as diretorias e gerencias que teria de me relacionar. Não foi uma decisão difícil para a família; minha esposa dar essa oportunidade para os filhos, uma vez que nunca teve tal experiência quando jovem. Com uma estrutura pequena, um escritório com cerca de 20 funcionários e com faturamento de 22 milhões de dólares por ano, a meta era fazer a Pirelli crescer. O desafio foi ainda maior, pois tínhamos que fazer todo um trabalho de construção e reconhecimento da marca. Quando dizia que trabalhava na Pirelli, logo me perguntavam: “o que é isso?”.

Quando era indagado sobre as melhorias que deveriam ser realizadas no empreendimento do México, dizia que deveríamos construir uma fábrica. Diziam que eu estava louco, mas insisti, pois era minha convicção e não teimosia. Uma ótima infraestrutura local, mão de obra qualificada, apoio do governo, custo de produção muito competitivo com a Ásia e a possibilidade de abastecer melhor o mercado nos Estados Unidos são fatores que firmaram minha convicção de que uma nova planta produtiva era o melhor caminho. Necessitávamos crescer nos EUA e não tínhamos capacidade produtiva para atender a toda demanda mundial. No ano de 2011 a empresa somava resultados positivos e o cenário se mostrava favorável para o investimento. Então, fizemos o projeto da fábrica no México e a construção foi iniciada. Nesse interim, me passava pela mente que a minha realização profissional seria tornar-me um CEO e ter uma fábrica sob meu comando. Contudo, quando a construção foi finalizada e inaugurada, decidiram mudar a minha trajetória profissional no México em uma nova experiência.

Nenhuma empresa te ensina a ser um CEO, porém dá oportunidades e treinamento para isso. A prática e determinação na execução são os ingredientes fundamentais para se chegar no topo. No México, muitas vezes foram necessárias explicações para mostrar o motivo do resultado não estar sendo atingido, mas contava com a confiança dos meus superiores para fazer meu trabalho. Com o tempo, os resultados vieram. Minhas dicas são: sempre faça diferente; confie em si mesmo e no seu julgamento; confie e invista nas pessoas; faça uma leitura correta do mercado e realize as mudanças necessárias sem medo de errar. Ao arriscar, envolva todas as pessoas para que todos trabalhem juntos e se comprometam com o objetivo. Trabalhamos para atingir os números esperado se depois de nove anos, o faturamento subiu para 150 milhões de dólares. A equipe cresceu unida e junto com a empresa. As pessoas eram ouvidas e sempre tive a política da porta aberta com os meus colaboradores.

Ainda no México, e buscando ampliar a minha rede de relacionamentos, criamos um grupo denominado ATAR para troca de informações e experiências, formado somente por CEO’s e presidentes de companhias brasileiros trabalhando em diversas empresas de setores variados. A ideia era facilitar a adaptação dos profissionais no país e construir cada vez mais laços pessoais e profissionais. Este grupo foi criado, pois as reuniões com a Embaixada do Brasil eram pouco produtivas e agregavam pouco valor. Em base a isso, começamos a fazer reuniões trimestrais, onde podíamos trocar de informações dos mais diversificados temas, como economia, política, oportunidades de mercado, de natureza humana, ou seja, tudo que fosse útil e comum a todos os CEO’s pudessem melhorar a gestão de cada um em suas empresas. Hoje, o grupo conta com mais de 30 CEO’s e as reuniões continuam acontecendo. Mantive a amizade com muitos dos líderes que participaram na minha época e que já voltaram para o Brasil. Em novembro de 2021 o grupo completará 15 anos de existência. Para abrir novas frentes de trabalho e apoios políticos, fui vice-presidente da Casa Dante Alighieri. A Pirelli é uma das marcas que são ícones no mundo e pela minha posição na empresa, através da embaixada da Itália e do círculo de amizade com a comunidade italiana radicada no México, me tornei Conselheiro da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio. Ainda mantenho contato com meus amigos italianos que vivem no México e sempre que vou ao país, nos encontramos num restaurante de um deles. Uma das minhas crenças é que a interação profissional começa no relacionamento pessoal. Não existe relacionamento profissional sem confiança pessoal.

O lado humano do mundo corporativo

Em 2012, me ofereceram o cargo de CEO da Pirelli na Venezuela, para administrar uma planta produtiva velha e atrasada em termos de investimentos em modernização. Como queria estar no comando de uma fábrica, aceitei esse grande desafio. A companhia precisava fazer algumas reestruturações no Brasil e na América Latina e sendo a Venezuela um país politicamente complicado, viram em mim um perfil que unia a capacidade profissional e política para fazer com que seguíssemos produzindo. Ao comandar uma planta produtiva velha é necessário trabalhar com as pessoas de todos os níveis, principalmente os operários, mostrando a todos que há um objetivo comum: seguir produzindo mesmo com todas as dificuldades de conseguir matéria prima, peças de reposição, etc. Isso faz com que a determinação, empenho e capacidade de realização de toda a equipe seja maior, porque não podíamos deixar de produzir pneus com o mesmo nível de qualidade de qualquer planta do mundo.

Era difícil incentivar a melhoria na produção, já que as leis trabalhistas eram muito rígidas e as demissões não eram permitidas. O Sindicato passou a ter um poder muito grande depois da era Chavez. Enfrentei uma greve, logo na chegada, em 2013 e a negociação com os líderes sindicais foi tensa e delicada. Durante a greve, realizaram uma operação tartaruga, com colaboração zero. A cobrança dos meus superiores para que uma solução fosse encontrada era diária. Num dado momento, passaram a buscar um culpado e, como CEO, me senti no dever de me colocar a frente, pois afinal a responsabilidade primária sempre é do líder.

A fábrica tinha graves problemas internos de relacionamento e existiam há muitos anos, onde a gestão era contra os operários e vice-versa. Atuei diretamente na intermediação desse conflito e principalmente no que havia entre o sindicato e a direção da fábrica. Os dirigentes tinham feito promessas aos trabalhadores e não cumpriram. Isso deveria ser resolvido logo, pois era uma reclamação legítima. O relacionamento com o Sindicato melhorou após a vitória dos líderes sindicais nas eleições daquele ano. Como desde o início mantive uma relação de respeito e proximidade com os funcionários, aos poucos, fui conquistando a confiança dos trabalhadores. Após muitas negociações e algumas concessões da empresa, chegamos num acordo e todos voltaram aos seus postos.

Na Venezuela, há uma barreira ideológica que divide os operários do patrão. O capitalista é chamado de “imperialista” e visto como um explorador do assalariado. Sempre estive próximo dos empregados para que eles percebessem a importância de trabalharmos todos juntos e para que me vissem, também, como funcionário da empresa. Disfrutei almoçar todos os dias na fábrica, pois era o momento de interagir com todos e participei dos jogos internos da fábrica. Joguei futebol na equipe formada por trabalhadores, mas mesmo sendo o chefe máximo da empresa, não fomos campeões, o que mostra o quanto nos enxergávamos como iguais. Todos queriam ver o Presidente jogar com os operários contra o time do Departamento Administrativo. A proximidade para com meus pares era evidente. Meu grande ensinamento nesse período foi que pessoas são pessoas, que gostam de serem ouvidas e consideradas, sem nível hierárquico. Essa é minha convicção! No mundo capitalista, deve-se trazer resultados e o crescimento da empresa depende da participação de todos. Em todos esses anos, foi minha maior experiência na Pirelli. Fazer aquela fábrica funcionar, num país como a Venezuela foi um grande desafio, mas o trabalho foi facilitado por uma grande equipe, que sempre acreditou que era possível. O resultado desta experiência foi muito além do econômico. O melhor foi transformar a Pirelli Venezuela, em 2015, como referência na América Latina como melhor lugar para se trabalhar e em 2016 como a melhor fábrica no mundo Pirelli para trabalhar, o que demonstra que mesmo já não estando no comando o legado foi deixado e fundamentado. Em junho deste ano, 2017, vi com muita tristeza a interrupção da produção por falta de matéria prima e de insumos e hoje já não existe mais a Pirelli na Venezuela, o que é lamentável.

Insumos para construir uma carreira

O líder inspirador tem que ser verdadeiro. Dizer porque um foi promovido e outro não, porque a nota de avaliação de um foi boa e a do outro não. Nunca chamar a atenção na frente de todos. Criticar de forma discreta e elogiar publicamente. Enfim, o líder inspirador é aquele que pensa nas pessoas, no crescimento coletivo e formação de uma equipe de alta performance, buscando sempre os melhores resultados para a empresa.

O profissional que busca ter sucesso na carreira deve ter coerência, bom senso, velocidade e dinamismo. A coerência e o bom senso ajudam na tomada de decisões. Certa vez, ministrei uma palestra na Colômbia para a turma do primeiro de ano de Administração da Universildad Los Andes, onde uma estudante comentou que se inspirava no Steve Jobs. Disse a ela que lamentava, pois Steve Jobs, na minha visão, se avaliamos a forma como ele tratava as pessoas, não era um líder e, sim, um carrasco. Era um gênio, determinado e obcecado. Essa é uma forma de se atingir o topo, mas acredito menos nessa fórmula, pois poucos crescem desse modo. Não entendo que essa postura traduza o conceito de liderança.

Um fator que colabora para o sucesso é manter uma equipe heterogênea, pois ideias diferentes e outros ângulos de visão são necessários. Logo, se incentivo a todos a falarem numa reunião, para somente no final fazer um parecer. Algumas vezes, surgem muitos pontos de vista divergentes e tenho que tomar uma decisão, apesar de muitos acharem que demoro muito para isso porque busco sempre o consenso. Outro ponto preponderante é saber admitir que não se tem todas as respostas. É melhor reconhecer que não se sabe algo do que falar besteira. Nesse cenário, administro a humildade e o ego. Minha esposa, minha companheira de toda jornada, amiga, conselheira e Coach, frequentemente me pergunta o quanto é meu ego que está falando em determinados momentos. Ela separa muito bem o profissional do marido. Como coaching, muitas vezes me traz de volta para a realidade, me faz ver os problemas de outro ângulo e me faz voltar ao meu centro.

Depois de tantas experiências pessoais e profissionais que passei no México (crise financeira 2008 e contagio H1N1), Venezuela (Administração e morte de Hugo Chaves, entrada do poder Nicolas Maduro e a Chikungunya, volta ao Brasil (crise política e impeachment de Dilma Russef) e agora na Argentina após 3,5 anos vivendo a recessão econômica que começou no governo de Mauricio Macri, a volta da administração socialista Kirchinerista, pensei que isso seria mais do mesmo. Porém, o destino quis apimentar um pouco mais a minha jornada e de todos com a pandemia do Covid-19, como mais um elemento de aprendizado na minha vida e de todos que nos relacionamos. Aprendemos a dar ainda mais valor as nossas relações pessoais, a valorizando o que temos e construímos em anos anteriores para poder passar essa faze mais fortalecidos.

A minha crença pessoal e profissional dessa pandemia, que ainda não terminou, segue sendo a mesma: “GENTE É GENTE INDEPENDENTE DA CULTURA E O PAIS”. Todos querem ser ouvidos e considerados em todos o processo de construção e implementação de projetos e decisões que muitas vezes são difíceis mais que tem que ser tomadas. Espero ansiosamente para o momento que eu possa voltar a abraçar e a cumprimentar amigos, parentes e a minha equipe como sempre fiz com um abraço fraterno e espontâneo.

Após essa jornada por vários países, diferentes etapas da produção, diversos cargos e posições, não posso deixar de lembrar daqueles que se mantiveram ao meu lado. Agradeço a minha esposa Vania, esposa, companheira, Terapeuta, Coach, e meus filhos Guilherme e Giulia minha inspiração. Estou com 62 anos e ainda tenho muito a contribuir. Como disse antes, tenho minhas convicções e meus sonhos, portanto, tenho que seguir trabalhando e buscando realizá-los. Passei por quase todas as áreas da Pirelli, e até aqui, após 37 anos, com todas as conquistas que obtive, concluo que minha experiência na Pirelli foi realmente engrandecedora. Hoje, entendo que a bagagem é muito valiosa e isso só se conquista com o tempo.

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